Sonho de adoção é realizado por casal homoafetivo

Três meninas de 5, 8 e 10 anos e um adolescente de 13 foram adotados por Matheus Neeley e Mauro Guimarães

Manaus – Um casal de união homoafetiva conquistou no Brasil a adoção de quatro crianças da mesma família. As crianças, três meninas de 5, 8 e 10 anos, respectivamente, e um adolescente de 13 anos moram atualmente com os pais adotivos em Genebra, na Suíça.

Mauro Guimarães, bancário, natural do município de Itacoatiara (a 176 quilômetros a leste de Manaus) e o economista Matheus Neeley, natural de Genebra, na Suíça, deram início ao processo de adoção ainda em Manaus através de um programa nacional de adoção.

“Começamos nosso processo sobre a adoção em 2014 e, em 2015 já estávamos na lista de espera. Obviamente fomos acompanhados pela Defensoria Pública e a Vara da Infância e da Juventude, os quais fazem um trabalho excelente a respeito da adoção. No cadastro era a nível nacional, ou seja, estávamos dispostos a adotar em qualquer Estado do Brasil e no Amazonas que era a princípio nossa região e onde tínhamos residência. Foi quando fomos chamados pela vara da infância de Barra Mansa (RJ) onde nos foi apresentado o perfil do grupo de irmãos”, disse Mauro Guimarães.

De acordo com Mauro, todo o processo demorou em torno de 9 meses até o casal ganhar o direito de adotar as crianças. Hoje, a família mora nos Estados e as crianças já falam três idiomas.

“Com a adoção definitiva, as crianças tiveram registros de nascença com nossos sobrenomes e nos mudamos para Genebra. Hoje, estamos morando nos Estados Unidos por causa do trabalho de meu esposo, mas temos residência em Genebra. As crianças hoje falam francês, inglês e português, informou o bancário.

Para o casal, quando se fala em adoção, sempre existe uma “pintura linda” mas, na verdade, há também muitas dificuldades além das alegrias. Eles explicam que entre as dificuldades está o desconhecimento das pessoas sobre a relação afetiva com as crianças e também o tipo de vida e convivência que elas tiveram antes da adoção.

“Muitas vezes as informações passadas para os pais não são precisas e, com isso, muitas vezes as crianças apresentam comportamentos e grande problema de aprendizagem, com a falta de informações precisas sobre as crianças. As vezes a criança foi abusada, ou violentada, ou já fez uso de algumas substâncias”, explicam.

Mas, o principal desafio é esbarrar no preconceito e no processo burocrático para adoção por casais homoafetivos.

“Em alguns países encontramos bastante dificuldade e situações constrangedoras por exemplo: documentos oficiais de órgãos públicos e privados são sempre a filiação: nome do pai e nome da mãe, invés de filiação somente. Em lugares públicos e privados como restaurantes e cinemas não existe banheiro de família”, explica Mauro.

O preconceito também está presente em casais que preferem menores de 3 anos de cor branca, sendo que a maioria das crianças que estão para a adoção são negras e com idade avançada, o que acaba diminuindo a chance de serem adotadas.

“Sobre a nossa adoção, trata-se de uma adoção inter-racial: eu brasileiro, meu esposo americano, e nossos filhos negros. Quando adotamos, o Tiago tinha 8, Stefany 4 e meio, Scarlet 3 anos e 6 meses e uma bebê de 11 meses. Até chegarmos a definição de perfil, tivemos que desconstruir muitos mitos e preconceitos que até então achávamos que não tínhamos”, finalizou o pai das crianças.

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