Guia esclarece mais dúvidas das vacinas

A REVISTA PLUS volta a publicar respostas sobre a vacinação por meio do Guia do Estadão

Manaus – Em prosseguimento ao material divulgado na edição da REVISTA PLUS da semana passada, continuamos a publicar respostas às principais dúvidas sobre a vacinação contra a Covid-19, a partir do Guia produzido pelo Estadão Conteúdo. Confira a seguir:

Quantas pessoas precisam ser vacinadas para se alcançar a chamada ‘imunidade de rebanho’?

Considerando somente a Coronavac, será preciso aplicá-la em praticamente toda sua população apta a recebê-la (99%) para alcançar a imunidade coletiva – e assim deter a circulação do novo coronavírus no País, segundo cálculo do microbiologista Luiz Gustavo de Almeida, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Questão de Ciência. Segundo Almeida, seriam necessários dez meses para que todos recebessem a primeira dose. Ou seja, se tudo der certo, a vacinação, considerando que são necessárias duas doses para imunizar, só terá detido totalmente o vírus no 2.º semestre de 2022.

Governo de São Paulo inicia testes com vacina contra o novo coronavírus.

Se a imunidade de rebanho deve demorar ainda a chegar, quais são os resultados mais imediatos na pandemia que podemos esperar com a vacinação?

Para a microbiologista Natália Pasternak, da USP, quando o número de doses disponíveis for grande o bastante para realmente conseguir atingir os grupos de risco, o primeiro impacto que pode ser sentido é a queda de hospitalização e de mortes. Talvez mais do meio do ano para o fim tenhamos redução de casos.

À medida que a imunização ocorra, as restrições de circulação podem ser relaxadas?

Não. Os próprios técnicos da Anvisa ressaltaram na reunião pública em que aprovaram o uso emergencial de ambas as vacinas – a Coronavac e a produzida por Oxford -, no domingo passado, que o País ainda está longe de vislumbrar um cenário em que as medidas de restrição impostas com base na ciência deixem de ser necessárias. Por isso, ainda é fundamental manter o isolamento sempre que possível, o distanciamento e usar máscara e álcool em gel.

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vacina para Covid-19

Depois de tomar a vacina, posso abraçar as pessoas normalmente?

Não. Os cuidados de distanciamento social continuam até que se alcance a imunidade de rebanho, ou seja, em que cerca de 60% a 70% da população esteja imunizada. Como as vacinas não têm 100% de eficácia, ainda existe a chance de se infectar, então é preciso continuar se precavendo.

Quais vacinas serão aplicadas no Brasil?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a vacina de Oxford, desenvolvida pela AstraZeneca, em parceria com a Fiocruz.

O que são esses insumos, o IFA?

O chamado Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) é o cerne das vacinas, o insumo principal de todo medicamento. A substância confere a atividade farmacológica à vacina ou a qualquer outro medicamento No caso da Coronavac, é o próprio vírus inativado. No caso da vacina de Oxford, é um adenovírus modificado geneticamente para carregar com uma sequência genética do Sars-CoV-2. São eles que vão “enganar” o nosso corpo para produzir os anticorpos, que vão reagir se e quando o corpo for realmente contaminado. Os outros componentes presentes na vacina são chamados excipientes e, apesar de não serem responsáveis pela atividade farmacológica, são importantes para seu perfeito funcionamento até o final do prazo de validade.

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Quem são os principais fornecedores da matéria-prima?

O Brasil é totalmente dependente da China e da Índia, especialmente, na fabricação de insumos. No Brasil, não há uma política governamental para incentivar a produção dos insumos farmacêuticos ativos.

Quais os impactos na vacinação da Covid-19?

O Brasil depende da chegada do insumo para que sejam produzidas as vacinas de Oxford e Coronavac no País. Com a demora na entrega, a campanha de imunização também sofre com atrasos.

Por que o Brasil já não faz o insumo?

No caso das vacinas do Butantan e da Fiocruz, os IFAs são o vírus inativado e o adenovírus, respectivamente, que serão os responsáveis por gerar a resposta imunológica. A tecnologia de fabricação do IFA é das empresas estrangeiras e ainda não foi transferida para o Brasil. O Brasil teria condições de produzir esses insumos, pois tem tecnologia e pesquisadores aptos para isso, mas é necessário investimento. As empresas estrangeiras investiram pesado para ter uma vacina tão rapidamente.

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