Festival Tarumã Alive A Bordo acontece neste domingo em Manaus

Evento contará com a participação de artistas nacionais e locais em prol da preservação da maior bacia hidrográfica urbana de Manaus

Manaus – Neste domingo (13), acontece a quinta edição do Tarumã Alive que terá um formato especial devido a pandemia da Covid-19. Navegando nas águas do Rio Tarumã-Açu em um barco, artistas locais e nacionais farão manifestações em prol da preservação da maior bacia hidrográfica da área urbana de Manaus, a Tarumã-Açu.

(Foto: Divulgação)

Com o alto nível de poluição na área urbana da capital, a bacia hidrográfica do Tarumã-Açu dá seus últimos suspiros e clama por ajuda. A vazante do rio, que acontece anualmente, expõe o acúmulo de lixo a céu aberto da zona Norte à zona Oeste de Manaus por onde transcorrem os afluentes da bacia. Um problema que iniciou na década de 60 e permanece até o momento presente.

Com o objetivo de chamar atenção para o cenário atual e incentivar a conscientização, o Festival Tarumã Alive tem realizado manifestações culturais e coletas de lixo com participação de voluntários. Entretanto devido à pandemia, a edição deste ano será diferente e vai acontecer diretamente de um barco, em frente à Marina do Davi, com transmissão ao vivo na internet.

O evento contará com as seguintes atrações: a cantora Lia Sophia – mais conhecida como rainha do Carimbó, Zezinho Correa, a banda Kui’á da aldeia indígena Inhãa-bé – uma das que residem na região do Tarumã e a cantora Márcia Novo. Além das participações de Jander Manauara, Magaiver da Banda Casa de Caba e manifestações de grafitti.

“A ideia é retratar a realidade daqui, rolam muitas festas em barcos e a música que a gente está trazendo é da Amazônia: é o brega, é a lambada, o carimbó que são os estilos predominantes. E também vamos exibir um cenário com materiais recicláveis, como a gente consegue reutilizar coisas que às vezes acha que é lixo, mas ainda pode ser usada para algum fim”, afirmou uma das realizadoras do evento, Márcia Novo.

Outro destaque no festival será o mini documentário mostrando a realidade dos afluentes que transcorrem por Manaus e compõem a bacia do Tarumã-Açu. Conforme Márcia Novo, a ideia é que a real dimensão do problema seja exibida ao público para que se sinta motivado a tomar a causa para si e também possa tomar uma atitude.

“Vamos abrir uma petição on-line, vai ser uma live de protesto para realmente cada um pegar pra si esse problema. Tá vendo um lixo que tá passando no teu jet, na tua lancha, na tua canoa, na tua voadeira? Vai lá e pega. Se todo mundo fizer, terá menos lixo no Tarumã, lógico que a causa é muito maior. Mas também ficar parado não ajuda. O nosso barco vai ser de manifesto, estamos trazendo muitas frases impactantes para todo mundo acordar. Se a gente não fizer algo agora não sei se daqui a 5,6 anos o Tarumã vai sobreviver. Queremos recrutar tarumanos e tarumanas a lutarem por esse rio que precisa ser cuidado urgentemente. Assine a petição, faça sua parte”, finalizou.

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(Foto: Divulgação)

O festival inicia às 16h (horário local) com transmissão nas redes sociais (Facebook e Youtube) do Festival Tarumã Alive e Facebook do BNC Amazonas. Para acompanhar a programação e demais ações, basta seguir as redes sociais do Festival Tarumã Alive (Facebook e Instagram).

Bacia do Tarumã-Açu

Da zona Norte à zona Oeste e localizada a margem esquerda do Rio Negro, a bacia ocupa uma área total de 133.756,86 hectares e corresponde a 3,3% da área territorial do município. O canal principal é o Rio Tarumã-Açu que possui 13 afluentes: Igarapé Santo Antônio, o Igarapé Cabeça Branca, o Igarapé do São José, o Igarapé do Leão, o Igarapé do Mariano, o Igarapé do Branquinho, o Igarapé do Caniço, o Igarapé Argola, o Igarapé do Tiú, o Igarapé do Panermão, o Igarapé da Bolívia, o Igarapé do Gigante e o Rio Tarumã-Mirim, conforme pesquisa realizada pela Associação dos Engenheiros da Sabesp(AESABESP), em 2018.

Entre os impactos ambientais já perceptíveis, apontados no estudo da AESABESP, estão os danos à flora e à fauna, remoção da camada fértil do solo, assoreamento (acúmulo de terra, lixo e matéria orgânica no fundo do rio) dos recursos hídricos através do processo de terraplenagem sem os cuidados técnicos executivos adequados para as Estações de Tratamento de Efluentes (ETE’s), rebaixamento de greide, afugentamento de fauna, entre outros.

Se a situação permanecer, há um grande risco do rio se transformar em um esgoto a céu aberto como ocorreu na Bacia do São Raimundo, Igarapé do 40 e Igarapé do Mindu.