Aldísio Filgueiras lança livro na Academia Amazonense de Letras neste sábado

A obra, nas suas 239 páginas, traz poemas sobre a cidade de Manaus

Manaus – O poeta, jornalista e membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), Aldísio Filgueiras, lança neste sábado (14), em Manaus sua obra Manaus : Como se diz, como se vê. O evento acontece às 10h, na sede da AAL, na rua Ramos Ferreira, 1009, Centro de Manaus.

(Foto: Divulgação)

A obra, nas suas 239 páginas, traz poemas sobre a cidade de Manaus e, segundo Vinicius Alves do Amaral, doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF): Aldisio Filgueiras abriu um caminho em meio ao cipoal de dúvidas e armadilhas, forjando uma expressão inquietante. Uma expressão que é ela mesma prenhe de questões, sonhos e duras verdades. Um caleidoscópio que é pura vertigem, como a sua musa: Manaus.

Ainda segundo o historiador, ‘Manaus: como se diz, como se vê’ aborda muitos temas, mas seu maior mérito está na relação que o autor estabelece entre dois tópicos: a barbárie e o desejo.

“Sim, a barbárie, nossa velha conhecida. Mas ao mesmo tempo há algo de diferente: ela perdeu seu rosto. Não se reconhece mais sua silhueta: é o colonizador ou o importador? Tampouco se sabe seu endereço: será o distrito industrial?”, escreveu.

Em meio ao “campo de estranheza”, o poeta funda uma zona franca (ops!), onde a memória e a imaginação não precisam ser importadas. Nesse sentido, Filgueiras semeia enclaves não só possíveis como necessários.

Para a coordenadora editorial, professora doutora em Filosofia e autora do livro ‘Para aquém e para além de nós’, Neiza Teixeira, Aldisio, sempre incomodado com os acontecimentos, como bom jornalista que é, traz em seus poemas denúncias sobre a capital amazonense que foi negligenciada com fumaça de queimadas e falta de oxigênio, por exemplo.

“O poeta Aldisio Filgueiras tem como a matéria bruta para a sua poesia a cidade de Manaus. A ela o poeta poeteia de forma dura, mas encantada, buscando na sua história os caminhos que lhes foram vetados. Aldisio remove o que foi soterrado pelo tapume da incompreensão e do desconhecimento”, ressaltou Neiza.

Confira alguns poemas.

Querem votos os políticos?
Que se danem! Estão mortos!
Tudo o que fazem é visagem.
Bois, bois, bois de cara preta, quanto querem de gorjeta?
Não guarde nenhum segredo,
Elson, diga às borboletas;
se a lua mingua na chuva,
escancare a janela
e avise aos navegantes,

sem medo de morder a língua
ou quebrar o metro do verso:
“Sim, tenho medo, logo, existo”

“Viúva do português
da esquina, filha do sol
e da chuva, mãe vivente
da humanimaldade
de cinco continentes,

aqui Jaz, sem um ai,
o último seringal
da Amazônia: Manaus.
Jaz de corpo presente,
mas desta vez ao vivo”

Sobre Aldísio Filgueiras

Aldisio Filgueiras é compositor, poeta e jornalista, nasceu em Manaus, em 1947. Iniciou sua produção poética ainda no curso secundário, feito no Colégio Estadual D. Pedro II, com a participação no Grêmio Literário Mário de Andrade.

Sua estreia literária aconteceu em 1968, com o livro de poemas Estado de sítio, que teve circulação proibida pela censura. Porto de lenha, um dos maiores sucesso da música regional, foi composta por Aldísio em parceria com o compositor Torrinho.

Membro da Academia Amazonense de Letras, ocupa a cadeira de número 7, do patrono Maranhão Sobrinho.

Os livros publicados pela Valer são: Estado de sítio, Nova subúrbios, Dança dos fantasmas, Sábados detonados, Ararinha azul, Cidades do puro nada e Manaus: como se diz como se vê.

Tenório Telles, professor e poeta, escreveu: “Aldisio construiu uma história literária fundada na coerência, no rigor literário e espírito crítico. Sua obra é como um espelho estilhaçado em que se reflete o mundo em seu permanente devir”.

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