Dupla do Amazonas fatura primeiro lugar em Concurso de Roteiros com documentário

Documentário que tenta unir etnoastronomia e saber científico é dirigido por Flávia Abtibol e Chicco Moreira.

Manaus – Valendo-se do dito popular — sem exagero —, o céu é o limite para os realizadores audiovisuais Flávia Abtibol e Chicco Moreira. Isso porque a dupla faturou, recentemente, o primeiro lugar na 11ª edição do Concurso de Roteiros Rucker Vieira, com o documentário ‘O Céu dos Índios’. Ao todo, foram inscritos 86 projetos de todo o Brasil, sendo que apenas 12 foram selecionados e, entre eles, escolhidos os dois vencedores, que receberão R$ 80 mil brutos, cada, para a produção dos filmes — ‘Irmãos’, de Maria Eduarda de Lima Andrade, de Pernambuco, foi o outro contemplado.

“‘O Céu dos Índios’ foi uma surpresa para os jurados, foi o que disse o coordenador do concurso quando ligou para dar a notícia que o projeto tinha sido selecionado. Os seis foram unânimes. Isso significa que há interesse narrativo, estético e de mercado nessa história. E, apesar de ter chegado por último, amassado e molhado, o projeto saiu vitorioso”, afirmou Flávia Abtibol.

A pesquisa, de acordo com Flávia, foi realizada, inicialmente, por Chicco Moreira e a ideia inicial era apenas retratar as constelações já conhecidas. “A partir de uma conversa informal nossa, acabamos nos aprofundando no assunto e nos deparamos com um conjunto de constelações indígenas pouquíssimo conhecidas pelo público. Agora, nosso objetivo é mostrar a sabedoria indígena no campo da astronomia, mais precisamente no novo campo da etnoastronomia”, explicou Abtibol.

O documentário, que se encontra em fase de pré-produção e deverá ser filmado no segundo semestre de 2016, será produzido no município de São Gabriel da Cachoeira, distante  853 km de Manaus. O local é considerado o município mais indígena do Brasil, com 27 etnias e três línguas oficiais, além do português: o Nheengatu, o Tukano e o Baniwa.

“No local, será montado um planetário para que os jovens do município, de diversas etnias, possam observar de perto as suas constelações. Depois, o papo é com os idosos das tribos, para que contem aos mais novos suas experiências celestes”, enfatizou Flávia, ressaltando que a ideia é complementar, de forma harmoniosa, os saberes tradicional e científico.

Em virtude de parceria da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que organiza o concurso, com o Canal Brasil, ‘O Céu dos Índios’, que deverá estrear em 2017, já nasceu com acordo de exibição na televisão brasileira. E por seu compromisso com a educação e ciência, o curta também já tem exibição garantida nas escolas da Rede Pública de Ensino de todo o País.

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