Funcionária do AfroReggae é encontrada morta com tiro na cabeça

Ela foi levada por três homens com armas na cintura, que não estavam encapuzados, mas a polícia ainda não tem pistas dos assassinos.

RIO, 11 (AG) – Sequestrada na manhã de ontem dentro de casa, em Vigário Geral, a funcionária do AfroReggae Tânia Cristina Moreira, 44 anos, foi encontrada morta na tarde de hoje com um tiro na cabeça, num terreno baldio na região de Campos Elíseos, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ela foi levada por três homens com armas na cintura, que não estavam encapuzados, mas a polícia ainda não tem pistas dos assassinos.Além do tiro, a vítima ainda teria sido encontrada com sinais de espancamento. O coordenador do AfroReggae, José Júnior, disse hoje não acreditar que a morte tenha relação com a atuação de Tânia na entidade. Há sete anos, ela vinha exercendo a função de mediadora de conflitos, com foco principalmente na comunidade de Vigário Geral. O grupo conta com cerca de 30 pessoas que fazem este trabalho, para amenizar desavenças nas favelas, inclusive envolvendo bandidos.

— Em todos esses anos de trabalho, praticamente nunca tínhamos tido qualquer problema com mediadores. Ultimamente, a Tânia nem estava muito envolvida diretamente com esse trabalho porque as coisas estão mais tranquilas em Vigário Geral. Ela vinha ajudando na preparação de bufês — afirmou Júnior.

O coordenador do AfroReggae disse ainda descartar a possibilidade de bandidos estarem envolvidos no crime. Ele contou que representantes da entidade foram procurados hoje por chefes do tráfico em Vigário Geral, que garantiram não ter qualquer participação no sequestro e posterior assassinato. Carros da Polícia Civil foram vistos horas antes do crime na rua de Tânia, mas ainda não há indícios concretos da participação de agentes no assassinato.

Parentes de Tânia estavam muito abalados e sem cogitar qualquer explicação para a morte. Cristiano Gonçalves da Silva, marido da vítima, afirmou que saiu de casa por volta das 7h de ontem e, por distração, deixou o portão só encostado. Dois homens teriam invadido a sala da residência e ordenado que a mãe da mediadora, sua filha de 1 ano e uma amiga ficassem trancadas no quarto, para que eles pudessem conversar com a funcionária do AfroReggae.

— Eles entraram com as armas na cintura e diziam que queriam conversar, que não eram bandidos. Aí, ela foi levada para um carro que estava parado do lado de fora e sequestrada. Infelizmente, ninguém viu as características do veículo. Não temos ideia do que pode ter motivado esse crime. Ela nunca tinha sofrido ameaças, não tinha dívidas — disse o marido.

Assim como praticamente todos os mediadores do AfroReggae, Tânia era ex-detenta. O caso começou a ser investigado pela 38a. DP (Irajá), mas, assim que a morte foi confirmada, foi assumido pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense. O delegado-titular da 38a. DP, Gilberto Dias, praticamente não tinha pistas de suspeitos na tarde de hoje:

— Há uma câmera de uma empresa próxima à casa, mas ela estava desativada. Os familiares ainda estavam muito abalados e sem condição de tentar ajudar na elaboração de um retrato falado.

A confirmação da morte foi feita por volta das 17h de ontem por José Júnior em seu perfil no Twitter. A notícia causou comoção entre os internautas. No início da noite, a palavra AfroReggae figurava em sexto lugar entre as mais digitadas no “site” no Brasil.

Em outubro de 2009, outro integrante do AfroReggae já havia sido vítima da violência. Evandro João da Silva, que era coordenador de projetos sociais da entidade, foi morto durante uma tentativa de assalto no Centro do Rio.

O caso ganhou repercussão porque dois PMs, o capitão Dennys Leonard Nogueira Bizarro e o cabo Marcos de Oliveira Sales, foram flagrados por uma câmera de segurança ao não prestarem socorro à vítima. Em dezembro do ano passado, eles foram condenados por prevaricação (retardar ou deixar de praticar ato de ofício para satisfazer interesses pessoais), com suspensão condicional da pena por dois anos, pela Auditoria de Justiça Militar.

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