Artistas do Amazonas participam de mostra que celebra Semana de Arte Moderna de 1922

Os artistas do Amazonas Keila Sankofa e Denilson Baniwa estão na mostra do Itaú Cultural, em São Paulo

Manaus – A mostra ‘Um Século de Agora’, que encerra o calendário de grandes exposições neste ano no Itaú Cultural apresenta obras de dois artistas do Amazonas, Keila Sankofa e Denilson Baniwa. A mostra reflete sobre os últimos cem anos de produção artística e amplia espaços para identidades esquecidas no projeto artístico da Semana de 1922, reforçando a percepção do presente. As obras exibidas datam, em sua maioria, de 2022 e questionam noções de tempo, história, tradição e nação, no atual contexto brasileiro.

(Foto: Divulgação / Denilson Baniwa)

A exposição ocupa três andares do espaço expositivo com cerca de 70 obras, assinadas por 25 artistas, de 11 Estados, revelando um panorama da arte contemporânea brasileira.

Três curadoras assinam a exposição que ficará em cartaz até 2 de abril de 2023, na sede do Itacú Cultural, na Avenida Paulista, 149- Centro de SP.

A sergipana Júlia Rebouças, a baiana Luciara Ribeiro e a matogrossense Naine Terena de Jesus foram chamadas pela instituição para curar esta mostra, que se insere nas discussões de 2022 sobre a Semana de Arte Moderna. Para puxar este legado em uma releitura que desemboca na prática artística na atualidade no país, elas pesquisaram o que está sendo produzido em algumas regiões do território nacional, a partir de uma multiplicidade de idades, geografias e vivências sociais e políticas.

Como parte da estratégia de investigação, convidaram um grupo de interlocutores para discutir os conceitos da mostra e compartilhar referências artísticas: Fernando Velázquez, Juma Pariri, Larissa Lacerda, Nuttyelly Cena, Orlando Maneschy, Ué Prazeres e Uelinton Santana Santos.

Idealizada e realizada pelo Núcleo de Artes Visuais do Itaú Cultural, com expografia da arquiteta Isa Gebara, Um século de agora procura abrir terreno para ideias que atravessam a experiência de viver o ano de 22 do Século 21. Nos três andares do espaço expositivo da instituição, a mostra apresenta mais de 70 obras em variados suportes, assinadas por 25 artistas e coletivos de 11 estados brasileiros, cuja produção artística converge na construção de “agoras” e compõe o mosaico da cultura brasileira.

Ativista

Entre os trabalhos estão a do artista, curador e ativista indígena Denilson Baniwa mostra ‘Pietá Piatã’ (2021), em um paralelo entre a figura mitológica dos macuxi de Roraima – a Piatã – e a Pietá, obra clássica da história da arte ocidental que representa Maria segurando seu filho Jesus, morto em seu colo. A série ‘Ficções coloniais’ (2021), outro trabalho dele, também participa da mostra.

Neste mesmo pavimento, dois coletivos integram a exposição: o grupo Ururay e o Coletivo MT. O primeiro, criado em 2014 para fortalecer ações de preservação e valorização dos patrimônios culturais da região leste de São Paulo, apresenta o trabalho ‘Envolvimento’ (2022). E o Coletivo MT – formado por Ruth Albernaz, artista-bióloga cabocla, que vive na Chapada dos Guimarães (MT); Téo de Miranda, de São Paulo; e Paty Wolff, nascida em Cacoal (RO) – apresenta a obra-manifesto ‘Agora quando!?’ (2022).

Divindades

Já a artista visual e cineasta amazonense Keila Sankofa traz a instalação ‘Óculos de Okoto’ (2022), na qual exalta divindades africanas e recupera a grandeza de símbolos como os búzios. Em Vingança de Cam (2022), obra da paulista artista visual e arte-educadora Juliana dos Santos, o suporte é a fotografia, aquarela e a cor de pétalas da flor azul clitoria ternatea. Aqui, ela enfatiza a luta dos movimentos negros e sociais ao longo do século XX para a manutenção da vida e da identidade de pessoas negras no Brasil. O título da obra faz referência à tela ‘A redenção de Cam ‘(1895), de Modesto Brotos, que trata a tese racista de “branqueamento” social.

Presente na mostra o artista wapichana Gustavo Caboco vive na linha Curitiba-Roraima. Ele traz para a exposição encontros di-fusos (2022), obra composta de vídeo, desenhos, fios, bordados, fotografias e objetos. Feita entre 22 fusos de fiação de fibras naturas, nesta obra o artista propõe ampliar as conexões entre memórias, pessoas, povos, línguas e temporalidades. Ele estabelece conexões reminiscentes dentro do tronco linguístico aruak, do qual fazem parte os povos Terena, Baniwa, Wapichana e Palikur, entre outros.

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