O poder do riso: ator fala sobre trabalho com palhaçaria em ambientes vulneráveis

Gerson Bernardes integra o ‘Plantão Sorriso’ que faz visitas a hospitais de Londrina. Artista participou do projeto ‘Maloca de Palhaç@s’

Manaus Integrante do Plantão Sorriso, que leva arte e humanização a hospitais de Londrina, o artista paranaense Gerson Bernardes é o convidado especial do segundo módulo do projeto “Maloca de Palhaç@s”, realizado pela Fitacrepe Filmes e Artes Cênicas desde a semana passada, com apoio da Manauscult.

Dentro da programação, Bernardes ministrou a oficina virtual “As sutilezas da palhaçaria em ambientes vulneráveis” e também está no elenco do espetáculo “Qual a graça de Laurinda?”, que será exibido pela plataforma Zoom neste sábado (22), a partir das 20h. Saiba mais, clique aqui.

Em relação à oficina, o ator explica que buscou levar aos participantes a compreensão de como a palhaçaria pode transformar ambientes onde se encontram pessoas em situação de vulnerabilidade, levando os palhaços a exercitarem habilidades como confiança, comunicação não verbal, empatia e cuidado.

“O que aprendi até agora é que caminho mais para encontrar e ter consciência destes aspectos à medida que caminho em entender coisas em mim também. Minhas vulnerabilidades, medos, sentimentos, trazidos à cena por meio do Lambreta (meu nome de palhaço), me fazem entender e me conectar melhor na hora de estar nestes lugares”, afirma ele.

– Que papel a arte da palhaçaria pode ter em ambientes vulneráveis?

Entendo a palhaçaria como uma linguagem artística muito capaz de conectar as pessoas com sua humanidade. Por meio da palhaçaria, o artista mostra o que é vulnerável nele próprio e assim pode causar o riso. Este riso tende a formar uma ponte entre as pessoas neste ambiente. Acredito que todas as artes, porque são manifestações humanas, têm essa capacidade, mas a palhaçaria em especial, justamente porque ela se utiliza do que é vulnerável e comum a toda pessoa, e aí cria conexões.

– De que forma a pandemia tem afetado o trabalho de vocês?

Acredito que, de maneira geral, a pandemia expôs ou mesmo escancarou problemas que já tínhamos no modo de nos organizar enquanto sociedade. Algumas coisas, principalmente as discrepâncias sociais, que não se encaixavam e eram deixadas de lado, agora precisam ser olhadas e resolvidas. Tudo isso, em meio ao afastamento necessário para evitar o contágio, faz com que o nosso trabalho, que é de encontro com o público, seja prejudicado. Nosso objetivo inicial sempre foi aglomerar pessoas para gerar encontro. Atualmente, temos que ser criativos para cumprir com nosso objetivo de uma outra maneira.

– Como tem sido a experiência de ministrar a oficina remotamente?

Está sendo um encontro muito diferente do que seria se de maneira presencial, ao mesmo tempo que temos situações maravilhosas que talvez só sejam possíveis porque estamos nas nossas casas para esse momento. Está sendo uma experiência muito rica, muito em virtude da generosidade dos participantes para com o nosso encontro. A pandemia nos traz desafios e, enquanto caminharmos por eles, estaremos aprendendo, mas desejando muito poder estar na presença do público novamente.

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