Bateria show e o samba no pé do ‘Salto Agulha’

A única bateria show feminina de Manaus é coordenada pelas professoras de dança Ana Luiza Carneiro e Vanessa Costa

Manaus – A paixão pelo samba está no sangue do brasileiro e, no Amazonas, não é diferente! Em Manaus, as manifestações carnavalescas iniciaram na metade do século 19, ao estilo ‘Paris dos Trópicos’. Atualmente, o Carnaval movimenta milhões de brasileiros que participam da tradicional disputa entre os grêmios recreativos, além dos famosos bloquinhos de rua e das bandas de Carnaval.

Mas, fora do período carnavalesco, o batuque e o samba no pé permanecem em vários projetos, como é o caso do ‘Salto Agulha’, iniciativa independente de sambistas manauaras, que visa a união e fortalecimento das mulheres no cenário do samba.

O projeto também oferece aulas de samba no pé para mulheres de todas as idades, passistas, rainhas, musas ou simpatizantes do ritmo (Foto: Divulgação)

Pioneiras, formam a primeira e, até então, única bateria feminina show de Manaus, com ritmistas e intérpretes experientes, oriundas de várias agremiações. O projeto também oferece aulas de samba no pé com as instrutoras Vanessa Costa e Ana Luiza Carneiro, para mulheres de todas as idades, passistas, rainhas, musas ou simpatizantes do ritmo que buscam uma atividade prazerosa a preço acessível. Além das aulas, há também a mentoria para quem deseja ingressar no mundo das escolas de samba com a veterana Erika Leão.

Sonho

Idealizado em 2018, o projeto só foi concretizado no final do ano passado, conta Ana Luiza. “O Salto Agulha é um sonho de várias mulheres, que se uniram para materializar a ideia”, explica. Ainda de acordo com a professora, elas fizeram alguns ensaios em 2018, mas o projeto não foi adiante. “No final de 2019 conseguimos finalmente concretizar o Salto Agulha, que é dividido em bateria feminina e aula de samba no pé”.

Bateria com mulheres

A bateria feminina é composta por cerca de 15 mulheres de várias agremiações, que são amigas e querem mostrar que o sexo feminino também pode comandar, sim, o ziriguidum.

Thaynara Leda, intérprete da bateria Salto Agulha, destaca que, em Manaus, assim como em outros Estados, é muito difícil ter mulheres à frente de uma bateria ou mesmo de escolas de samba. “Para mim, é uma responsabilidade enorme, mas também muito gratificante ter o reconhecimento com o que produzimos. É maravilhoso!”, diz a intérprete. A bateria feminina também realiza apresentações particulares.

Aulas

Para quem não sabe nada e também para quem deseja um dia estar à frente de uma escola de samba, as aulas acontecem todas as segundas, quartas e sextas-feiras. A proposta, segundo Vanessa Costa, é mostrar que as mulheres podem participar do Carnaval de várias formas, tanto sambando quanto tocando instrumentos ou cantando.

“O nosso projeto nasceu da ideia de ter mais contato com mulheres e também trazê-las para o samba, para desmistificar que mulher só pode ser Rainha de Bateria. Temos várias ritmistas que mostram que são boas no que fazem”, garante.

Alunas com futuro

Luana, de 9 anos, Giovana de 10 e Juliane de 11 anos são as alunas mais assíduas. Para as professoras, o contato com as crianças é importante para transmitir um lado saudável da folia. “Podemos passar o que sabemos às crianças, tirando-as, um pouco, da internet e colocando ritmo, amor, emoção e a dança no coração delas”, comenta Vanessa.

Para Giovana, tudo na aula é “legal”. “Gosto da bateria, das professoras e do jeito como a gente aprende a sambar”, diz. “Tudo é muito divertido de aprender”, completa Juliane.

Para informações sobre valores e horários, as redes sociais do Salto Agulha são instagram.com/saltoagulha__ e facebook.com/saltoagulha.

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