Novas ferramentas tecnológicas desafiam as escolas a inovar no ensino

Raciocínio mais rápido, interesse maior na leitura e combate ao analfabetismo funcional são apenas alguns dos benefícios do uso de novas plataformas para o aprendizado.

Manaus – Apenas os livros e as lousas tradicionais já não são suficientes para ‘prender’ a atenção dos alunos nas salas de aula. Com a popularização dos computadores e ‘gadgets’, os professores cada vez mais enfrentam o desafio de inserir esses recursos no processo de ensino da maneira correta. De acordo com especialistas consultados pelo PortalD24AM, raciocínio mais rápido, interesse maior na leitura e combate ao analfabetismo funcional são apenas alguns dos benefícios da ‘educação high-tech’.

Na avaliação da professora mestre em educação Edivânia Hosana, as escolas particulares de Ensino Infantil, Fundamental e Médio não têm medido esforços para utilizar e oferecer as tecnologias educacionais como mediadoras da aprendizagem. São aplicados desde a utilização de computadores com acesso à internet para realização de pesquisas, visitas a sites a fim de buscar informação e conhecimento sobre as diversas áreas até a criação de salas de bate-papo e grupos em redes sociais.

Hosana inclui na lista de recursos a tecnologia mobile e aparelhos de celular, além de plataformas de comunicação síncronas e assíncronas.

De acordo com a professora, todos esses recursos tornam a aprendizagem dos estudantes um momento criativo, divertido e adequado às culturas tão diferentes que existem em sala de aula.

“A ponte entre a educação, a criatividade e a diversão é um mundo que não tem mais volta. A internet traz novos desafios, linguagens, uma forma de comunicação, modos de ensinar e aprender. A escola precisa avançar e acompanhar a cultura dos ciberespaços e cibercultura. A criança, o adolescente, o jovem e o idoso precisam de oportunidades para compartilhar suas experiências e construir conhecimento intelectual e coletivo”, completou.

Para a professora e secretária de gênero da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Isis Tavares, a tecnologia aplicada ao ensino nas escolas não se limita mais aos laboratórios de informática, como aconteceu no final dos anos 1990, mas contempla também o advento da telefonia móvel, o audiovisual, tablets e as redes sociais. Ela, no entanto, acredita que essas ferramentas ainda são usadas de maneira pontual, ainda sem uma sistematização por parte dos estabelecimentos.

“Existe a iniciativa do professor em incluir isso na sua aula, mas não de forma sistematizada. A escola não acompanha muito a questão do audiovisual, por exemplo. Não defendo que precisa ser incluída uma nova disciplina específica para inserir esses elementos tecnológicos, mas a escola precisa pensar como isso pode ser trabalhado e definir bem isso no seu projeto político-pedagógico”, afirmou Tavares.

Evolução

Isis Tavares lembra ainda que a tecnologia não pode substituir o professor, mas deve ser agregada aos recursos a favor do mestre para potencializar o interesse pela leitura, auxiliar no raciocínio e evitar o analfabetismo funcional. “Não é apenas filmar ou acessar a internet usando esses aparelhos, mas saber o porquê disso e ter um objetivo final é muito importante, a tecnologia não pode estar ali por acaso”, observa.

Para a professora Edivânia Hosana, recursos como smart boards, computadores, internet, redes sociais, blogs, chats, tecnologia mobile, notebooks, tablets, games, plataformas pedagógicas que oferecem atividades já começaram um comportamento de substituição dos tradicionais materiais escolares, tais como cadernos, borrachas, rascunhos e fichários.

Seleção

“A supervalorização da tecnologia em detrimento ao conteúdo é o que não pode acontecer, pois as crianças e adolescentes, muitas vezes, se voltam ao acesso digital, nos hiperlinks, nas fugas à internet, games e esquecem do conteúdo que está em pauta. O leitor de hoje precisa selecionar o que realmente é importante no momento dos clicks. O professor precisa deixar claro o objetivo da atividade, senão, o uso pelo uso da tecnologia torna-se vazio. Muitas vezes o professor não tem clareza e domínio da metodologia adequada que utiliza as tecnologias”, ressaltou Hosana.

Tavares concorda que esses recursos estão presentes, mas o que ainda falta é o planejamento. “Ele (o professor) sabe usar o celular, acessar as redes para pesquisar e comunicar socialmente. Mas utilizar aquilo para o aluno assimilar o conteúdo demanda pesquisa e planejamento. Até os professores mais antigos estão conectados, com cursos de informática. A questão é convencer o corpo técnico-pedagógico que aquilo dá certo”, concluiu a professora.

Processo educacional vai além da escola

A educação nunca foi e jamais será um papel unicamente da escola. Os pais têm papel fundamental também na formação social de seus filhos e precisam estar atentos a essas ferramentas, mesmo que elas pareçam desconhecidas.

Edivânia Hosana explica que a utilização das tecnologias educacionais na escola é bem aceita pelos pais, mas o problema é quando se torna necessário que o aluno as utilize extraclasse, e, por conseguinte,  recai sobre eles uma responsabilidade em dominar o que lhes é quase desconhecido.

“O avanço tecnológico é tão rápido ao ponto desses migrantes digitais não disporem de tempo para acompanhar tanta mudança e se tornarem usuários virtuais e nativos digitais como são os filhos. Há de se ter cautela, pais, porque a falta de acompanhamento deixa o filho indisciplinado, tornando-o dependente e doente psiquicamente, viciado em jogos, redes sociais e internet não conseguindo se relacionar com a família, colegas de sala de aula e amigos”, alertou Hosana. 

Para Tavares, um erro comum dos pais é comparar o modo de educação antigo com o que seus filhos recebem atualmente. Ela afirma que é uma conjuntura completamente diferente. “Precisamos entender como se chega e dialoga esse aluno. O aluno não pode ser uma estatística. Não será mais como antigamente e você precisa entender o seu filho e entender qual o contexto que ele está vivendo”, completou.

Conforme Hosana, muito ainda se tem a descobrir, e os educadores, acima de tudo, precisam ser bons facilitadores do processo de aprendizagem, em uma realidade cada vez mais complexa.

Para ela, o futuro a caminho é de pessoas mais autônomas, mais predispostas a trabalhar em grupos e o modelo de educação aponta para a utilização da modalidade semi-presencial, como metodologia capaz de atender às culturas da convergência.