Procedimento resgata autoestima de mulheres vítimas do câncer de mama

De acordo com especialista, a tatuagem das aréolas pode ser feita após seis meses do final do tratamento contra a doença e também da reconstrução da mama

Manaus – Mais de 59 mil casos de câncer de mama devem ser registrados até o final do ano, de acordo com estimativa do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). Em muitos desses casos, se faz necessário o uso do procedimento de mastectomia (remoção da mama), como parte do tratamento de combate ao câncer de mama, abalando fortemente a autoestima da mulher. Porém, após vencida a ‘batalha’, inicia-se, muitas vezes, o processo de reconstrução da mama, que consiste em uma série de cirurgias, mas que, de alguma forma, visa amenizar o trauma da perda do seio.

Paralelo a isso, existe um outro procedimento que ajuda a aumentar ainda mais a autoestima feminina. Trata-se da tatuagem para a ‘construção’ das aréolas dos seios. Segundo Carlos Rocha, especialista na técnica, a reconstrução da mama se faz, muitas vezes, por meio dos tecidos das coxas e costas, mas quando elas se olham no espelho, ainda sentem que está faltando algo e, para muitas delas, ainda é um trauma. “Portanto, a ideia da construção da aréola é devolver a autoestima a essa pessoa tão sofrida. É o toque final do tratamento. É muito emocionante ver o resultado psicológico que a pessoas obtém, além do resultado estético”, explicou.

A técnica consiste na colocação de pigmentos por debaixo da pele, podendo se chamada também de micropigmentação. “Mas é algo bem específico. Porque esses tecidos dos seios, após a reconstrução da mama, ficam muito sensíveis. São tecidos que estão destruídos e são reconstruídos com a pele de outras partes do corpo. Muitas vezes nervos ficam danificados, e deixam cicatrizes com degraus. Portanto, é importante observar se a paciente passou por todo o tratamento, caso contrário, é necessário esperar o período de seis meses”, revelou.

Morando atualmente no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, Rocha salientou que estão habilitados a praticar o procedimento, profissionais especializados em micropigmentação ou tatuagem e pessoas formadas em Dermatologia ou Medicina Oncológica. “Mas todos precisam passar por testes e serem certificados. Tem que atender em escolas de cosmetologia, estudar sobre a pele, sobre o corpo humano de uma forma geral”.

Ele ressaltou que quando se interessou pelo assunto, existia apenas um profissional de destaque nos Estados Unidos. “Resolvi me dedicar ao assunto das aréolas porque já estava envolvido na micropigmentação com intuito de camuflar cicatrizes, vitiligo, sobrancelhas e lábios”, contou ele. Há três meses, Rocha recebeu, em Nova York, o Prêmio de Personalidade do Ano como micropigmentador.

Ainda nos Estados Unidos, o profissional informou que os procedimentos são realizados em locais chamados de Medical Facility, que seriam como instalações médicas, desde que eles estejam certificados pelo governo. Mas isso também varia de um estado para o outro. “Temos grupos de apoio à mulheres com câncer muito fortes e bons. Nos hospitais, as pessoas carentes podem se cadastrar e, conforme a renda, podem ter desconto parcial ou total no tratamento. Todos os hospitais concedem esse benefício”.

Rocha acredita que já atendeu mais de 120 mulheres. “A procura é muito grande, inclusive as pessoas saem de Nova York, Flórida e Califórnia, por exemplo, rumo a Virgínia para passar pelo procedimento”. Vale ressaltar que não existe contraindicação no processo de construção da aréola, apenas obedecer as orientações médicas, se a pessoa está liberada ou não.

Marcado para chegar em Manaus neste sábado (1º), Rocha oferecerá dois procedimentos gratuitos para mulheres que desejam passar pela construção da aréola por meio da tatuagem. O processo de triagem será feito por profissionais do Rocha House Tatto Studio. As interessadas devem mandar fotos dos seios, sem mostrar o rosto, para o contato (92) 98122-0086. “É tão bom ver as pessoas felizes, com lágrimas nos olhos após a transformação. Tenho encarado como uma missão”, finalizou.

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