Por que “Batman” não foi traduzido para Homem-Morcego no Brasil?

Há muito tempo é conhecido apenas pelo seu nome em inglês aqui em nossas terras tupiniquins

São Paulo – Você provavelmente já percebeu que diversos super-heróis têm a sua identidade secreta (ou pelo menos o nome pelo qual são conhecidos) estruturada no sistema de “homem/mulher alguma coisa”, ou “alguma coisa man/woman” quando estamos falando de suas versões em inglês. Geralmente essa identidade é traduzida para uma versão em português no Brasil, como é o caso do Homem de Ferro (Iron Man), Homem-Aranha (Spider-Man), Homem-Formiga (Ant-Man), e muitos outros, mesmo em filmes e séries mais recentes desses heróis.

(Foto: Reprodução / Twitter The Batman)

Além disso, geralmente conseguimos usar essas denominações de forma alternada. Isto é, se falarmos “Iron Man” ou “Homem de Ferro”, todo mundo saberá que estamos falando do herói da Marvel cujo nome real é Tony Stark. Mas esse não parece ser o caso do Batman, que há muito tempo é conhecido apenas pelo seu nome em inglês aqui em nossas terras tupiniquins. Até mesmo o seu parceiro de Liga da Justiça, que é tão famoso quanto ele, também é conhecido no Brasil por “Super-Homem” como alternativa a “Superman”.

Ao contrário de todos os exemplos citados, quando nos referimos ao Batman como “Homem Morcego”, parece até que estamos zombando do personagem e das escolhas estéticas de seu traje e sua persona, e não somente traduzindo o seu nome original. Mas, por incrível que pareça, não estaríamos errados, pois o personagem já ganhou tanto o nome de “Homem Morcego” quanto de “Morcego Negro” nas suas primeiras versões traduzidas para o Brasil.

O problema é que os tradutores dessas primeiras versões não pararam por aí, e tomaram a liberdade de traduzir “Bruce Wayne para “Bruno Miller”, provavelmente porque pensaram que o nome faria mais sentido para os brasileiros. Infelizmente, a tradução para a cidade de “Gotham dessa época é mais difícil de ser justificada, pois foi inexplicavelmente traduzida para “Riacho Doce” (pois é, avisamos que essa era difícil de justificar).

É claro que estranharmos ou não uma tradução é só uma questão do quão acostumados estamos com elas. Por exemplo, no Brasil o programa “El chavo del ocho” foi traduzido como “Chaves”, assim como o personagem que dá nome à série. Na versão brasileira, os outros personagens parecem se referir ao protagonista pelo nome, enquanto que na versão original a palavra “chavo” significa apenas “menino”, e o nome próprio do personagem nunca é revelado.

Antes de mais nada, existe uma explicação histórica para o fenômeno. Afinal, é necessário lembrar que os quadrinhos do Batman são muito antigos, com sua primeira edição tendo sido publicada no final dos anos 30. Depois de tantas décadas, é normal que adaptações e até mudanças no nome do personagem ocorram. Até mesmo no original, o Batman era originalmente chamado de Bat-Man. Parece a mesma coisa, mas não é. O hífen dá a ideia de que é só um nome inventado, uma mera combinação das palavras “morcego” e “homem”, enquanto “Batman” representa melhor o status de nome próprio que a palavra tomou ao longo dos anos.

Além do “status” que o nome do personagem adquiriu com o tempo, também podemos dizer que é uma questão estética. Afinal, “Batman” realmente soa melhor que “Homem Morcego”. Algo similar aconteceu com outros heróis, como o Flash, que apesar de ser 20 anos mais recente que o Cavaleiro das Trevas, também teve seu nome original preservado, já que não teria sido tão bem representado se tivesse tido seu nome traduzido para “Relâmpago” ou algo do tipo.

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