Sob protesto, julgamento do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, é adiado em Manaus

O juiz Ricardo Salles pediu vistas ao recurso do Ministério Público contra a expedição do diploma de Adail.

Manaus – Sob o protesto de 12 pessoas, o julgamento do  prefeito do município de Coari ( município a 370 quilômetros de Manaus), Adail Pinheiro, foi adiado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Manaus. Na tarde desta quarta-feira (3), TRE-AM julgaria o recurso contra expedição de diploma movido pelo Ministério Público Estadual e Coligação de Coari. O processo foi adiado devido ao pedido de vistas de um dos juízes que acompanham o caso.

O presidente do tribunal, desembargador Flávio Pascarelli, recebeu os manifestantes na frente do TRE-AM para explicar o processo, que já tem dois votos favoráveis ao prefeito de Coari. “O juiz federal Ricardo Salles pediu vistas do processo e ainda não temos prazo para reposição. O processo contra expedição de diploma foi interposto depois do prazo necessário, que é 3 dias após a eleição. Visto isso, os juízes estão favoráveis ao lado do réu. Eu apoio o protesto, solicito apenas que não se ofenda os juízes”, disse o desembargador.

Os manifestantes levaram faixas que pediam socorro a Coari e que mostravam os processos de Adail Pinheiro em várias instâncias da justiça. Funcionária pública há 15 anos da prefeitura de Coari, Alciene de Lima Brito, 42 anos, reclamou da administração do atual prefeito. “Há cinco anos, eu busco a minha licença especial como funcionária e não recebo. Com ele ficou ainda pior. Pela lei da ficha limpa, este homem não deveria estar eleito”, declarou.

 

O administrador Alexandre Reis, 37 anos, afirmou que mais pessoas estavam planejadas para protestar nesta quarta, porém, a chuva e a distância de Coari atrapalharam os manifestantes. “Somos todos filhos de Coari. Os que estão aqui, se não vindos do município, nasceram em Coari e tem residência em Manaus. Não vamos parar enquanto ele não for julgado devidamente, porque é injusto que um homem desse escape de tanto processo”, disse.

Segurança no trânsito

Aproveitando a mobilização dos moradores de Coari, a família de Raquel Carvalho, de 29 anos, chegou à sede do TRE-AM para reivindicar melhoria na segurança de trânsito. A cantora disse que a manifestação tem cunho pessoal, já que o irmão, Israel, 30, foi vítima de um acidente de carro em 2011. De acordo com a mãe de Raquel, Lucilene Carvalho, o delegado responsável pelo caso disse que viu a morte do rapaz como “apenas um caso”. “Meu filho morreu, não fizeram perícia, nem nada. Peço justiça até hoje e nunca fizeram nada”.

A cantora levou o filho de dez anos, Jonatas, para a manifestação. Raquel disse que o senso de justiça deve ser plantado desde a infância. “Sempre educamos as crianças para se tornarem um cidadão melhor, a reivindicar o que é seu por direito”.

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