Manaus registra mais de 2 mil crimes contra idosos em quatro meses

Em média, são 22 ocorrências por dia e os maiores índices são de furto e roubo, que chegam a 987 casos

Manaus – De janeiro a abril deste ano, 2.712 crimes contra idosos já foram registrados em Manaus, em média, são 22 ocorrências por dia. No último ano, o total de registros foi de 9.313 casos. Os maiores índices são de furto e roubo, que somados são de 987 casos. O número de ameaças contra idosos também foi alto com 248 registros. As informações foram divulgadas na última segunda-feira (13), na Semana de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa, no Parque do Idoso.

Comparado ao mesmo período do ano passado, houve uma redução dos números de casos, que apresentava 3.273. De acordo com a delegada Ivone Azevedo, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Idoso (DECCI), muitos se aproveitam da imagem de vulnerabilidade do idoso. “Houve uma redução, mas os números ainda são altos na capital. Muitos se aproveitam de quando o idoso vai ao banco, pois ele acaba tendo uma imagem vulnerável. Então, ele acaba de receber seu benefício e é furtado ou roubado por alguém que está ali monitorando”, explicou reforçando que os casos podem ser registrados em qualquer delegacia da área, não necessariamente da DECCI.

A delegada ressaltou que a delegacia especializada cuida de casos no cenário intrafamiliar e que muitos são difíceis de identificar. “Inclui o psicológico, a opressão, o abandono. O próprio afastamento dele da vida social também é uma forma de agressão, não somente a agressão física. Muitas pessoas veem o idoso meramente como um vegetal ou um estorvo. Na delegacia, a maior incidência são os casos de maus tratos e apropriação indébita, porém, estas são difíceis de identificar, após a denúncia, o próprio idoso nega”, disse.

Ivone informou que as denúncias acontecem por próprias pessoas da família ou por um vizinho ou amigo. “Eles denunciam que alguém está se apropriando desse dinheiro do idoso e usando para outros fins que não seja para ele. Porém, o idoso acaba achando que aquilo é normal e não vê como crime, então muitas vezes até por medo do abandono ou para proteger dos filhos eles acabam não assumindo. É usado desse amor familiar para realizar a extorsão”, completou Ivone, ressaltando que as também denúncias podem ser realizadas pelo disque 100 ou pelo número da Secretária Pública do Estado 181.

Ainda segundo a delegada, após o recebimento das denúncias pelo disque 100, estas são encaminhadas ao Centro de Atendimento em Defesa da Pessoa Idosa (CIPID) uma vez que no quadro de funcionários da delegacia não tem uma assistente social.

“O Centro manda alguém ao endereço denúncia e é feito uma avaliação psicossocial da família e verifica se está acontecendo um ato criminoso. Se confirmado, conforme a delegada, um relatório é encaminhado à delegacia para instaurar procedimentos”, explicou a delegada. Já as denúncias recebidas pelo 181 são repassadas para o sistema online da DECCI, apuradas por investigadores da delegacia.

“Muitas vezes, quando chegamos na casa do idoso para apurar o caso, encontramos condições desumanas. O idoso recebe um salário para viver de forma digna com pelo menos o básico, mas tem casos em que chegamos na casa e o idoso não tem roupa, está acamado, doente e até com feridas graves. Se o idoso precisa de um atendimento médico e a família não oferece isso a ele, pode ser considerado crime também. A negligência da família é crime e a responsabilidade são dos filhos, pois a lei obriga a cuidar. Caso, tenha condição, eles podem contratar um cuidador para este idoso”, explicou Ivone.

Outra opção para a denúncia é o Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso (PADI) da Fundação Doutor Thomas através do disque 165. De acordo com informações da Fundação, até abril deste ano, 39 denúncias foram registradas. Entre eles estão casos de negligência, abandono e violência psicológica e financeira.

“O abandono e a negligência são crimes e o idoso pode ir atrás do seu direito, fazer a denúncia e solicitar que o agressor seja penalizado. No PADI, levamos uma equipe multidisciplinar com psicólogo, assistente social, enfermeira e nutricionista, à casa do idoso para orientar da melhor forma de cuidar desse idoso. O número também é aberto para denúncias, em muitos casos, é um vizinho que liga dizendo que tem um idoso que fica o dia todo sem receber comida ou água, então a equipe vai lá conversar com a família e verifica a situação”, disse a diretora-presidente da Fundação, Martha Moutinho.