Artistas se reúnem em comemoração aos 19 anos do Teatro Gebes Medeiros

Celebração reuniu artistas de diversos segmentos na noite desta segunda-feira (25)

Manaus –  Na noite desta segunda-feira (25), artistas de diversos segmentos se reuniram para celebrar os 19 anos de fundação de um dos teatros mais importantes da capital amazonense: o Teatro Gebes Medeiros. Fundado em 25 de novembro de 2000, o espaço foi o primeiro de uma série que surgiria em Manaus nos anos seguintes, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Cultura (SEC).

Nicolas Jr, Zezinho Corrêa, Jefferson Mariano, Michel Guerrero e Ana Oliveira foram alguns dos artistas presentes na programação da noite (Foto: Divulgação)

Desde a sua criação, o Teatro Gebes Medeiros é gerenciado por Izolina Bentolila, uma espécie de guardiã do espaço, apaixonada pela arte e pelos artistas. Ele explica como se deu a criação deste espaço, que funciona em um dos salões do Ideal Clube, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro, esquina com a Rua Monsenhor Coutinho.

“Nós chegamos ao Ideal Clube no dia 4 de abril de 2000, para a realização das audições de alguns corpos artísticos da SEC que seriam formados. Nessa época, o Dr. Robério Braga, então secretário de cultura, teve a ideia de transformar o espaço onde funcionava a antiga Boate Moranguinho num teatro. O espaço estava inutilizado, já fazia alguns anos, e então começou a ser totalmente reformado para dar espaço ao Teatro Gebes Medeiros”, relembra Izolina.

Teatro Gebes Medeiros completa dezenove anos (Foto: Wallace Abreu)

Na época, o projeto de criação do teatro foi coordenado por Sergio Cardoso, diretor do Centro de Difusão Cultural da SEC, que contou também com o apoio cenotécnico de Marcos Apolo, atual secretário de cultura do Amazonas, que na época era gerente do Teatro Amazonas.

O Teatro Gebes Medeiros foi o primeiro teatro a ser inaugurado em Manaus na ‘era Robério Braga’.  Após este, vários outros teatros foram inaugurados na capital amazonense, que naquele momento contava somente como o imponente Teatro Amazonas, como espaço para apresentações artísticas e culturais, embora anteriormente já tenhamos tido outros teatros (espaços físicos) em atividade na cidade.

Cantores Sinézio Rolim no palco com o cantor Luso Neto (Foto: Divulgação)

Quem dá nome ao teatro

O espaço recebe o nome de Gebes Medeiros, que nasceu  em Maceió (AL), no dia 13 de setembro de 1915, e mudou-se para Manaus em 1942, a pedido do então interventor do Estado do Amazonas, Dr. Álvaro Botelho Maia, para dirigir o Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP), órgão que estava vinculado ao Teatro Amazonas, que vivia, naquele instante, um de seus piores momentos, transformado em depósito de fardos de borracha.

Gebes Medeiros havia fundado em Recife (PE) o ‘Teatro do Estudante de Pernambuco’, então resolveu criar o ‘Teatro Escola Amazonense de Amadores’, para movimentar a cena artística local, na tentativa de revitalizar o Teatro Amazonas. A primeira montagem do grupo foi o espetáculo ‘Yayá Boneca’. O grupo montou ainda o espetáculo ‘Sinhá Moça Chorou’, mas em 1945 o grupo se desfez com a partida de Gebes para São Paulo. Este só retornaria a Manaus em 1949, quando retomou suas atividades artísticas na cidade em 1950, permanecendo ativo até anos 1990. Gebes Medeiros também foi membro da Academia Amazonense de Letras (AAL).

“No ato da inauguração do teatro, o Gebes Medeiros ainda era vivo e, até sua morte, ele sempre vinha e acompanhava a programação aqui no teatro. Mesmo muito fragilizado, ele vinha e gostava de sentar sempre na primeira fila, para prestigiar os artistas, fossem da dança, música ou teatro”, relembra, saudosa, Izolina.

Izolina Bentolila, gerente do Teatro Gebes Medeiros (Foto: Wallace Abreu)

A guardiã

Nessas quase duas décadas, o teatro já passou por várias reformulações e modernizações. Somente uma coisa não mudou neste tempo todo: o carinho e dedicação de Izolina Bentolila pelo espaço e pelos artistas que por ele passam. “Já se passaram 19 anos e a gente nem sente que o tempo passou. A movimentação de público e artistas acaba fazendo com que a gente nem perceba que já se foram quase duas décadas”, pontua.

“Eu entrei na administração pública como funcionária da Casa Civil, e há quase 23 anos estou lotada na SEC, desde a criação da pasta. Eu, inicialmente, na SEC, exercia um trabalho burocrático, mas quando fui chamada para gerenciar o Teatro Gebes Medeiros, comecei a ter um contato mais próximo com os artistas, e me envolver com o movimento. Hoje não saberia mais viver sem isso tudo, embora eu achasse anteriormente que eu gostava do que eu fazia”, completa Izolina.

Izolina diz que estar a frente de um espaço cultural é um processo de constante aprendizado. Como uma boa gestora, e generosa que só ela, Izolina ainda faz questão de destacar os nomes de outros funcionários importantes do teatro. “Estar aqui é um constante aprendizado, através da troca com artistas novos e consagrados. É muito gratificante.  E é importante destacar também a importância do nosso cenotécnico Alex Bahia, que também há anos se dedica ao Teatro Gebes Medeiros. Essa é nossa casa e aqui trabalhamos com amor e dedicação”, finaliza.

A atriz Ana Cláudia Motta em cena com o ator Gomes de Lima (Foto: Divulgação)

O nome de Izolina Bentolila é unanimidade entre os artistas, quanto ao carinho por sua figura, por tudo que ela representa para as artes no Amazonas, embora não seja artista e nunca tenha subido aos palcos para se apresentar.  A atriz e diretora de teatro Ana Claudia Motta reforça a relevância do papel exercido por Izolina, que faz com que o Teatro Gebes Medeiros permaneça ativo, mesmo diante de muito desafios.

“A Izô para mim é uma grande amante das artes. Ela tem um papel fundamental. É uma pessoa que está dentro de uma secretaria de Cultura, trabalhando há anos, fazendo um trabalho que, muitas vezes, para alguns, ou para o público em geral, é um trabalho invisível, mas é fundamental para nós, artistas, pessoas da arte e da cultura, por que são pessoas como a izolina que fazem que com que teatro se mantenha aberto, que fazem com que o artista tenha um espaço para ensaiar, que fazem com que a gente ainda tenha ânimo de lutar pela melhoria da arte e da cultura neste país”, ressalta Ana Cláudia.

Arnaldo Barreto em apresentação musical na noite desta segunda-feira (Foto: Divulgação)

Para o ator Arnaldo Barreto a figura de Izolina Bentolila é como daquelas matriarcas, que são o seio de suas famílias e que fazem com que tudo funcione perfeitamente em casa, mesmo diante de dificuldades. “A Dona Izolina é como se fosse uma mãe pra mim, e para muitos outros artistas, pelo apoio que ela sempre nos dá, até mesmo quando ela não pode. Ela se dedica a cada artista que passa pelo Teatro Gebes Medeiros, sem fazer distinção se são artistas experientes ou iniciantes. Ela nos acolhe e faz com que nos sintamos em casa neste teatro. Ela merece todo nosso reconhecimento diário e merece muito respeito, por tudo que já fez e pelo que ainda continua fazendo”, diz.

A atriz Rosa Malagueta é outra declarada apaixonada por Izolina (difícil seria encontrar quem não ama essa mulher). “A Izô é minha amiga, minha irmã. Só temos que agradecer sempre por tudo que ela representa pra cultura e para as artes no Amazonas. Ela é uma peça fundamental nesse quebra-cabeça. Estamos comemorando os 19 anos do Gebes Medeiros e ele não seria o que é hoje se não fosse o pulso firme dessa mulher na gerência desse espaço. Ela não mede esforços para que possamos levar ao espectador o melhor resultado possível, assim como todos os outros funcionários que já passaram pelo teatro, como o Alex, que sempre busca nos oferecer a melhor técnica possível. A gente fala da Izolina, mas é de uma forma que contemple todos esses nomes que são braços dela nesse processo”.