Morre Roberto Evangelista, um dos pioneiros da União do Vegetal em Manaus

Roberto Evangelista era artista plástico e morreu na tarde desta terça-feira (12), vítima de um infarto

Manaus – Morreu na tarde desta terça-feira (12), em Manaus, o Mestre Roberto Evangelista, um dos pioneiros da União do Vegetal (UDV) na capital amazonense. Evangelista tinha 73 anos e faleceu após ser acometido por um infarto.

Conhecido em toda a União do Vegetal por seu talento com as palavras ditas e escritas, Mestre Roberto Evangelista se revelava em sua oratória simples, porém atenciosa e amorosa (Foto: Divulgação)

Inovador, Roberto conquistou reconhecimento internacional como artista plástico, em instalações originais, que refletiam sua visão especial sobre a Amazônia.

“Evangelista foi um homem de arte tão forte quanto suas convicções. Suas obras deixam vivas as memórias dele em nós”, destacou o secretário estadual de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz.

No mês passado, Roberto Evangelista esteve no Teatro Amazonas para a primeira exibição do filme “Arte & Transcendência”, que o artista e realizador audiovisual Sergio Cardoso produziu sobre ele.

Com 41 minutos de duração e produzido entre 2012 e 2013, o documentário aborda impressões do artista visual, premiado na Bienal de 1976 e em salões de arte nacionais e internacionais.

“Ele fez trabalhos originalíssimos, uma leitura do mundo espiritual amazônico em instalações que percorreram o mundo”, observa Cardoso.

O velório de Roberto Evangelista está acontecendo no Núcleo Caupuri do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (avenida Laguna, 9, Lírio do Vale), onde ele era Mestre. O enterro será às 16h30, no Cemitério Municipal de São João (avenida Boulevard Álvaro Maia, bairro Nossa Senhora das Graças).

A Amazônia de Evangelista

Mestre Roberto Evangelista nasceu em Cruzeiro do Sul (AC), em 10 de fevereiro de 1946. Durante a juventude, trabalhou ao lado de sua companheira, Conselheira Ana Maria Evangelista, viajando pelo interior da Amazônia. Ficou sabendo da existência de um chá (Ayahuasca) bebido pelos índios por meio da leitura de um livro e, a partir daí, passou a buscar quem pudesse lhe apresentar o chá. Em 1970, por meio de um amigo que sabia do seu interesse (M. Roberto Souto Maior), foi apresentado à União do Vegetal em Manaus-AM e teve a oportunidade de conhecer Mestre Gabriel – com quem se identificou desde o início da sua caminhada e nutriu por ele grande admiração.

Conhecido em toda a União do Vegetal por seu talento com as palavras ditas e escritas, Mestre Roberto Evangelista se revelava em sua oratória simples, porém atenciosa e amorosa.

“Eu tinha essa sensação de que a Amazônia guardava algo muito importante para a humanidade, mas nunca imaginei que fosse uma bebida, um chá. Naquele tempo, era também muito ligado ao estudo das antigas civilizações e das famosas ‘teorias da conspiração’. Eu sempre achei que a Floresta Amazônica guardava algo muito precioso”

Roberto Evangelista (1946-2019)

 

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