Ribeirinhos do Rio Uatumã participam de oficina literária da FAS

Estudantes da comunidade São Francisco, em Itapiranga, foram desafiados a coletar histórias de pessoas mais velhas por meio da iniciativa que incentiva a leitura

Manaus – O incentivo à leitura e o desenvolvimento de crianças e jovens da comunidade São Francisco, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã, ganhou uma página escrita a várias mãos esta semana. Jovens ribeirinhos de 11 a 21 anos que vivem na região, participaram do primeiro módulo do projeto ‘Incenturita’, iniciativa que compõe o Programa de Educação, Saúde e Cidadania da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). A ação tem o objetivo de promover a leitura e melhorar a comunicação entre os estudantes.

O projeto existe desde 2017 e leva atividades educativas a seis Núcleos de Conservação e Sustentabilidade (NCS) espalhados pelas comunidades Punã, Abelha, Boa Frente, Tumbira e Três Unidos. Neste mês, foi a vez do município de Itapiranga (a 227 quilômetros a leste de Manaus) receber os profissionais, em iniciativa compartilhada com o Programa de Formação Integral de Crianças e Adolescentes Ribeirinhas da Amazônia (Dicara), que leva acesso a direitos para jovens moradores de unidades de conservação.

Em duas manhãs, os jovens participaram do projeto cumprindo o primeiro módulo, chamado de ‘Histórias Que Se Aproximam’. Nessa fase, os objetivos pedagógicos se dividem em fortalecer o contato entre os participantes e despertar sentimentos de confiança, afinidade, respeito e responsabilidade. Além disso, os estudantes são estimulados a criarem narrativas e registros para o Banco de Histórias de Vida, outro recurso educacional da iniciativa da FAS.

Em duas manhãs, os jovens participaram do projeto cumprindo o primeiro módulo, chamado de ‘Histórias Que Se Aproximam’ (Foto: Divulgação/Emerson Pontes)

Na segunda parte do módulo, os jovens tiveram como desafio conversar com pessoas mais velhas da comunidade e, em seguida, coletar histórias. “É o início do trabalho com a turma. Nesse primeiro contato os objetivos alcançados foram o maior entrosamento entre os jovens, uma introdução ao teatro e as primeiras reflexões sobre a expressão do corpo, da face, da voz, do sentir e do pensar. Os jovens também contaram histórias (vividas ou imaginadas) de suas vida que já integram o Banco de Histórias de Vida do projeto. Todas as criações artísticas são baseadas nestas histórias”, explicou o coordenador do projeto, Emerson Pontes.

Igualdade

Ao todo, mais de 180 jovens ribeirinhos de seis comunidades devem passar por cinco módulos no projeto. A abordagem das tarefas nasce a partir de áreas centrais como Literatura, Artes Visuais, Artes Cênicas e Música e Teatro, onde em cada uma delas o estudante participa dos exercícios para depois praticar o que aprendeu nos deveres de casa.

“As comunidades ribeirinhas tem um histórico de desafios e esquecimento, e é por isso que a FAS busca tratá-las como prioridade dentro de sua estratégia de educação. Nosso projeto caminha nesse sentido, de fazer as crianças ribeirinhas terem a mesma oportunidade que as da cidade”, destaca Ademar Cruz, coordenador do projeto Dicara.

Em 2018, o projeto conseguiu entregar materiais didáticos e livros de contos de autores consagrados do Amazonas para os jovens. Um diagnóstico de leitura – também aplicado por meio do ‘Incenturita’ – mostrou que há grande interesse dos ribeirinhos pela leitura, porém a maioria encontra dificuldades. Os números ainda mostraram que 75% deles gostam de escrever e apenas 48% de falar em público.

Sendo assim, o projeto possui grande importância ao estimular a interação entre os jovens nas comunidades, visto que ainda é latente a limitada reflexão e prática artística na vivência escolar, além das dificuldades das relações sociais com pessoas de fora dessas regiões.

“Incentivar a leitura e escrita por meio da Arte é algo muito promissor. Estamos construindo hoje um modelo de Arte-Educação para a juventude ribeirinha da Amazônia. O ‘Incenturita’ é um importante trabalho educativo, pois soma à melhoria das competências leitura-escrita-oratória e estimula o pensamento crítico, o desempenho escolar, o desenvolvimento pessoal e relacionamento social entre os alunos, ao mesmo tempo que os aproxima das Artes, valorizando a cultura ribeirinha”, acrescentou Emerson.