Projeto de revitalização da Manaus Moderna passa por revisão na Seminf

Enquanto isso, a bagunça da orla naquela área continua causando transtornos a quem vai ao Centro.

Manaus – Longe de ser um belo cartão-postal, a orla da Manaus Moderna é mais conhecida entre os manauaras pelos transtornos diários causados pelo trânsito caótico, agravado pela falta de educação de motoristas e pedestres.

Anunciada em agosto de 2013, com previsão de conclusão em dezembro, as obras de revitalização da área ainda não saíram do papel. O projeto está em fase de adaptações, segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), e deve ter o orçamento finalizado ainda este mês.

Quem vai ao recém-inaugurado Mercado Municipal Adolfo Lisboa de carro, demora para chegar e não encontra estacionamento. Estacionar é quase impossível, principalmente pela manhã. Para muitos, é melhor ir de ônibus. Flanelinhas e carregadores de bagagens agem livremente, sem ordem. As rampas de acesso às embarcações também estão em situações precárias. Não há corrimão e viajantes e estivadores se arriscam entre os buracos.       

Os problemas no trânsito, estacionamento e paradas irregulares de caminhões de carga começam na Rua dos Barés, chega à Feira da Manaus Moderna e permanece na via da orla. Filas duplas são comuns. Para quem trabalha com o desembarque de cargas é um sacrifício. “Aqui a gente só tem vez porque já conhecemos uns aos outros e nos acertamos entre nós para um dar a vez ao outro. Mas é muito complicado”, relatou o motorista Jander Lúcio Nunes, 39, que todos os dias faz um ‘teste de paciência’ para chegar à entrada principal da feira.

A paraense Mariene Moraes, 42, que utiliza o porto para ir a Belém pelo menos uma vez ao ano, se diz incomodada com a desorganização. “A vista que a gente tem do rio, dos barcos é bonita. Mas é só isso. Essa área não é atrativa, infelizmente”, lamentou.

As escadas mal conservadas e com risco de acidentes também chamam a atenção da autônoma. “Como a gente pode querer fazer algo aqui nesse entorno, se tudo é difícil. Até para estacionar a gente sofre”, reclamou.

Já o analista de tecnologia de informática Sávio Leite, 29, disse que a ausência de serviços mínimos o desanima. “Gosto de vir comprar o peixe do fim de semana, mas ultimamente, como a movimentação estava maior, não tenho vindo para evitar estresse. Nada presta nesse entorno”, disse. Para ele, o trânsito continua sendo o principal problema.

O projeto apresentado pelo presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Roberto Moita, em agosto do ano passado, previa a revitalização da área com o objetivo de valorizar a vista para o Rio Negro, proporcionar melhores condições de trabalho e melhor atendimento aos freguentadores e turistas, além de disciplinar o trânsito conturbado na área. A previsão era de que a obra tivesse início em setembro e fosse concluída em dezembro.

No entanto, segundo a Seminf, o projeto ainda está em fase de adaptações com orçamento inicial de R$ 1 milhão que pode sofrer alterações até o custo final. Os valores devem ser entregues ainda este mês, conforme ressaltou a assessoria do órgão.