Tráfico de drogas aumenta nas cidades da Região Metropolitana de Manaus

Só em Manacapuru 11 pessoas já foram presas e 14 mandados de prisão expedidos em seis meses.

Manaus – A facilidade de acesso aos municípios de Iranduba (a 27 quilômetros a sudoeste de Manaus) e Manacapuru (a 68 quilômetros a oeste da capital) por meio da Ponte Rio Negro, inaugurada no dia 24 de outubro de 2011, trouxe novas oportunidades para a população da Região Metropolitana de Manaus (RMM), mas também se tornou um viés para crimes consequentes do tráfico de drogas.

Delegacias das duas cidades interioranas constataram que o número de crimes como homicídios, roubos e furtos segue estável. Entretanto, o tráfico gera uma frequência de apreensões mais alarmante, levando em conta que boa parte das infrações registradas ocorre a partir do envolvimento com o comércio de entorpecentes nos municípios.

O chefe da 1ª Delegacia Especializada de Manacapuru, delegado Antônio Rodrigues, reconhece que a inauguração da ponte facilitou a logística dos traficantes. Crimes relacionados ao tráfico de drogas são cada vez mais frequentes na cidade, com direito a guerra entre facções rivais.

“Não resta dúvida de que, após a inauguração da ponte, o tráfico se acentuou, mas estamos trabalhando há seis meses em cima disso. Já prendemos 11 pessoas de um total de 14 mandados de busca e apreensão”, revelou Rodrigues.

Na última sexta-feira (24), policiais saíram em comboio de Manaus até Manacapuru, onde iniciaram a operação Tarrafa, que tem como objetivo de desarticular uma quadrilha de traficantes, que resultou na prisão, entre outros, de um policial militar.

Quanto às demais infrações cometidas em Manacapuru, o delegado confirma que, na maioria dos casos, os crimes estão ligados ao tráfico. “Há muitos roubos de celulares. Geralmente são essas pessoas viciadas em drogas que roubam o aparelho para vender e comprar o entorpecente. Nas últimas apreensões, foram encontrados muitos celulares”, informou.

O secretário de Segurança Pública do Amazonas, coronel Paulo Roberto Vital, nega que o tráfico tenha aumentado na cidade de Manacapuru e defende que o crime apenas ficou mais visível com após a inauguração da ponte. “Manacapuru sempre foi considerada importante para os traficantes na questão logística, pois eles desembarcam na cidade e distribuem as drogas nas cidades vizinhas”, explicou.

De acordo com o coronel Vital, nos últimos 20 dias foram apreendidos aproximadamente 260 quilos de pasta base e maconha prensada na região de Manacapuru. As apreensões, segundo ele, são frutos das operações policiais mais rígidas no município.

Quanto aos homicídios além da Ponte Rio Negro, o secretário garante que os registros não estão fora de controle. “Estamos atentos por causa da migração de crimes de menor potencial, com relação ao roubo, que criminosos praticam aqui em Manaus e depois vão para lá. Está acontecendo, mas não é fora de controle”, disse.

Fator de maior preocupação dos agentes de segurança em Manacapuru é o provável aumento do número de assaltos, a partir das apreensões das drogas. “A partir do momento em que fazemos uma apreensão, nós descapitalizamos o consórcio do tráfico, e eles partem para o roubo”, explicou.

Iranduba

Em Iranduba, o número de homicídios chegou a sete neste ano só até o mês de maio, superando o total de assassinatos em 2011 na cidade, que foi cinco. Segundo o delegado do 27º Departamento de Polícia, Elcy Barroso, os crimes mais frequentes na cidade estão relacionados ao tráfico e estupros.

“Nos dias de sábado e domingo vem muita gente aos balneários e têm alguns criminosos que agem em Manaus e vivem em Iranduba, assim como alguns que cometem outros crimes em Manaus e depois vêm para Iranduba”, explicou Elcy, sobre uma das justificativas para os índices de crimes em Iranduba serem reduzidos.

De acordo com o delegado, o município tem 32 presos de justiça. “É muito difícil ocorrer furto ou roubo em Iranduba pelo fato de aqui ter poucos habitantes (aproximadamente 50 mil). Isso facilita na hora de prender, mas estamos em alerta, porque muitas pessoas de Manaus estão comprando terra aqui por causa da cidade universitária”, constatou.