Festival de Ópera celebra centenário de Claudio Santoro com apresentações, canções e exposição

Programação especial de homenagem começa domingo, 26 de maio, com a estreia de “Alma”, no Teatro Amazonas

Manaus – Quando deixou Manaus, na adolescência, com uma bolsa de estudos oferecida pelo Governo do Amazonas para estudar música no Rio de Janeiro, talvez Claudio Santoro nem imaginasse que se tornaria um dos mais respeitados nomes da música erudita brasileira, com mais de 600 composições entre prelúdios, trilha sonora de filmes, sinfonias e até ópera. O reconhecimento é tanto que em 2019, ano do centenário do maestro e compositor amazonense, várias homenagens estão sendo realizadas Brasil afora. Em Manaus, Santoro é o grande homenageado do 22º Festival Amazonas de Ópera (FAO).

Para celebrar os 100 de nascimento de Santoro, o FAO faz a estreia da versão revisada de “Alma”, ópera do compositor amazonense, baseada na primeira parte da trilogia “Os condenados”, de Oswald de Andrade, e abrirá a exposição “A Alma de Claudio Santoro”, ambos no domingo (26), no Teatro Amazonas, na zona sul de Manaus, às 19h. Além disso, apresentará, na segunda-feira (27), no Teatro da Instalação, também na zona sul, o Recital Bradesco “Canções de Amor”, com composições que o maestro fez para poemas de Vinicius de Moraes.

Para celebrar os 100 de nascimento de Santoro, o FAO faz a estreia da versão revisada de “Alma”, ópera do compositor amazonense (Foto: Michael Dantas/SEC/Arquivo)

O FAO é realizado pelo Governo do Amazonas, através da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com patrocínio master do Bradesco, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cidadania e Secretaria Especial de Cultura. A abertura foi no dia 26 de abril e o evento segue com apresentações de ópera, recitais e concertos até 30 de maio.

Para o secretário estadual de Cultura, Marcos Apolo Muniz, é um privilégio poder realizar a homenagem a Claudia Santoro. “A importância dele transcendeu as fronteiras do Brasil. É um dos compositores mais respeitados, reconhecido no mundo inteiro. Temos que celebrá-lo. Não é à toa que dá nome ao Liceu de Artes e Ofícios do Amazonas, onde são lapidados inúmeros talentos que sonham com uma carreira sólida no mundo das artes”, observou.

Filho do homenageado, o cravista e pianista Alessandro Santoro, que vem a Manaus participar da programação especial, ressalta a felicidade pelo reconhecimento e por todas as comemorações. “Estamos muito contentes e gratos com as celebrações que estão acontecendo em vários lugares e que não deixam essa história passar em branco, e especialmente em Manaus, onde ele nasceu, onde estão as origens do meu pai”, afirma.

“Alma”

A história se passa em São Paulo, nos anos 20. O escritor João do Carmo ama a jovem Alma, que não o corresponde. No entanto, a moça de 20 anos se apaixona por Mauro, um cafetão que a agride, obrigando-a a se prostituir em cabarés. Essa conturbada relação permeia a ópera “Alma”, composta (música e libreto) por Santoro em 1985 e que estreia no FAO domingo (26), às 19h, no Teatro Amazonas, com Corpo de Dança do Amazonas, Coral do Amazonas e Amazonas Filarmônica. Direção Musical e Regência por conta do maestro Marcelo de Jesus.

“A primeira versão de ‘Alma’ foi encenada uma única vez, em 1998, na segunda edição do FAO, em Manaus. Agora, chega em nova edição, revisada, com correções nas partituras, e acréscimo de partes instrumentais para criar melhor conexão entre as cenas”, comenta Marcelo de Jesus.

A versão com alterações foi encontrada por Alessandro, quando ele organizava o acervo de Santoro. “Entre 2002 e 2007 decidi arrumar todo o acervo do meu pai, que é um universo imenso, quando achei uma cópia da ópera com vários manuscritos. Minha mãe conta que um diretor planejava apresentar ‘Alma’ na Europa, mas, para isso, seria preciso fazer algumas mudanças. Em uma das reuniões, meu pai fez as modificações naquela cópia, mas a montagem não aconteceu”, relata. “Agora, teremos a oportunidade de vê-la completa”, pontua.

Elenco

Em quatro atos e duração de duas horas e vinte minutos, a montagem conta com grande elenco, com os solistas Denise de Freitas (mezzo-soprano), interpretando Alma; Juremir Vieira (tenor), como João do Carmo; Emanuel Conde (baixo), como Lucas; Homero Velho (barítono), como Mauro; Joubert Júnior (barítono), como Dagoberto Lessa; Josenor Rocha (barítono), como Lobão; e Marinete Negrão (mezzo-soprano), como D. Rosaura.

A obra será reapresentada nos dias 28 e 30 de maio, às 20h, no Teatro Amazonas. No dia 28, a Direção Musical e a Regência estarão a cargo do maestro Otávio Simões.

Exposição

No domingo (26), também será inaugurada a exposição “A Alma de Claudio Santoro”, na sala anexo ao Salão Solimões, no Teatro Amazonas. A mostra, que ficará em cartaz até novembro, fará uma linha do tempo sobre a vida e a obra de Santoro, reunindo objetos pessoais, troféus, diplomas e até pinturas – materiais do acervo da viúva Gisele Santoro.

Recital Bradesco

Intitulado “Claudio Santoro – Canções de Amor”, com composições que o maestro amazonense fez para poemas de Vinicius de Moraes, o Recital Bradesco será apresentado na segunda-feira (27), às 20h, no Teatro da Instalação, com entrada gratuita.

Além das canções com texto de Vinicius de Moraes e transcrição de Marcelo de Jesus, o recital terá o Hino do Amazonas, com texto de Jorge Tufic e transcrição de Otávio Simões. As obras serão executadas pela Orquestra de Câmara do Amazonas e interpretadas pelas cantoras Carol Martins, Elane Monteiro, Mirian Abad e Raquel de Queiroz (sopranos); Kelly Fernandes e Yana Stravaganzzi (mezzo-sopranos), todas integrantes dos Corpos Artísticos do Estado. Direção Musical e Regência do maestro Marcelo de Jesus.

Sobre Claudio Santoro

Claudio Franco de Sá Santoro nasceu em Manaus, no dia 23 de novembro de 1919. Na adolescência destacou-se na cidade participando de recitais, o que lhe rendeu uma bolsa de estudos, concedida pelo Governo do Estado, para estudar música no Rio de Janeiro, de onde, anos depois, seguiu para o mundo com sua música. Foi maestro, compositor, professor.

Recebeu diversos prêmios e condecorações no Brasil e no mundo; foi fundador e Maestro Titular das Orquestras de Câmara da Rádio MEC e da Universidade de Brasília; das Orquestras Sinfônicas da Rádio Club do Brasil e do Teatro Nacional de Brasília; membro da Academia Brasileira de Música, da Academia Brasileira de Artes e da Academia de Música e Letras do Brasil, da qual foi Presidente.

Também regeu, como convidado, as mais importantes orquestras do mundo, entre elas, a Filarmônica de Leningrado, Estatal de Moscou, RIAS Berlin, ORTF Paris, Beethovenhalle Bonn, Sinfônica da Rádio de Praga, Filarmônica de Bucarest, Filarmônica de Sofia, PRO ART (Londres), Île de France (Paris) e Filarmônica de Varsóvia. Santoro faleceu no dia 27 de março de 1989, em Brasília, regendo, durante o ensaio geral do 1º concerto da temporada.

Sobre o 22º FAO

Em 2019, o FAO celebra o centenário de nascimento de Claudio Santoro com a apresentação da ópera “Alma”, do compositor e maestro amazonense. Também estão na programação “Ernani”, de Giuseppe Verdi; “Maria Stuarda”, de Gaetano Donizetti; “Tosca”, de Giacomo Puccini; e “Mater Dolorosa”, baseada na cantata “Stabat Mater Dolorosa”, de Giovanni Pergolesi.

Os ingressos para o FAO 2019 estão à venda na bilheteria do Teatro Amazonas e pelo site Bilheteria Digital, com valores que vão de R$ 2,50 a R$ 60.

A programação do festival abrange ainda o Recital Bradesco, com canções compostas por Claudio Santoro; o projeto “Ópera Mirim”; o encontro “Os Teatros de Ópera e a Economia Criativa na América Latina”, voltado para apresentar dados e casos de sucesso sobre a Indústria da Ópera na América Latina; o concerto do Dia das Mães, já apresentado; e Mulheres da Ópera.