Falido, empresário morou no carro por dois meses e conta como se reergueu

Endividado e separado da mulher, Paulo Rodrigo Santos Pinto, 33, começou a trabalhar como motorista de um aplicativo de transporte e se reestruturou com o dinheiro e o apoio dos clientes

Manaus – Superar dificuldades financeiras é um dos principais objetivos diante da crise econômica que atinge o País. Após passar por dificuldades e sua empresa falir, Paulo Rodrigo Santos Pinto, 33, morou durante dois meses dentro de um carro alugado, no ano de 2017. Ele conta que deu a volta por cima e que atualmente está bem estruturado.

O homem explica que tinha uma empresa de transporte e turismo há quatro anos, mas com a crise adquiriu várias dividas. “Fiz um empréstimo, me endividei e precisei fechar a empresa. As contas começaram a chegar e eu não estava conseguindo pagar, nesse tempo me divorciei da minha ex-mulher e precisei sair de casa. Foi aí que eu comecei a morar no carro”, disse.

Paulo parava em postos de combustíveis para dormir durante a noite (Foto: Sandro Pereira)

Segundo Paulo Pinto, foi o contato com as pessoas de fora que o ajudou, por isso ele decidiu ficar morando no carro e trabalhar como motorista do aplicativo de transporte Uber. “Eu até tinha a casa da minha irmã e da minha mãe para morar, mas foi ali que eu vi que não ia entrar em depressão, conversando com os clientes. Assim eu não ficava pensando muito em mim. Eu escolhi focar mais no problema dos outros do que nos meus”, explicou.

O motorista conta como foi à experiência. Segundo ele a mala com as roupas ficava no porta-malas do carro. “Eu tomava banho na casa da minha irmã, e ficava trabalhando direto, quando eu ficava muito cansado, eu parava em um posto de combustíveis para dormir e quando acordava continuava a trabalhar. Todas as minhas coisas ficavam no carro”, comentou.

Paulo diz que a família não quis aceitar a decisão, mas uma pessoa próxima o ajudou. “Eu perdi tudo de uma hora para outra e foi a minha comadre que me ajudou, me emprestou o cartão dela. Minhas irmãs me criticaram, mas para mim foi melhor que psicólogo, os clientes que me ajudaram, eles não me deixaram pensar só em mim”, disse.

Ele relata as dificuldades e conta como conseguiu se reestruturar. “Eu sentia saudade da minha família, mas precisava desse tempo pra mim. Hoje eu já estou bem, consegui alugar um lugar para morar, tenho um bom relacionamento de amizade com a minha ex-mulher e com o meu filho. As pessoas precisam ter muita fé e correr atrás”, finalizou.

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