Mães e sua ‘única’ e mágica forma de amar

Histórias de superação do espírito materno que encontram nos filhos a melhor forma de prosseguir

Manaus – O sentimento materno é universalmente aclamado como um dos mais ternos afetos que se pode sentir neste mundo. No Dia das Mães, reunimos histórias de mulheres que suportaram duras provações no caminho de amor aos seus filhos.

A funcionária pública Izoney Tomé, 55, após perder um filho de 19 anos em um assalto, precisou encontrar uma nova forma de amar maternalmente. “Depois do que aconteceu, havia acabado, praticamente, a vida. Foi um momento muito difícil, eu não conseguia mais ver o verde das plantas ou o colorido de nada”, desabafou Izoney.

Diante do sofrimento da filha, a mãe da funcionária pública recomendou que ela adotasse uma criança. Mas Izoney se viu com medo de fazê-lo, receando, que, no dia que ela abraçasse um filho adotivo, algo semelhante ao acidente pudesse acontecer com ele.

Cinco anos depois da fatalidade, em 2007, a mãe de Izoney recebeu a notícia de que uma mulher tinha intenção de doar seu filho. Mesmo apreensiva, decidiu aceitar a proposta. Quando o bebê foi levado do hospital a casa de Izoney, no município de Autazes (a 113 quilômetros a sudeste de Manaus), a paixão aconteceu à primeira vista. “O amor bateu na hora. Mesmo vindo de outra pessoa, ela era para ser nossa mesmo”, disse.

A partir do contato entre as duas, a funcionária pública sentiu que todo o sentimento materno que estava canalizado no coração dela, após o acidente, pôde ser direcionado à Sofia. Ao retornar a Manaus, Izoney deu início ao processo de adoção, conseguindo a guarda definitiva da filha.

Adoção é amar

Hoje, Sofia tem 12 anos e é o pilar central da família, fruto de muito afeto. Izoney se recordou de mulheres que sofrem ao tentarem passar por inúmeras inseminações artificiais, muitas vezes sem sucesso, enquanto milhares de crianças esperam às portas de orfanatos. “O bem maior da adoção não recai sobre a criança, mas sobre os pais que as adotam. Muitas vezes, como no meu próprio exemplo, os pais se fecham em seus próprios sofrimentos e se sentem incapazes de educar uma criança novamente. Mas é preciso que não tenhamos medo e que confiemos no amor”, afirmou.

Para Izoney, ser mãe, além de ser um presente de Deus, é a oportunidade, dada às mulheres, de se experimentar o amor em sua expressão maior. “Por meio dos filhos, passamos a esquecer o que nos cerca, em favor deles, que passam a ser os seres mais importantes nas nossas vidas. É a expressão maior do amor de Deus”.

Filhos apoiam mães

A empresária Djane da Silva Sena, 42, precisou da ajuda de três dos sete filhos para escapar de um relacionamento abusivo de 13 anos, com o ex-marido. “Eu cresci ouvindo que a mulher deve servir ao homem, sabendo cozinhar e cuidar bem do seu marido. Quando ele começou a me agredir, falavam-me que eu devia lutar pelo meu casamento”, relatou.

Em um dos surtos, o ex-companheiro quebrou o nariz de Djane. O filho mais velho dela impediu a agressão ao colocar o homem para fora da casa onde estavam, com uma faca. “Mesmo assim, ele não se conformava. Meus três filhos mais velhos foram essenciais para que eu conseguisse me libertar, não apenas me protegendo, mas me apoiando sem nunca me julgar”. Para Djane, a mulher não tem um destino biológico, não estando aprisionada aos papeis de mãe e esposa.

Mãe de Rodrigo, 24, Rebecca, 21, Raphael, 20, João Roberto, 11, Celeste Raquel, 10, Helena Rosa, 9, e o novato Joaquim Ryan, de 3 anos, Djane vê nos filhos seus melhores amigos. “Nós temos o costume de almoçar ou jantar juntos no domingo, de assistir filmes na pré-estreia, de madrugada, e de curtir nossas séries favoritas juntos”.

Para Djane, o deleite em ser mãe se consuma ao se ver a felicidade dos filhos. “Para mim, ser mãe é olhar para os filhos, crescidos, felizes, e pensar: ‘eu não desejo mais nada’”.