Nonato Tavares de volta ao Festival de Teatro da Amazônia

Quinze anos depois de conceber a ideia do primeiro FTA, o veterano artista foi convidado para a diretoria artística da 14ª edição, que começa nesta quarta (9)

Manaus – Tudo pronto para começar a 14ª edição do Festival de Teatro da Amazônia (FTA), da Federação de Teatro do Amazonas (Fetam), que este ano conta com a direção artística do criador do evento, o ator e diretor teatral Nonato Tavares. Em 2019, o festival será realizado a partir desta quarta-feira (9) até domingo (13), no Teatro Amazonas, Casarão de Ideias e Ateliê 23.

Nonato Tavares (à esquerda) posa com os demais integrantes da coordenação do Festival de Teatro da Amazônia (Foto: Divulgação)

Neste ano, houve recorde de 134 inscrições de todo o Brasil, em um período de uma semana. Dessas, 13 espetáculos compõem a programação do FTA, com 8 produções da região amazônica.

Quem vê tanto burburinho em torno dessa ação, que já faz parte do calendário anual das artes no Estado, talvez não saiba que o festival tem criação e concepção de um dos artistas teatrais mais importantes do Amazonas e da região Norte: Nonato Tavares. Quando criou o FTA em 2004, ele era presidente da Fetam, que se reestruturava após três anos sem atividades. Para Nonato, destinar suas energias novamente para o festival tem um forte significado.

“Fiquei contente com o convite para assumir a direção artística do festival e, assim, retomar um trabalho de parceria com a federação, mesmo não estando totalmente de acordo com as definições acerca do formato dessa edição, que teve início com a necessidade de dialogar com os artistas e representações da Região Norte”, avalia.

Para o ator e diretor, também cenógrafo de categoria, o quadro artístico e de engajamento no teatro amazonense mudou consideravelmente, 15 anos após o primeiro FTA. “Eu diria que mudou quase tudo, da forma de produção ao tipo de engajamento político inerente ao fazer teatral. Esse engajamento, por sinal, é a única coisa que não muda no teatro em qualquer época e lugar, vai continuar aí, refletindo o que a sociedade muitas vezes ainda não percebeu ou ainda não quer ver”, ressalta Nonato Tavares.

Sobre as transformações e crises na área da cultura, o artista revela: “Superam-se as crises com estudo e persistência. E vontade de dizer algo que desperte a reflexão, a visão crítica e a transformação do momento em que vivemos”.

A programação deste ano do FTA já reflete a contribuição e experiência de Nonato Tavares, mas a Fetam guarda surpresas para artistas e público que comparecerem aos cinco dias do festival. É o que garante Tércio Silva, presidente da entidade. “Teremos encontros e debates com artistas e público, não somente na parte formativa, como na de intercâmbio e festividade. Será diferente das últimas edições”, garante.

Carreira

Nonato Tavares começou a atuar em teatro de bairro, no início dos anos 1970. “O primeiro grupo que participei foi o Grupo de Teatro Liberdade. Depois, fui convidado para fazer parte do Tesc (Teatro Experimental do Sesc), em 1975, com o espetáculo ‘Dessana, Dessana’, de Márcio Souza e Aldisio Filgueiras, o que decididamente foi a descoberta de um novo mundo, um novo olhar sobre a realidade na qual eu estava inserido”, relembra Nonato.

Mesmo com quase 50 anos de carreira, Nonato Tavares não contabiliza o número de peças e projetos dos quais fez parte. “Quanto aos espetáculos, não sei quantos foram, apenas que todos foram muito significativos, pelos questionamentos do momento social e político da época, ali inseridos. E sempre tentando ficar o maior tempo possível em cartaz, para explorar todas as possibilidades de público, em diferentes espaços, sejam convencionais ou alternativos”, comenta.

Um dos maiores feitos de Nonato Tavares é a resistência por meio da condução da Cia. Vitória Régia, um dos grupos mais premiados e experientes do teatro no Amazonas. Tanta história rendeu a publicação de um livro, lançado em 2016, como homenagem ao artista, intitulado ‘Nonato Tavares: Teatro, Memória e Resistência’, da Editora Valer, escrito pelos jornalistas culturais Rosiel Mendonça e Jony Clay Borges.

Como um homem de seu tempo, Nonato Tavares presenteará seu público com um novo espetáculo para 2020. Trata-se da encenação de rua ‘Carnaval Rabelais’, de Márcio Souza e Aldisio Filgueiras. Nonato busca em suas reminiscências a força motora para ‘re-existir’, voltando a pensar o Festival de Teatro da Amazônia e a encenar obras de antigos parceiros, que somaram-lhe a ser o grande artista que é hoje, eternamente marcado para a história do teatro amazonense.