Espiritualidade no combate ao suicídio

Pesquisas mostram a importância da espiritualidade e religiosidade para enfrentar o suicídio

Manaus – Religiosidade e espiritualidade podem ajudar a reduzir as taxas de suicídio, segundo afirma o psiquiatra Luiz Henrique. Conforme o especialista, a espiritualidade e religiosidade, hoje, são campos de estudos científicos em várias especialidades médicas, inclusive, na Associação Brasileira de Psiquiatria, onde há uma comissão de estudos e pesquisas em saúde mental, na perspectiva da espiritualidade.

Em relação ao suicídio, o especialista diz que também há várias pesquisas que mostram a importância da espiritualidade e religiosidade.

De acordo com o psiquiatra Luiz Henrique, a espiritualidade e a religiosidade são capazes de desenvolver no indivíduo a capacidade de lidar melhor com as dores diárias (Foto: Divulgação)

Diversos fatores, de acordo com ele, podem ser associados ao suicídio, como a situação de desespero, a desesperança e a sensação de desamparo. “É uma dor que parece, na percepção da pessoa, não ter jeito ou então ela não consegue ver formas de sair daquela situação e acha que o problema é insolúvel, que nunca terá uma forma de escapar. Então, o pensamento suicida acaba surgindo”, explica.

Auxílio

De acordo com o médico, a espiritualidade e a religiosidade entram nesse ponto, pois são capazes de desenvolver no indivíduo a capacidade de lidar melhor com as dores diárias, pois as filosofias religiosas propõem formas de explicar as razões do sofrimento humano.

Para o psiquiatra, as duas podem atuar trazendo paz, equilíbrio e serenidade para o indivíduo que, mesmo passando por problemas, consegue lidar com a dor, diminuindo o sofrimento. “Muitas vezes, aplicar a ótica espiritual ou religiosa à vida faz com que a pessoa encare os problemas de maneira diferente, dando um sentido positivo à vivência, então a pessoa não entra no desespero e desamparo porque, muitas vezes, encontra no núcleo religioso, ou na divindade que se vincula, o amparo e a esperança. Então, o desespero vai embora e consegue passar pela situação de dor e aflição sem grande sofrimento”, diz.

“Se a pessoa que faz o tratamento da depressão, ansiedade ou qualquer tipo de transtorno mental, desenvolve em si habilidades espirituais, tem uma recuperação melhor e mais rápida”, completa.

Transtorno mental

Segundo Luiz Henrique, pesquisas apontam que mais de 90% das pessoas que cometem suicídio têm um transtorno mental que não foi diagnosticado e nem tratado. Porém, ressalta que só utilizar o recurso da religiosidade e da espiritualidade não é suficiente.

Perspectiva religiosas

O psiquiatra explica que há religiões que dizem que a dor e a aflição, que a pessoa está vivendo são por conta de erros que cometidos em vidas passadas. “Então, mesmo que não tenha uma perspectiva de espiritualidade, no sentido de uma vida anterior ou de uma vida espiritual futura, atribuir a uma divindade a necessidade de passar pela dor faz com que se sinta fortalecida e sofra menos diante da aflição”, acrescenta.

Há ainda religiões que consideram a existência de uma vida futura, acreditando que, com o suicídio, as pessoas passariam por aflições maiores. “As religiões que acreditam que o suicídio traz mais dor, aflição e sofrimento também ajudam a diminuir as taxas de suicídio”, afirma.

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