Pets ajudam a reduzir alergia e obesidade, diz estudo

Pesquisas da Universidade de Alberta mostram que ter um cão, no início da vida, pode fortalecer o sistema imunológico humano

Manaus – Se você precisa de um motivo para se tornar um amante de cães, que tal sua capacidade de ajudar a proteger as crianças contra alergias e obesidade?

“Um novo estudo da Universidade de Alberta mostrou que bebês de famílias com animais de estimação — 70% dos quais eram cães — apresentaram níveis mais altos de dois tipos de micróbios associados a menores riscos de doenças alérgicas e obesidade”, explica o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

Atualizações mostram a eficácia dos bichos em tratamentos. (Foto: Reprodução)

Mas não se apresse em adotar um amigo peludo ainda, pois, definitivamente, há uma janela crítica de tempo em que a imunidade intestinal e os micróbios se desenvolvem em conjunto. E interrupções no processo resultam, no caso, em alterações na imunidade intestinal.

As últimas descobertas baseiam-se em amostras fecais coletadas de bebês registrados no estudo Canadian Healthy Infant Longitudinal Development e baseiam-se em duas décadas de pesquisas que mostram que crianças que crescem com cães têm menores taxas de asma.

“A teoria é que a exposição à sujeira e às bactérias no início da vida — presentes, por exemplo, no pelo de um cão e em suas patas — pode criar imunidade precoce, embora os pesquisadores não tenham certeza se o efeito ocorre em função da presença das bactérias nos amigos peludos ou da transferência humana tocando os animais de estimação”, destaca Chencinski.

Os pesquisadores, no entanto, já deram mais um passo para compreender essa conexão, identificando que a exposição aos animais no útero ou até três meses após o nascimento aumenta a abundância das bactérias Ruminococcus e Oscillospira, que têm sido associadas com alergias e obesidade reduzidas na infância, respectivamente.

Segundo os autores, a presença desses dois microorganismos aumentou duas vezes quando havia um animal de estimação em casa. A exposição aos animais afeta indiretamente o microbioma intestinal — de cão para mãe e para o feto — durante a gravidez, bem como durante os primeiros três meses de vida do bebê. Em outras palavras, mesmo se o cão tivesse sido dado para a adoção pouco antes de a mulher dar à luz, a saudável troca de microbioma ainda poderia ocorrer.

“O estudo também mostrou que a troca de aumento da imunidade ocorreu mesmo em três cenários de nascimento conhecidos por reduzir a imunidade, como cesariana versus parto vaginal, antibióticos durante o parto e falta de amamentação”, diz o pediatra.

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Além disso, o estudo sugeriu que a presença de animais de estimação em casa reduziu a probabilidade de transmissão da Doença Perinatal pelo Estreptococo do Grupo B, durante o parto, que causa pneumonia em recém-nascidos e é impedida por meio de antibióticos durante o parto.

“É muito cedo para prever como esta descoberta vai afetar o futuro, mas não é exagero supor que a indústria farmacêutica tente criar um suplemento desses microbiomas, assim como foi feito com probióticos”, diz o médico.

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