Relatório da CNV cita militares do AM como violadores de direitos humanos

Documento aponta, ainda, que construção da BR-174 por militares resultou em mortes de indígenas

Manaus – Relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), responsável por investigar os crimes ocorridos durante o regime militar, cita o general da brigada do Amazonas Thaumaturgo Soreto Vaz como autor de violação dos direitos humanos. 

O general de brigada Gentil Nogueira Paes e  o coronel de Exército João Tarcísio Cartaxo Arruda também aparecem no relatório como responsáveis pela construção da rodovia federal BR-174 que resultou no desaparecimento de índios da etnia Waimiri Atroari, entre 1972 e 1975.

O general Soreto Vaz é citado como instrutor e comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) de Manaus, da década de 1960 à década de 1980. Em 1972, participou ativamente da repressão à Guerrilha do Araguaia, no sudeste do Pará e no norte de Goiás, onde comandou um pequeno destacamento cujas ordens explícitas eram para redução de um grupo de guerrilheiros. “A ação desse destacamento está diretamente relacionada à execução do guerrilheiro Bergson Gurjão Farias”, cita o relatório da Comissão. 

Sobre o general de brigada Gentil Nogueira Paes, a CNV cita que ele comandou o 2º grupamento de engenharia e a construção do Exército no ano de 1974, à época da abertura da BR-174.  “Em ofício, o general de brigada Gentil Nogueira Paes afirmou que ‘esse comando, caso haja visitas dos índios, realiza pequenas demonstrações de força, mostrando aos mesmos os efeitos de uma rajada de metralhadora, de granadas defensivas e da destruição pelo uso de dinamite’”.

Em relação ao coronel de Exército João Tarcísio Cartaxo Arruda , o documento narra que o militar comandou o 6º Batalhão de Engenharia e Construção, em 1975, que participou da construção da rodovia BR-174. “A realização dessa obra resultou, no período de 1972 a 1975, na morte e no desaparecimento de número expressivo de indígenas da etnia Waimiri Atroari”.

Na parte 5 do relatório que fala sobre recomendações, a CNV defende a criação de um  estabelecimento de órgão permanente com atribuição de dar seguimento às ações e recomendações da CNV que inclui apoiar as medidas de reparação coletiva pelas graves violações sofridas pelos povos indígenas no período investigado pela CNV. O relatório da CNV recomenda, ainda, a retificação da certidão de óbito do militante político amazonense Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto, para que conste no documento que o sociólogo desapareceu por ação de agentes do Estado brasileiro. 

Meirelles Netto desapareceu, em maio de 1970, no Rio de Janeiro.

Anúncio