Como a ciência explica atitudes de violência doméstica

Neurocientista revela como o sentimento vai muito além e define até o caráter da pessoa

São Paulo – Os noticiários deram uma ampla cobertura ao caso envolvendo Iverson de Souza Araújo, o DJ Ivis. O artista foi preso após sua ex-mulher, Pamela Hollanda, publicar nas redes sociais uma série de vídeos em que é agredida por ele.  Segundo o PhD, neurocientista, neuropsicólogo e biólogo Fabiano de Abreu, a situação revelou que a violência doméstica não faz distinção entre ricos e pobres. “Obviamente que a classe social interfere na educação e pode tornar-se significativa, mas no caso dele eu vejo um narcisismo que vem contaminando a sociedade brasileira”.

Violência doméstica. (Foto: Reprodução / Internet)

Ele explica que o narcisismo é uma consequência da própria ansiedade em si e da mídia social, “desse poder que as pessoas acreditam ter, que por estar em evidência na web pensam que são melhores do que as outras”.

Por outro lado, é importante compreender que tal sentimento é algo inerente à natureza humana, reforça Abreu: “Biologicamente falando, somos seres que usam o instinto a todo instante, pois precisamos sobreviver. Assim como todo organismo vivo, sobrevivemos e reproduzimos para manter a espécie na terra. Esse lado instintivo, quando sobressai distorce a razão, já que nós, humanos, desenvolvemos o córtex pré-frontal mais que os outros animais, temos o lado da razão maior, a maior coerência. Então, em atitudes como essa em que a emoção sobressai a razão, se mostra aí um problema e o narcisismo resulta nisso também. Como patológico, faz com que essas pessoas se coloquem acima das outras, como foi o caso dele. Essa atitude de agir sem pensar nas consequências, colocando em risco a própria filha bebê, mostra a falta de razão e de empatia. Para piorar, pode-se perceber que ele não reconhece a tempo nenhum seu erro”, acrescenta.

De antemão, o neurocientista revela que usar problemas psiquiátricos ou psicológicos para justificar tal desvio de conduta é algo que não deve ser considerado: “Se você tiver uma questão de caráter, é possível resolvê-la com uma reeducação. Se for um transtorno, é algo mais complexo a ser analisado, sendo necessária uma terapia ou o uso de psicofarmacológicos. Mas nada ampara um comportamento desse. Daí você pode ser uma pessoa com desvio de caráter ou com algum problema maior, mas é preciso lembrar que qualquer atitude equivocada terá a punição para tal”.

Do ponto de vista cerebral, Fabiano ressalta que uma disfunção pode estar envolvida quando a emoção sobressai a razão: “Em casos como este, em que a pessoa pensa que pode ter um poder sobre a outra e não se controla, revela então uma falha nas regiões cerebrais que, como disse, deve ser analisada, mas não é motivo para ficar livre de uma punição por algo que você tenha cometido contra outra pessoa. Todo caso de agressão tem sim uma disfunção cerebral envolvida, proveniente de fatores seja genético, traumas de infância, má educação, cultural, ambiental, etc., onde a emoção sobressai à razão; essas pessoas pensam ter poder sobre a outra e não se controlam”, completa.

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