Companhia de teatro oferece oficina de férias em Manaus

A oficina acontece de 6 de dezembro a 6 de fevereiro de 2022 e é oportunidade única para atores e não-atores

Manaus – Teatro em Tempos de Cólera é o tema central da oficina de verão oferecida a partir desta segunda-feira (6) pela Companhia Vitória Régia, oportunidade única para atores e não-atores conhecerem o processo criativo da companhia na montagem de seus trabalhos e ainda a preparação de seu elenco. A oficina acontece de 6 de dezembro a 6 de fevereiro de 2022, sempre às segundas, quartas e sextas-feiras, de 9h às 21h, no Espaço SINTTEL, na Rua Alexandre Amorim, bairro Aparecida, centro de Manaus. As vagas são limitadas.

(Foto: Divulgação)

Nato Tavares, diretor cênico, e Geiberson Teixeira, ator e diretor de elenco da Companhia Vitória Régia, vão se revezar na condução da oficina, com exercícios físicos leves, de respiração, trabalho de voz (dicção e projeção) e encenação. Segundo Tavares, a oficina cobre cada etapa da construção cênica dentro do contexto das produções da Companhia, um dos grupos mais estáveis na cena teatral amazonense, com mais de 30 anos de atuação em Manaus e também em São Paulo.

O foco da oficina, explícito no tema central proposto, tem relação direta com o método revolucionário criado pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal (1931-2009), o Teatro do Oprimido. De acordo com Geiberson Teixeira, do método será trabalhado o conceito do teatro como arte marcial. “Essa é basicamente a ferramenta que o artista tem para se defender, dentro de um contexto de opressão e censura. Boal acreditava que o teatro é uma ferramenta de luta contra todo tipo de opressão, ideológica, política, cultural”, diz.

Mestre em kung fu, estilo das artes marciais que pratica há 22 anos, Geiberson diz que usará na oficina técnicas corporais de Kung Fu para preparação do ator, e também técnicas de Tai Chi Chuan, que carregam como princípios básicos, segundo ele, a respiração e a concentração. Essas técnicas serão inseridas nos exercícios que trabalham a atenção e o movimento dentro do espaço cênico.

Membro da Companhia Vitória Régia há 13 anos, Geiberson está no elenco do espetáculo ainda inédito “Carnaval Rabelais”, de Márcio Souza, que teve sua produção interrompida pela pandemia de Covid-19 e deve ser retomado em 2022. Ele participou das últimas oficinas oferecidas pela Companhia, uma no município de São Gabriel da Cachoeira, no alto rio Negro, que deu origem ao trabalho “Rito de Morte”, e outra na comunidade Nossa Senhora do Livramento, zona rural de Manaus, onde foi encenado “Mateus e Catirina”, baseado no folclore do boi-bumbá.

De acordo com Nato Tavares, as produções da Cia. Vitoria Régia procuram refletir sobre temas sociais e ambientais, e essa será a orientação a ser seguida na oficina. “Tendo em vista o momento que vivemos, nunca houve tanta dificuldade para se fazer teatro ou qualquer outra manifestação artística no Brasil, devido à conjuntura do governo federal e sua postura, não só negacionista, mas também de propagação de ódio e contra qualquer tipo de manifestação democrática. Por isso, a oficina carrega esse título, porque o teatro é uma das formas de superação desse modelo de política, que dissemina o ódio e não permite o espaço e a voz do outro”, diz o diretor.

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