Inteligência artificial na criação de aromas

O Boticário lançará perfumes concebidos por ‘perfumistas sem olfato’

Manaus – Você usaria um perfume feito por alguém sem olfato? A partir do ano que vem, esta será a proposta que o grupo O Boticário vai fazer aos brasileiros. A empresa deve lançar dois perfumes criados com ajuda da Phylira, sistema de inteligência artificial da IBM. É apenas um dos muitos exemplos do uso de computadores em tarefas criativas. Hoje, as máquinas também estão presentes em atividades como música, literatura e pintura, desafiando a fronteira entre o humano e o artificial.

Uma das fragrâncias, com perfil mais fresco, preferido pelo público masculino, continha jasmim — comum em perfumes mais adocicados (Foto: Pixabay)

No caso de O Boticário, que trabalhou em parceria com a IBM e a casa de perfumes alemã Symrise, a intenção era usar máquinas para criar dois perfumes unissex, para o público jovem. “Ensinamos ao computador o processo de criação de uma fragrância e inserimos dados sobre as mais de 3 mil matérias-primas que usamos”, conta Jean Bueno, gerente de perfumaria da empresa. A máquina também recebeu informações sobre vendas e recepção de produtos nos últimos anos.

O resultado desafiou padrões: uma das fragrâncias, com perfil mais fresco, preferido pelo público masculino, continha jasmim — ingrediente normalmente usado em perfumes mais adocicados. “Nunca usaríamos jasmim numa fragrância masculina, mas funcionou”, afirma Bueno.

A empresa também viu vantagens no tempo de criação dos produtos, que têm lançamento previsto para o primeiro semestre de 2019: foram cinco meses de trabalho, menos da metade da média para esse tipo de produto. Mas o próprio especialista reconhece: “Noventa e oito por cento do trabalho foi da máquina, mas os 2% do perfumista foram fundamentais. É a sensibilidade dele que dá o toque final”.