‘A Febre’ vence o 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Rodado em Manaus, o longa-metragem da diretora Maya Da-Rin recebeu cinco estatuetas: melhor filme, direção, ator, fotografia e som

Manaus – O longa-metragem ‘A Febre’ (RJ), rodado em Manaus e dirigido por Maya Da-Rin, foi o grande vencedor do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Neste sábado (30) aconteceu a entrega do Troféu Candango, e o filme recebeu cinco prêmios: melhor longa-metragem (júri técnico), direção, ator (Régis Myrupu), fotografia (Bárbara Alvarez) e som (Felippe Schultz Mussel, Breno Furtado e Emmanuel Croset).

A produção carioca ‘A Febre’ é falada em tukano (diálogo legendados) e português (Foto: Divulgação)

No elenco do longa, como Vanessa, a atriz amazonense Rosa Peixoto afirma que o filme representa uma realidade que poucos conhecem da vida dos indígenas que moram na cidade. “O filme dá visibilidade, respeito e também uma valorização como artista indígena”, afirma ela, que faz questão de enfatizar sua origem. “Sou da etnia tariano do terceiro clã Dyroá”, diz com orgulho. “Minha aldeia fica em Yauaretê, na Fronteira do Brasil com a Colômbia, acima de São Gabriel da Cachoeira”.

Rosa lembra que foi selecionada para atuar no filme, após três testes. “Primeiro teve a conversa com a Maya, depois o teste e, por último, a vivência. No final de 2017 recebi a ligação de que tinha sido aprovada para o papel da Vanessa”, recorda, completando que o primeiro contato com Maya foi por meio de Fernando Sena, produtor de Manaus.

A atriz adianta que não está nos seus planos voltar para Manaus agora. “Hoje moro em São Paulo, e pretendo fazer um curso de interpretação. Esse sempre foi meu foco”, comenta.

A atriz Rosa Peixoto revela que não voltará para Manaus neste momento, pois pretende fazer um curso de interpretação em São Paulo, onde mora (Foto: Divulgação)

No bate-bapo com a imprensa, após a exibição do longa durante o festival, Maya assegurou que tem planos de fazer exibições em Manaus e também em São Gabriel da Cachoeira. Ela também lembrou que teve auxílio de uma grande equipe da cidade para produzir o trabalho, que está sendo premiado em inúmeros festivais de cinema internacionais.

Sinopse

‘A Febre’ é um filme falado em tukano (diálogo legendados) e português que conta a história de Justino (o amazonense Régis Myrupu), um indígena ‘civilizado’, originário do povo Dessana, que trabalha como vigilante no porto de cargas de Manaus. Desde a morte da esposa, sua companhia é a filha Vanessa, que se prepara para estudar Medicina em Brasília (algo que ficou meio sem razão, pois Manaus possui duas grandes faculdades públicas de Medicina).

Do nada, Justino começa a apresentar uma febre estranha e uma criatura misteriosa passa a seguir seus passos. A rotina do porto se transforma com a chegada de um novo vigia, vindo da cidade de Manicoré, onde era capataz (sic!) de uma fazenda. O irmão Justino também chega para visitar para relembrá-lo da vida na aldeia, de onde partiu há 20 anos.

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