A vez de Maria

A presença frágil do conto dos Irmãos Grimm torna-se uma forte protagonista no filme ‘Maria e João – O Conto das Bruxas’

Manaus – Vou começar pelo que o longa-metragem ‘Maria e João – O Conto das Bruxas’ tem de pior: o ‘monólogo-esperança’ do final. Silêncio e imagens bastariam para encerrar essa excelente versão do conto ‘João e Maria’, dos Irmãos Grimm, lançado este ano e dirigido por Oz Perkins, de ‘A Enviada do Mal’. É um filme de terror que assusta e perturba, estimulado pelo constante tom sombrio e pela – por vezes – ruidosa trilha sonora.

Tem bem pouco do conto original: basicamente os irmãos famintos e a bruxa que devora crianças. Final feliz em família, nem pensar.

Adaptação estrelada por Sophia Lillis é muito bem temperada com o terror que a narrativa original merece (Foto: Divulgação)

Se nos contos de fadas as duas crianças ainda são enganadas e deixadas na floresta pelo pai e a madrasta por causa da falta de comida para todos, nessa adaptação a mãe escurraça mesmo os filhos de casa para que busquem sobreviver no mundo, seja lá como for. Não sem antes tentar transformar Maria na salvação da família por meio de uma solução das mais medievais.

E é a partir daí que começamos a entender a opção em colocar o seu nome na frente do de João no título: Maria é a protagonista por aqui, não é a personagem frágil da narrativa dos Grimm – esse papel agora pertence ao irmão – e descobrirá o seu verdadeiro destino no dia a dia perto da bruxa (que numa incursão à la ‘Malévola’ ainda tem a sua escolha pelo caminho das trevas bem explicadinha).

Maria é interpretada pela atriz Sophia Lillis, João por Samuel Leakey e a bruxa, batizada de Holda, por Alice Krige. Há ainda uma participação de Jessica De Gow como a versão jovem de Holda. A classificação etária do filme é 14 anos.

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