Treze mulheres por dia, em média, buscam apoio contra a violência no AM

Segundo dados do e-Siga, até abril 1.638 atendimentos já tinham sido realizados pelo Centro de Referência de Apoio à Mulher

Manaus – Em média, 13 mulheres vítimas de agressão doméstica buscam, por dia, o Centro de Referência de Apoio à Mulher (Cream), órgão estadual da rede de combate à violência. Segundo dados do Sistema de Informações Governamentais do Amazonas (e-Siga), de janeiro a abril, foram realizados 1.638 atendimentos destinados à manutenção da integridade física e psicológica das mulheres no Estado.

Nos últimos 12 meses, segundo o e-Siga, o índice de mulheres que procurou atendimento psicológico, social e pedagógico no Cream cresceu 176%. Os meses de janeiro e fevereiro, com 445 casos cada, foram os que registraram o maior número de ocorrências, seguidos de abril (395) e março (353). Voltado ao atendimento de mães e filhos, o serviço já atendeu 29 crianças e adolescentes até 16 anos de idade, neste ano.

Com 1.677 atendimentos totais, 2013 teve o ranking encabeçado por abril (143), seguido de março (96), janeiro (94) e fevereiro (56).

Localizado no bairro Educandos, zona sul, o Cream, além de acompanhamento psicossocial de equipes da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Seas), oferece às vítimas de violência, de segunda a sexta-feira até 20h e sábado até 12h, atendimento jurídico em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil, Ministério Público do Estado (MP-AM) e Defensoria Pública do Estado (DPEAM).

Para a coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM), no Amazonas, Vanja Andréa dos Santos, o aumento do número de vítimas que recorrem à rede para abandonar a situação de violência vivida dentro de casa tem como causa a recém-criação da Secretaria Executiva de Política para as Mulheres do Amazonas (SEPM).

“Esse tipo de atendimento que a secretaria vem realizando na capital e na Região Metropolitana, até então, não existia. Por isso, é muito normal que a demanda esteja mais efetiva”, afirmou.

Apontado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) como o Estado que menos denunciou, em 2013, casos de violência contra as mulheres ao Disque 180, o Amazonas, de acordo com Santos, apresenta uma demanda invertida. “Se em âmbito nacional nós estamos na lanterninha, em contrapartida o serviço está sendo mais procurado no Estado”.

Segundo as estatísticas da SPM-PR, divulgadas neste mês, o Amazonas registrou apenas 2.463 denúncias ao 180 em 2013, mantendo pelo segundo ano consecutivo o 27º e último lugar em queixas.

Registros

Nos dois primeiros meses deste ano, mais de 2 mil casos de violência contra mulheres já foram registrados em Manaus, segundo estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). O número, 43% maior em comparação com o mesmo período do ano passado, quando 1.392 queixas do tipo foram feitas, equivale, em média, a 33 ocorrências por dia.

De acordo com a delegada Ketllen Calmont, a Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) chega a registrar, por dia, uma média de 35 Boletins de Ocorrência (BOs) por violência doméstica e familiar.

“Com a aprovação da Lei Maria da Penha (11.340/06), as mulheres ficaram mais confiantes em denunciar seus agressores. Quando a medida protetiva acontece, as vítimas perdem o medo de denunciar as agressões sofridas por elas”, informou.

Crimes de injúria, difamação, ameaça e agressão moral estão entre os que mais geram inquéritos policiais, na delegacia, segundo Calmont, que há dois anos está à frente da especializada.

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