Levando a terceira idade na esportiva

Da dança à musculação, atividades físicas levam idosos a manter preparo físico e estimulam bem-estar emocional

Tiago Melo / portal@d24am.com

Maria Valdeída agregou uma extensa lista de atividades a sua rotina. Foto: Reinaldo Okita

Manaus – Reconhecida como um importante promotor de saúde, a atividade física oferece benefícios que são observados independentemente da idade em que a pessoa comece a praticar, ou seja, nunca é tarde demais para levantar do sofá e acabar com o sedentarismo. Conforme os relatos da aposentada Maria Valdeída da Silva Marinho, de 70 anos, e de profissionais como a bacharel em Educação Física Ana Beatrice Torres Carvalho e a geriatra Marília Silva Lobo Fernandes, ‘desculpas’ relacionadas com à idade avançada já não são mais válidas.

De acordo com Marília, diversos estudos têm demonstrado o impacto da atividade física na qualidade de vida das pessoas e, em particular, na dos idosos, reduzindo consideravelmente os índices de mortalidade e o risco de doenças, auxiliando no tratamento de patologias e diminuindo a necessidade ou as doses de medicações em geral.

“A prática regular de exercícios é capaz de prevenir muitas doenças crônicas como a HAS (hipertensão arterial sistêmica), diabete, obesidade, dislipidemia, osteoporose, osteoartrose, sarcopenia; complicações agudas como infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e doenças vasculares periféricas. Diminui, também, as quedas, fraturas e a incapacidade física, além do risco de câncer e doenças neuropsicológicas”, listou a especialista.

Para a geriatra, a prática de atividades físicas também melhora a saúde mental e social do indivíduo, a autoestima, o bem-estar psicológico, a qualidade do sono, a memória, a redução da ansiedade e depressão e a prevenção de demência, como Alzheimer. Contudo, antes de dar o pontapé inicial, o idoso deve fazer uma avaliação médica criteriosa.

“Deve-se identificar a existência de alguma contraindicação ou restrição para sua prática; investigar fatores de risco cardíacos, limitação física, condicionamento físico e averiguar o nível de atividade física atual. É importante, também, levar em conta o prazer do idoso em praticar a atividade. Seja natação, dança, musculação ou qualquer outra atividade, a ideia é associar o útil ao agradável, respeitando a autonomia do indivíduo e melhorando sua adesão”, comentou Marília Lobo.

Após a avaliação médica, ressalta Marília, o profissional de educação física deve realizar, junto ao idoso, um planejamento das atividades e estabelecer metas realistas com a orientação e o acompanhamento apropriado. “Inicialmente, o nível das atividades deve ser baixo e, se for recomendado o aumento de sua complexidade, isto se deve dar de forma lenta e progressiva”, afirmou.

Corpo à obra

Cada pessoa vive e envelhece de maneira única. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece que a idade cronológica não é um marcador preciso para as alterações que acompanham o envelhecimento. Ocorrendo em diferentes dimensões, o ato de chegar à terceira idade não comporta um único conceito.

Logo, generalizar e afirmar qual o melhor exercício para os idosos seria um erro. Para a bacharela em Educação Física e pós-graduada em Prescrição de Exercícios Físicos para Grupos Especiais, Ana Beatrice, no entanto, cinco deles são essenciais — hidroginástica, pilates, caminhada, dança e musculação (e ela explica o porquê, nos boxes).

Segundo a profissional, mais importante que a escolha da atividade em si, é a forma como ela será orientada. “O profissional de educação física deve observar a intensidade do exercício e a postura do aluno, para que o exercício seja feito com toda segurança. É importante, ainda, estar sempre observando se o idoso teve uma boa noite de sono, enfim, ter a sensibilidade de perceber se está bem para fazer a atividade naquele dia”, comentou.

Maria se divide entre medalhas e amigos

Segundo a OMS, a terceira idade é a fase da vida que começa aos 60 anos. Portanto, a aposentada Maria Valdeída, de 70 anos, já esta há uma década nesta nova fase e, a cada ano que passa, esbanja mais e mais saúde. “Se me comparar com minhas irmãs, elas estão todas lascadas”, brincou a idosa, que, de segunda a sexta-feira, pratica mais de cinco atividades no Parque do Idoso.

“Faço atividade física regularmente desde meus 50 anos, não esperei chegar à terceira idade para começar a ter uma vida mais ativa. Na verdade, sempre gostei muito de esportes e sempre incentivei meus filhos. Contudo, o principal motivo para eu começar foi por recomendação do meu médico, ao constatar que estava com pressão alta e diabetes”, comentou a atleta.

Natação, hidroginástica, corrida, dança, pilates e tai chi chuan são apenas alguns dos exercícios que Maria Valdeída pratica, diariamente, das 6h às 12h, no parque. Mais do que melhorias na saúde física e mental, ela ressalta que tais atividades melhoraram a qualidade de vida como um todo. “Consegui manter controlada a pressão e a diabetes, mas também fiz muitas amizades e conheci novas pessoas. Aqui é como uma segunda casa para mim”, disse ela.

Morando só e dirigindo todas as manhãs de sua casa em direção ao Parque, Maria Valdeída conta que não tem pretensão alguma de parar de se exercitar, apenas quando morrer. “Depois de morta, terei bastante tempo para ficar parada. Quando não conseguir mais dirigir, já disse para minha filha que ela que vai me trazer. Deus me livre de ficar intocada sozinha em casa, pintando e tricotando. Já fiz isso demais quando era mais nova, no colégio de freiras”, revelou, com bom humor.

Medalhista de ouro, prata e bronze nas mais diversas modalidades em competições locais e regionais voltadas para a 3ª idade, Maria Valdeída brinca que possui fãs e lamenta ter que parar de competir em alguns esportes. “Meus filhos e netos me veem como um exemplo. Eles me dão muita força e estão tão tristes quanto eu porque não vou poder mais correr nas competições oficiais de velocidade, que são até 70 anos”, disse ela.

E, mesmo em meio a toda essa correria, Maria Valdeída ainda encontra tempo para ler. Por ano, em média, a idosa devora mais de 20 livros. E alguém adivinha qual seu autor favorito? “Dan Brown. Já li e reli tudo dele. OK. Também leio Zibia Gasparetto”, concluiu ela.