Lançamento do livro de Clarinda Ramos irá celebrar Dia dos Povos Indígenas

A obra descreve a cultura de cantos e danças do povo Sateré-Mawé,

Manaus – Na próxima sexta-feira (19), data em que se celebra os Povos Indígenas, a Editora Valer realiza o lançamento do livro ‘Cantos e danças – uma antropologia da musicalidade Sateré-Mawé’, de Clarinda Maria Ramos. O evento acontecerá a partir das 18h, no Casa de Comida Indígena Biatüwi, localizado na rua Bernardo Ramos, n.º 97, Centro.

(Foto: Divulgação)

O livro descreve a cultura de cantos e danças do povo Sateré-Mawé, demarca uma trajetória permeada por travessia cheia de desafios e conquista. No livro, Clarinda, que é indígena, tendo como base as referências antropológicas, durante o trabalho de campo junto à sua família no Baixo Amazonas e sua narrativa pessoal, nos faz mergulhar na cosmologia, a partir das músicas e danças do seu povo. Portanto, o livro “Cantos e danças: uma antropologia da musicalidade Sateré-Mawé” é uma rica contribuição para os campos de estudo da etnomusicologia brasileira.

A autora proporciona uma leitura na qual a sua trajetória compõe, com os diálogos recolhidos dos seus parentes, um documento importante para refletirmos sobre a situação atual dos indígenas nortistas e a relação deles com as igrejas que lá se estabeleceram.

Para Jeiviane Justiniano (UEA), responsável pela apresentação do livro, “A obra é um convite ao leitor para conhecer o universo das cantorias e danças Sateré-Mawé a partir da perspectiva feminina indígena.

Ainda segundo Justiniano, ela relata como as cantorias são instrumentos que movem a pessoa Sateré-Mawé e refletem as mudanças na vida de seus parentes, principalmente as ressignificadas nas relações interculturais com os não indígenas.

De acordo com a professora doutora em Filosofia, autora do livro ‘Para aquém ou para além de nós’ e coordenadora editorial da Valer Neiza Teixeira, “Clarinda Ramos faz parte do grupo de indígenas brasileiros que dominam a Língua Portuguesa e têm preparação acadêmica. Nesta obra, a autora, após uma longa trajetória na cidade, retorna à sua comunidade original para levar conhecimentos e recolher o que permanece adormecido na memória dos seus parentes”.

Deise Lucy Oliveira Montardo, professora colaboradora no PPGAS/Ufam, professora visitante no PPMUS/UFBA, pesquisadora do INCT Brasil Plural, que escreveu o prefácio do livro diz que:

“Temos aqui uma leitura prazerosa e de profundo aprendizado para um público amplo, acadêmicos das artes e das humanidades, bem como para interessados nas questões indígenas e no entendimento do Brasil e da América Latina, de forma geral. Um texto escrito de dentro da Antropologia, com corpo e emoção, num lindo e forte re-encontro da Clarinda com sua história, uma literatura imprescindível”.

Sobre a escritora

Clarinda Maria Ramos é mãe de quatro filhos, indígena do povo Sateré-Mawé, é artesã, chef de cozinha da Casa de Comida Indígena Biatuwi, pedagoga formada pela Universidade do Estado do Amazonas – UEA, mestra em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas – PPGAS – Ufam, doutoranda pelo mesmo Programa – PPGAS – Ufam e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena – Neai.

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