Centro de Manaus terá memorial dos povos indígenas

A iniciativa atende a uma antiga reivindicação de indígenas, de diferentes etnias, que acompanham as pesquisas arqueológicas na área de cemitério indígena na Praça Dom Pedro 2º

Manaus – A praça Dom Pedro 2º, localizada no centro histórico da capital amazonense, abrigará o Memorial Necrópole de Manaus, um projeto da Prefeitura de Manaus em homenagem às populações tradicionais, dedicado aos povos ancestrais que estão sepultados na praça. A iniciativa atende a uma antiga reivindicação de indígenas, de diferentes etnias, que acompanham as pesquisas arqueológicas na área.

Um grupo de trabalho montado pela prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Conselho Municipal de Cultura (Concultura) e representantes indígenas, foi criado nesta quarta-feira (24), com a missão de elaborar o projeto de fundação do Memorial no perímetro da praça.

Monumento é dedicado aos povos ancestrais sepultados na praça (Foto: Arquivo/Manauscult)

Na tarde desta quarta, o prefeito David Almeida também esteve na praça Dom Pedro 2º e conheceu o projeto.

“Um memorial em respeito à importância dos povos indígenas e tradicionais que povoaram a cidade e iniciaram nossa trajetória. Toda a população de Manaus precisa visitar esse local para conhecer nossa origem, nossa história e defendê-la”, ressaltou o prefeito.

O diretor-presidente da Manauscult, Alonso Oliveira, fez questão de ressaltar a priorização de projetos que envolvem a memória da cidade, como produtos de alto valor cultural e turístico.

“A população local e mundial precisa ter o conhecimento e consciência do valor cultural e espiritual desse local, onde foi fundada nossa metrópole amazônica”, destacou Alonso.

Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), João Paulo Barreto Tukano se emocionou ao falar sobre o projeto. Barreto é um dos representantes do movimento indígena e da academia que reivindicam o reconhecimento da área como sagrada, uma necrópole histórica, e agora integra o grupo de trabalho.

“Nesse momento, estamos reunidos em cima de um grande cemitério indígena, de nossos antepassados, e precisamos ter o devido respeito aos nossos povos originais”, relatou o indígena.

O grupo de trabalho foi convocado pelo presidente do Concultura, Tenório Telles, e conta com membros do conselho, Manauscult, Centro de Arqueologia de Manaus (CAM) e da associação indígena Yepemahafa dos Povos do Alto Rio Negro.

O Memorial será um marco do verdadeiro início do processo civilizatório de Manaus, com os vestígios desse cemitério indígena, que data de mais de 3 mil anos, e consistirá em uma placa e monumento marcando e informando o local para a visitação pública e realização de cerimônias religiosas das muitas etnias que habitam o Amazonas.

Anúncio