Ordenamento do Centro de Manaus preocupa população

Calçadas tomadas pelos camelôs, falta de estacionamento para os carros e trânsito tumultuado são alguns dos problemas da região central da cidade que estão na pauta dos candidatos a prefeito.

Manaus – Nos últimos quatro anos a Prefeitura tentou implantar diversas ações no Centro de Manaus para resolver problemas relacionados ao transporte público, mobilidade urbana, camelôs e desobstrução de calçadas. Algumas não surtiram efeito e outras não saíram do papel porque desrespeitam a legislação que protege a área como Patrimônio Histórico Nacional.

No Centro, falta espaço para a circulação de pedestres e veículos e as calçadas estão ocupadas por camelôs. A prefeitura tentou construir o ‘camelódromo’ nos armazéns 20 e 21 do Porto de Manaus em 2010, mas a obra foi suspensa pela Justiça Federal porque a era incompatível com a finalidade do porto e o local é tombado pelo Patrimônio Histórico.

O Porto de Manaus foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional  (Iphan) em 14 de outubro de 1987 e faz parte do Sítio Histórico de Manaus. A decisão da Justiça fez com que o prefeito Amazonino Mendes (PDT) afirmasse que questões políticas impediram a construção do camelódromo.

Em junho deste ano a prefeitura tentou fazer a transferência de 1,2 mil vendedores ambulantes para a Praça Tenreiro Aranha, mas o projeto também foi barrado por conta das leis que protegem o patrimônio histórico.

A última tentativa da prefeitura foi construir o camelódromo no Terminal Central, após as intervenções decorrentes da cheia recorde do Rio Negro, mas recuou da decisão. A reportagem tentou ouvir o presidente do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), Manuel Ribeiro, mas não obteve sucesso.

A cheia histórica foi o pano de fundo para uma série de mudanças no sentido das ruas do Centro, principalmente na Avenida Sete de Setembro, causando transtornos. O Terminal Central chegou a ficar fechado por quase um mês, mas foi reaberto pela prefeitura por falta de um laudo que confirmasse risco de desabamento por conta de problemas nas galerias subterrâneas.

Outro problema grave no Centro é a falta de estacionamento, que prejudica o trânsito e deixa os motoristas à mercê dos ‘flanelinhas’. A prefeitura aprovou na Câmara Municipal a criação do sistema ‘Zona Azul’, que prevê a cobrança pelo estacionamento em ruas do Centro e do Vieiralves, mas ainda não implantou as novas regras.

Além das mudanças emergenciais, ao longo desses quatros anos, a prefeitura implantou mudanças no trânsito e depois voltou atrás entre elas, a exclusividade da Avenida Epaminondas para ônibus e a mudança no sentido da Avenida Sete de Setembro para bairro/Centro. Em 2009, Amazonino assinou um decreto restringindo operações de carga e descarga na área central e nos corredores centrais urbanos de Manaus entre 6h e 22h, o que nunca foi fiscalizado.