‘Meu Futuro no Brasil’: sonhos de uma nova vida

Em Manaus, cidadãos venezuelanos foram convidados a participar de concurso artístico para expressar sentimentos, sonhos e desejos, após deixarem o seu país para uma nova vida

Manaus – Cores e palavras desenharam as produções artísticas feitas por refugiados e migrantes venezuelanos em celebração ao Dia Mundial do Refugiado, comemorado este mês, nos abrigos temporários das cidades de Boa Vista, Pacaraima e Manaus.

(Foto: Divulgação)

A data homenageia a força, coragem e resiliência de milhões de pessoas que foram forçadas a se deslocar de suas cidades e países por causa de guerras, conflitos e perseguições, deixando sonhos e vidas para trás.

Em Roraima e Amazonas, cerca de 6,5 mil venezuelanos são abrigados pela Operação Acolhida (resposta governamental à parcela mais vulnerável desta população). No Brasil, são cerca de 43 mil pessoas reconhecidas pelo governo como refugiadas.

Ao longo desta semana, a população abrigada foi convocada para participar do concurso artístico ‘Meu Futuro no Brasil’ e colocar seus sonhos no papel.

Um dos participantes foi o garoto Williams Agostine, de 11 anos de idade, que atravessou a fronteira junto com seus pais, seus irmãos de seis e sete anos e seu irmão gêmeo, que tem paralisia infantil. A família vive no abrigo São Vicente 1, em Boa Vista, Roraima.

Williams, que procura ajudar a mãe a cuidar dos seus irmãos, explica o seu desenho com uma consciência que parece até de adulto. “O que você se propõe na sua vida você pode alcançar, porque nada é impossível”, diz a frase escrita em seu cartaz. Mas o sonho de criança logo se revela no desenho sobre o quer ser quando crescer. “Quero ser jogador de futebol e poder jogar em todo o mundo, tanto faz o país”, diz Williams, que sonha em um mundo sem fronteiras, onde ele e sua família possam ter um lar.

Além dos papéis

Além de desenhos e poesias, vários abrigos ganharam um colorido novo durante a semana do Dia Mundial do Refugiado. Paredes, banheiros e murais foram pintados pelos próprios abrigados.

No abrigo para a comunidade indígena Warao, na cidade fronteiriça de Pacaraima, a iniciativa da pintura foi da jovem mãe Yuneira Calderón, de 23 anos, que vive a 6 meses no Brasil com seus irmãos e filha.

“A pintura foi uma homenagem a Nossa Senhora de Consolata, que nos protege. Ela é uma mensagem de que toda a comunidade está unida, como uma só família, uma só árvore” explica Yuneira. A pintura da grande árvore contou com a participação de todos os moradores do abrigo, que carimbaram suas mãos com tinta na base da árvore.

Protagonismo da floresta

Em Manaus, o protagonismo da vida na floresta foi percebido em diversos desenhos elaborados durante o concurso artístico “Meu Futuro no Brasil” nos abrigos públicos indígenas que o ACNUR apoia. A atividade mobilizou cerca de 500 crianças, adolescentes, jovens e adultos refugiados a expressarem suas visões de futuro por meio da arte. A canoa presente na maioria dos desenhos tinha quase sempre a mesma companhia: o buritizeiro, do fruto odiju, ou buriti – a árvore da vida na cultura Warao (povo da água).