O novo olhar ‘delas’ por trás das lentes

Jovens amazonenses contam suas histórias, inspirações e como é ser uma mulher fotógrafa, em Manaus

Manaus- A fotografia é uma das artes que sempre foi atrelada a avanços, desde os tecnológicos até aqueles que englobam filosofias e pensamentos. E é justamente essa segunda parte que reforça, ainda mais, seu caráter como arte.

Como provam as histórias de novos nomes locais dessa área, que demontram a ascensão da fotografia feminina na capital como Amanda Monteiro, Nay Brilhante, Caroline Lins, Lola, Laryssa Gaynett, Morgana Rodrigues e Alessandra Reis, cujas histórias, apesar de semelhantes, ressaltam a pluralidade e o status que o registro por meio de imagens estáticas ainda mantém, em pleno século 21.

Fotografia de smartphone

Conhecida nas redes sociais como ‘mandis’, Amanda Monteiro, 20, teve seu início na fotografia há quatro anos, sendo um ano e meio com uma câmera profissional. “Foi totalmente por hobby e nem imaginava que tomaria as proporções de profissão que tem, hoje. Comecei fotografando com meu celular e tendo um público em redes sociais. Alguns seguidores foram querendo ser fotografados e virando clientes. Tudo foi rolando bem orgânico. Quando vi, já era um trabalho e eu estava recebendo por isso”, lembrou. Tendo seu estilo como fashion e retratos, seu público é misto e vai de lojas que precisam de material fotográfico a pessoas comuns que querem retratos.

Para ela, é a necessidade de expressão artística e a necessidade que sente de ir além do que foi dito como “fotografável” ao longo dos tempos que a motiva a fotografar. “Eu gosto de fotografar gente. Não modelos. Pessoas comuns como eu, você, o seu vizinho ou a dona Maria do mercadinho. Isso me inspira. Sempre fiz o que eu amo. Não se vai longe fazendo um trabalho vazio onde você não enxerga o ponto ou o que o fotógrafo quis passar ali. Eu estou caminhando pra evoluir cada vez mais como profissional, e espero um dia ser referência em fotografia de moda, que é o que amo fazer”, disse.

Cliques urbanos e musicais

Dona do De olho na cena, Nay Brilhante tem 22 anos e é inspirada pelo seu próprio público. “Eu comecei fazendo fotos e guardava pra mim, mas sempre tinha alguém que me pedia a foto e eu passava, não cobrava nada até que, uma vez, teve uma pessoa que me chamou pra fotografar um show e foi lá que eu ganhei o meu primeiro dinheiro com a fotografia. Eu gosto muito de fotografar shows, então o que me inspira é o meu público que gosta das minhas fotos. Saber que eu tenho uma marca, saber que se eu fizer uma foto as pessoas vão saber que fui eu que fiz por eu ter outro olhar”, falou.

“Eu trabalho em show de rap em Manaus, sou muito apaixonada por gostar da área, sempre tenho elogios e praticamente todos gostam. Na verdade, fui incentivada pelo me padrasto, já deve ter uns oito anos, mas ganhar dinheiro mesmo com a fotografia, (tem) dois anos. Gostava de fotografar paisagens porque eu não tinha contato com pessoas por eu ser tímida, depois disso, comecei a fotografar shows, bem quieta, já que eu não gostava de falar com ninguém. No final, sempre tinha alguém pedindo foto e assim fui ficando conhecida na área que eu fotografava”, falou.

Mesmo após a caminhada de quase uma década, Nay se considera no início. “Fiz minhas fotos, conheci pessoas. Eu ainda estou no começo e pretendo fazer a fotografia como o meu trabalho fixo, viajando com bandas e grupos dos estilos musicais que eu gosto, ganhar dinheiro fazendo o que eu amo e com o que amo, é onde eu quero chegar”, planeja a profissional.

‘Fine art’

Gênero da fotografia que mescla o real com o surreal, o ‘fine art’ é a especialidade de Caroline Lins. Há mais de cinco anos, o hobby de Carol tornou-se o trabalho e fonte de renda da jovem de 20 anos que, hoje, é um dos nomes mais conhecidos, em Manaus. “Meu início foi como o da grande maioria das pessoas. Era um hobby que eu tinha e fazia muito nas horas vagas. Eu criei uma página no Instagram onde eu postava as fotos e alimentava sempre, aprimorava com bastante criatividade. Aí vi uma porta e a possibilidade de ser minha profissão”, começou.

“Tinha uma demanda muito grande de pessoas querendo meu trabalho, então, eu analisei o mercado, estudei para então começar a trabalhar como eu faço hoje em dia, que consigo me sustentar com a fotografia. Eu sempre fiz tudo com muito amor. Sempre me doei pela arte. Fazia aquilo porque eu amava e a prova é que a galera comprava a minha ideia e estilo, o jeito que eu fazia minhas fotos”, confessou. Sempre realizando produções voltadas à fantasia, hoje em dia, Carol se coloca em seu próprio estilo: como retratista feminina.

Um pouco de fine art. “É sempre algo bem delicado. Trabalho com books de 15 anos, gestantes, ensaios femininos no geral, masculino e casais”, contou.

Atualmente, Caroline vive da fotografia e se diz ser feliz e grata. “Tem pessoas do Brasil todo que conhecem meu trabalho. Estou com uns projetos, para tentar levar mais informação e incentivar pessoas pro ramo. Comecei com um canal no YouTube, vou fazer workshop e meu planejamento é viajar o Brasil dando aulas e fazendo exposições e, claro, fotografando. Você tem que saber onde estar, mas não se deixar levar por isso. Saber que tem um bom trabalho, mas não se sentir superior e não menosprezar. Criar laços e ser gentil, humilde”, finalizou.

Foco nas passarelas e telas

Inspirada pelo pai, Lola tem um foco bem alinhado e estabelecido. “Eu fotografo há, exatamente, cinco anos, quando ganhei a minha primeira câmera de aniversário. Aliás, ela vem sendo minha companheira desde então. Me chamo Carol, mas o meu nome artístico é Lola — bem diferente, né? Algumas pessoas me chamam até pela arroba, que é zerololita. Tenho 21 anos de idade e moro em Manaus há sete anos”, começou.

“Eu fui completamente influenciada pelo meu pai. Ele adorava fotografar qualquer coisa que visse pelo caminho. Mesmo antes de eu ganhar a minha primeira câmera, já fazia fotos pelo meu celular, e me lembro de sempre escutar ‘nossa, você é fotógrafa?’, ‘devia fazer alguma coisa na área de fotografia’, ‘você leva jeito pra coisa’. Então, assim que ganhei a câmera, já fui correndo atrás pra aprender mais sobre e sair fotografando por aí”, lembrou.

“Eu sempre tive uma paixão por editoriais de moda. Sempre amei aquelas fotografias diferentes, de mulheres com roupas diferentes, e todo o conteúdo em si. Lembro que, quando era mais nova, corria pra banca pra comprar a Vogue do mês e, folheando o editorial, ficava me perguntando ‘poxa, quem é a pessoa que tá por trás fazendo essa fotografia acontecer? Porque eu quero ser essa pessoa’. Isso de fato me inspira e me motiva a continuar”, confessa.

Apesar de seu amor pela fotografia de moda, Lola sempre varia, e, hoje em dia, ela não se define em um estilo específico. “Descobri que sou apaixonada por fotografia de cinema, então, estou sempre fazendo vídeos por aí. Mas uma coisa é certa, eu amo fotografar mulheres e esse é o meu público-alvo. Atualmente, 90% das pessoas que me procuram pra fotografar são mulheres, justamente porque isso já se tornou caricato meu”, salientou.

Ao pensar no futuro, a amazonense de coração se vê longe. “Me vejo fotografando em editorias de revistas, ou sendo diretora de fotografia de algum filme. Sei que estou muito longe ainda, mas continuo na luta. Todo dia tem um novo ‘Demogorgon’ pra destruir. Alguns eu levo mais tempo pra derrotar, porém, nessa eu vou conseguindo até onde quero chegar”, refletiu.

Ao natural

Laryssa Gaynett tem aquela chamada ‘alergia’ aos padrões. Com 21 anos e fotografando desde os 18, a brincadeira com as amigas virou mais que coisa séria. Fugindo e relutando contra os padrões, Lary traz nos registros seus pensamentos e ideologias.

“No geral, pessoas me inspiram. A relação de cada um, tão expostos por meio da fotografia, o quanto ‘padrões’ são presentes nos nossos julgamentos, o quanto uma pessoa se sente bem se reconhecendo pelo olhar de quem está atrás da câmera, além das trocas que a fotografia possibilita, mas meu trabalho anda um pouco indefinido, é um momento de busca, porém gosto de dizer que ele é natural. Sem muita firula, sem muito retoque, ele é porque é”, salienta.

“Meu começo foi bem ‘em teste’. Pratiquei bastante, testava várias coisas; chamava as amigas pra fazer foto, pra saídas fotográficas e era tudo muito hobbie, sem compromisso. Aos poucos foram perguntando quanto eu cobrava pra fotografar ensaios, aniversários e as indicações iam acontecendo”, disse. “Hoje, meu público tá um pouco dividido, mas no todo, recebem muito bem. Ganho dinheiro com isso e sim, é possível viver de fotografia! A autonomia que ela (fotografia) te permite de você mesma fazer seu ‘salário’ é muito válida e te faz repensar em tudo. Infelizmente, nem tudo são flores. Em alguns momentos, não se pode selecionar ‘job’, por conta dos boletos e se for fazer só o que gosta, a renda cai. Mas a lição é aprender a gostar da forma que é fazendo o seu melhor e vendo o lado bom de tudo”, refletiu.

Em sua visão, o crescimento é como uma escada, que você sobe devagar. “A gente vai construindo degraus. De ‘job’ em ‘job’, de contato em contato. Começamos de baixo mesmo, com o que tem e da forma que pode, até que seu trabalho começa a ser reconhecido e você faz coisas que nem imaginaria. Pretendo aprofundar nos estudos e aprender mais”, continuou.

Estilo de vida

Utilizando seu próprio nome como sua marca, Morgana Rodrigues começou a usar ‘o modo manual’ há seis anos. Com 21 anos de idade, o amor pela fotografia começou em uma aula de artes, quando o professor solicitou para que os alunos que já tivessem câmeras fotografassem um projeto. “Foi quando eu e outra amiga, atualmente fotógrafa também, nos aproximamos e fizemos uma sessão fotográfica com amigas da nossa sala. Criamos um nome para nossa microempresa e lançamos no Facebook para ver o feedback. Nossos primeiros trabalhos em eventos foi falando para amigos e depois que criamos o Instagram, tudo fluiu rápido de um jeito que não esperávamos. Depois de um tempo cada uma seguiu carreira solo como fotógrafa por termos identidades fotográficas diferentes”, contou.

A parceria não foi para frente, o que não impediu Morgana de continuar registrando o que a encantava. “Ter esse ‘poder’ de transformar os poucos segundos em um eterno momento, um eterno sorriso, qualquer ação emotiva em fotos para recordar depois. Quem acompanha meu trabalho diz que consigo capturar momentos que só conseguem recordar por conta das fotos, por escutar muito isso e por realmente gostar de pegar os momentos mais espontâneos, defino meu estilo como estilo de vida. Devo muito a minha mãe, que me ajuda muito e apoia nas ideias”, mencionou.

Morgana fotografa espetáculos de dança e teatro. Mas considera seu público variável. “Ultimamente, estou focando em crianças e adolescentes e festas de 15 anos. Comecei meus trabalhos com crianças em desfiles que ocorrem na cidade. As mães gostaram do trabalho e foram chamando para outros tipos de eventos e marcando ensaios, e assim uma mãe ia indicando para outra mãe, ia indicando para lojas de roupas infantis e assim cresceu meu trabalho na fotografia infantil”, colocou.

Exigente, a jovem diz nunca estar totalmente conformada com suas fotos ou posição. “Eu nunca estou 100% satisfeita com minhas fotos, a cada evento ou ensaio estou buscando aprender algo novo pra evoluir como fotógrafa e a construção da minha identidade. De junho de 2017 pra cá, despertei minha paixão pela fotografia de palco e sonho em chegar a outras cidades e quem sabe fora do País para fotografar espetáculos”, revelou.

O sentimental

Trabalhando no ramo e sendo uma das peças que está a mais tempo ativas e em serviço, Alessandra Reis começou cedo sua história na fotografia. “Fotografo desde os 13 anos de idade, tendo sido inclusive, a 1ª fotógrafa mulher mais jovem de Manaus. Apesar de estar há dez anos nesse ramo, no fundo foi difícil aceitar a fotografia como algo profissional. Eu sempre tive uma visão artística sobre tudo, mas relutei sobre ser fotógrafa, queria no fundo artes cênicas ou algo mais voltado para o cinema ou música e até produções de eventos de moda”, confessou.

“Há dez anos em São Paulo, organizei um desfile de moda na escola em que eu estudava e fiz o meu primeiro teste enquanto fotógrafa. O prêmio do desfile era um ensaio de moda comigo, foi uma experiência muito bacana e fui desenvolvendo meu conhecimento sobre fotografia de forma bem instintiva. Só depois fui estudar de fato”, relatou.

Mesmo com tanto tempo na área, Alessandra não se define em algum estilo. ”Acredito que gosto de fotografar aquilo que transmite sentimentos verdadeiros, gosto de captar peculiaridades reais das pessoas. Não sou fã de coisas ensaiadas, sabe? Gosto do que é genuíno, que vem de dentro pra fora. Minha inspiração vem do sentir, da liberdade, e tem uma frase de uma amiga que eu admiro muito: “me sentir útil”. Acho que minha inspiração vem disso, da vontade de fazer a diferença nesse mundo, seja em grandes ou pequenas coisas. A inspiração que me guia é a gentileza, é a vida… acho que a vida é a minha grande inspiração”, disse.

Após trabalhar em uma breve experiência com fotojornalismo, Alessandra calcula que gosta de trabalhar com o que ela acredita. “Eu sempre trabalhei com coisas que acredito e com aquilo que me transmite algo bom. Se eu sentir verdade, que vem de dentro pra fora, eu tô dentro! E eu falo de sensibilidade… de coisas do bem! Inclusive saí do fotojornalismo por não ter muito estômago pra fotografar algumas coisas pesadas. Mas admiro quem consegue com maestria. Ainda não cheguei onde quero, mas estou no caminho. Pretendo realizar grandes coisas dentro da fotografia, mas coisas úteis, que façam a diferença dentro da vida dos cidadãos Amazonenses e até Brasileiros”, finalizou.

Aos 16, Ruanna Cintra ‘debuta’ na área

Sendo a mais nova entre as fotógrafas entrevistadas, com apenas 16 anos, Ruanna Cintra é, também, a mais recente no mercado. “Eu sempre fui encantada por fotografia e por fazer cliques, mas só esse ano eu dei o passo de criar uma conta no Instagram e investir nisso. Comecei fotografando pequenos eventos de familiares como chás de bebê e aniversários. Não era algo muito certo, tinha vezes que tinha um aniversário pra fazer no mês e, depois disso, só quando uma possível oportunidade batesse na porta. Mas aos poucos comecei a ganhar oportunidade e visibilidade como fotógrafa. Minha motivação é tentar captar mais do que as lentes podem mostrar: Amor, simplicidade, leveza, alegria, são sentimentos que já defini em uma palavra, um ensaio fotográfico, mas o que me surpreende é que cada um é único e marcante do seu modo. Meu público em ensaios fotográficos são famílias, casais, gestantes e crianças”, disse.

No último ano do ensino médio, com vestibulares e outras preocupações, o apoio dos pais para a garota foi mais que fundamental. “Ter o apoio dos meus pais foi fundamental para eu ter chegado até onde cheguei. Mas sei que, grande parte disso foi propósito de Deus. Além de descobrir um novo mundo com fotografia, conheci pessoas incríveis através dela”, lembrou. As portas abertas foram, por assim dizer, um dos motivos para os pais terem sido grandes incentivadores, como salienta a mãe. “Logo que a Ruanna ganhou a câmera, vimos que ela tinha habilidades e que, acima de tudo, é algo que ela ama fazer, um hobby. Vimos que tínhamos que apoiá-la e que a fotografia iria agregar muito na formação de quem ela é, através das pessoas que ela conheceu nesse ramo e de tudo que ela já aprendeu! Eu e meu marido apoiaremos nessa nova caminhada, já que é algo que ela tanto ama fazer”, finalizou.

Amor inspira coletivo Marine, que prioriza jovens casais

As universitárias de Jornalismo Livian Rebeca e Samara Sousa estudavam juntas e a matéria de fotografia as uniu. “Eu já tinha uma câmera e fazia fotos de amigos e cobertura de festas da minha igreja. Sam comprou logo depois do início da faculdade a dela e começamos a fotografar pela Ufam mesmo. Daí um amigo chegou pra mim e falou que queria que eu fotografasse o casamento dele”, lembrou. “A gente foi, morrendo de medo de fazer besteira, ou perder algum momento importante da festa, mas fomos”, disse.

E ainda bem… Hoje, a dupla de amigas soma mais de 15 casamentos realizados. Uma completa o trabalho da outra. “Acho que a gente tem um estilo bem misturado. A sam gosta mais de registrar paisagens e decoração e detalhes. Eu gosto de registrar as emoções das pessoas e a festa depois da cerimônia, a família e tudo mais”, disse Livian.

O público-alvo das moças são jovens que estão se casando e não tem muitos recursos pra investir em álbum de fotografia. “Nossa opção é trabalhar mais o digital do que o impresso, pelo custo-benefício. Tem casal que desiste de fazer orçamento porque acha que não vai conseguir pagar, mas tem pacotes pra todo mundo, o importante é registrar”, disseram.

Apesar de estarem individualmente construindo seus estilos, Samara acredita que há coesão nos trabalhos. “Na marine procuramos sempre trabalhar com casais e famílias nos eventos de aniversário, batizado, formatura. É muito legal porque isso faz a gente acompanhar cada etapa deles”, comemora.

Apesar das situações de preconceito, as jovens fotógrafas exercem sororidade e acreditam na autenticidade do olhar feminino. “Acredito que todo mundo tem um olhar diferenciado, sendo homem ou sendo mulher. Na verdade, tudo depende do seu público, do que o cliente está procurando. Mas é notório, a mulherada vem se destacando no mercado de fotografia de casamento, que até um tempo desses era dominado pelos homens aqui em Manaus. Inclusive, a gente tem várias histórias sobre homens fotógrafos mais velhos que já desprezaram a gente ou tentaram ensinar a gente a usar nossa própria câmera (sic). Então, é maravilhoso que a gente conquiste nosso lugar no mercado, independente de ser mulher ou jovem, temos competência”, finalizaram.

Anúncio