Tiffany Bradshaw se apresenta pela primeira vez em Manaus

A drag queen paulistana Tiffany Bradshaw será a grande atração da festa, marcada para este sábado, dia 22, no Estação Arte & Fato (Centro)

Manaus – Segundo o zodíaco, uma das características dos taurinos é a determinação. E é justamente ela que é tão latente no paulistano Rafael Baptistella, criador da drag queen Tiffany Bradshaw, que desembarca em Manaus, pela primeira vez, neste sábado, dia 22, às 22h, no Estação Arte & Fato (Rua 10 de Julho, 443, Centro), como atração principal da festa ‘Valei-me’.

Em entrevista ao PLUS, Baptistella conta como foi o surgimento de sua drag, os desafios que enfrentou na construção da personagem, se sofre problemas para namorar por conta da profissão e o que está preparando para a apresentação na capital do Estado.

A drag queen fará performance da cantora internacional Britney Spears (Foto: Divulgação)

Como e quando surgiu a Tiffany?

A Tiffany surgiu, mais ou menos, em 2011, maio de 2011. Sempre gostei do que via sobre drags na TV e em filmes. E isso aumentou quando comecei a sair para boate e conhecer mais sobre o que era ser drag, no Brasil. Aí, comecei a assistir ‘RuPaul’s Drag Race’, que estava na segunda temporada, e gostei muito, fiquei vidrado naquele mundo. Do nada pensei: “Quero fazer isso”. Comprei uma peruca e maquiagem. Naquela época, não tinham tantos tutoriais e a maioria era em inglês, era tudo mais complicado.

Qual foi a maior dificuldade na hora de construir a drag?

A maior dificuldade foi a maquiagem. Uma peruca era só colocar, uma roupa só vestir, mas maquiagem não era apenas comprar. Tinha que construir o rosto. Era preciso disfarçar os traços masculinos e procurar os traços femininos. Não sabia trabalhar com maquiagem, não sabia bem quais eram os produtos. Essa foi a maior dificuldade.

Ser drag gera algum tipo de ‘problema’ em relacionamentos?

Ser drag já foi pior para relacionamentos. Hoje, é algo que está mais popularizado e muitas pessoas entendem, os gays entendem. Nunca tive problemas, mas ainda existe um pouco de preconceito. Já aconteceu de caras que fiquei e, hoje, não ficariam mais comigo porque me monto. Acho que o maior problema de ser drag é que trabalho nos finais de semana, quando todo mundo está de folga.

Como você vê o crescimento da cultura drag, no Brasil?

Acho maravilhoso! Quanto mais ela cresce, melhor para todas as drags. Antigamente, a ideia era se montar, ir para a boate fazer show, se desmontar e voltar para casa. Hoje, com as redes sociais, mudou tudo. Isso é apenas a metade de algo que uma drag pode fazer. Ela não se limita mais a ir para um espaço e voltar para casa. A drag está mais mainstream (tendência, no bom português), não está preso em boates ou somente ao universo LGBT.

O Rafael Baptistella leva uma profissão paralela?

Trabalho apenas como Tiffany. Faço trabalhos paralelos com maquiagem, aluguel de figurinos, perucas… Ser drag exige tempo, paciência, ensaio, correr atrás de figurino durante a semana. É muita correria.

Como está a expectativa para Manaus e o que você vai apresentar no show?

Muito ansioso por estar, pela primeira vez, em Manaus. Sempre recebi mensagens daí. Sei que é um lugar maravilhoso, mágico e símbolo do Brasil. Quero conhecer todo mundo, a cidade. E, sobre o show, vai rolar muita Britney (Spears), bate-cabelo e set. Não posso adiantar muitos detalhes.

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