Exame de fundo do olho ajuda desvendar doenças

Muitas doenças podem ser detectadas através de um achado ou sinal observado durante exame

Manaus – Tão importante para manter a saúde dos olhos quanto para acompanhamento de portadores de diabetes e hipertensão, o exame de fundoscopia ou fundo do olho, avalia se o segmento posterior do globo ocular e pode
prevenir doenças oculares e até lesões irreversíveis, como o glaucoma, explica o médico oftalmologista Paulo Roberto Magalhães.

Esse exame geralmente é realizado durante a consulta de rotina em oftalmologia e faz-se de grande importância para o diagnóstico de doenças específicas do olho ou sistêmicas, que possam comprometer o órgão. Serve também como acompanhamento e evolução, por exemplo do diabetes e hipertensão arterial, acrescenta o oftalmologista.

De acordo com o especialista, muitas doenças podem ser diagnosticadas através de um achado ou sinal observado durante esse tipo de exame. Algumas vezes, os pacientes são surpreendidos, durante o exame oftalmológico, com alterações características do diabetes e que não sabiam serem portadores. A sugestão do oftalmologista é para que todo paciente recém diagnosticado com diabetes ou hipertensão arterial possa fazer um exame de fundo de olho afim de detectar possíveis lesões na retina antes que causem danos irreversíveis à visão.

Na microangiopatia diabética, explica, ocorre uma maior fragilidade capilar com extravasamento de líquido e consequente edema e menor aporte sanguíneo nas regiões irrigadas por estes vasos. Dependendo do estágio do diabetes em que se encontra, essas avaliações fundoscópicas podem ser anuais, semestrais ou conforme a necessidade de intervenção médica.

Hipertensos

Em pacientes hipertensos ou suspeitos de terem a doença, há a possibilidade de observação dos vasos sanguíneos retinianos que permite inferir as condições vasculares do paciente e fazer o estadiamento da doença, que determina a localização e a extensão da mesma, de grande valor para auxiliar o cardiologista ou clínico.

Num fundo de olho hipertensivo, explica o especialista, encontram-se exsudatos, ou o líquido que drena do local, além de hemorragias, estreitamento arteriolar, tortuosidade, ingurgitamento venoso, ou micro tromboses no globo ocular, cruzamentos arteriovenosos e patológicos, revela o especialista.

Paulo Roberto lembra que esse exame não é específico do paciente portador de diabetes ou hipertensão. Ele é realizado desde o nascimento, para se afastar doenças específicas dessa faixa etária, como a retinopatia da prematuridade ou tumores de retina, até o paciente idoso para se avaliar precocemente alterações degenerativas como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma das principais causas de cegueira no mundo.

Muitas doenças são detectadas no fundo de olho como as doenças hematológicas, endócrinas, doenças reumáticas e do colágeno, gastrointestinais. Na síndrome da imunodeficiência adquirida (Sida) aproximadamente metade dos pacientes pode apresentar uma microangiopatia, com nódulos algodonosos (que indicam infarto isquêmico das fibras nervosas superficiais da retina), semelhante ao que ocorre em determinadas fases das retinopatias hipertensiva e diabética conta o médico oftalmologista .

Para o especialista, é durante a fundoscopia que se avalia características do nervo óptico como a escavação, borda e coloração para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes portadores de neuropatia óptica glaucomatosa. “Através de um exame minucioso, podemos verificar detalhes do que está acontecendo, internamente no paciente, levantando suspeitas e contribuindo dessa forma para o diagnóstico precoce e tratamento de algumas doenças preveníveis ”, destaca o médico.

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