Terapeuta dá três dicas para deixar de ser um cancelador

Rejeição a Karol Conká acende discussão sobre linchamento virtual que pode causar transtornos psicológicos como ansiedade e depressão

São Paulo – Cancelar é o termo utilizado por usuários da web para definir o ato coletivo de reprovar e boicotar personalidades famosas (e até mesmo desconhecidas) que tenham atitudes consideradas moralmente erradas. Em outras palavras, é a nova forma de se referir ao linchamento virtual, prática que não só prejudica a carreira e reputação, como também afeta seriamente a saúde mental do cancelado e pode levar a transtornos psicológicos como ansiedade e depressão.

O julgamento moral sempre existiu, mas com o virtual as pessoas expressam mais aquilo que de fato pensam, sentem e rejeitam, sem filtro e em seu modo mais bruto (Foto: Freepik/@drobotdean)

O caso mais recente é da cantora e apresentadora Karol Conká, participante do Big Brother Brasil 21, que saiu do programa com rejeição de recorde de 99,17% por suas falas e comportamento de “canceladora” com outros participantes, o mesmo que ocorre aqui com ela. Mesmo antes de sua saída, Karol já tinha perdido mais de 200 mil seguidores e impacto negativo financeiro avaliado em cerca de R$ 5 milhões, somando shows, aparições em programas e posts patrocinados suspensos ou cancelados.

Para o terapeuta do Zenklub, Diego Prade, o julgamento moral sempre existiu, mas com o virtual as pessoas expressam mais aquilo que de fato pensam, sentem e rejeitam, sem filtro e em seu modo mais bruto. “O ser humano não é totalmente bom ou totalmente ruim, por isso, cancelar é uma forma de desumanização, você pega uma parte de algo que ela fez e passa a julgar somente com base naquele recorte de uma atitude ou de um período”, analisa.

Para não endossar a prática, tão prejudicial para as relações humanas, o especialista cita três dicas simples:

Não siga a manada

O posicionamento de uma figura de liderança e o consenso coletivo sobre determinado assunto ou pessoa certamente pauta a nossa opinião. No entanto, não é porque muita gente ache aceitável que você, indivíduo, tenha que achar e repetir o comportamento sem questionar. Por isso, antes de comentar sobre um tema que você não tenha conhecimento aprofundado, pesquise. Além disso, respeite o espaço e as redes sociais do outro.

Saia da sua bolha

Em um momento de polarização como o que vivemos, fica cada vez mais difícil se permitir conhecer e se surpreender com outras pessoas, até porque saber lidar com as diferenças é parte fundamental para a construção do respeito. Para isso, um bom exercício prático é conversar, ao menos uma vez por semana, com uma pessoa nova. A menos que o motivo de discordância implique em questões fundamentais, como o direito do outro de existir, vale a pena sair da chamada “câmara de eco”, expressão usada para se referir a diálogos em que só é possível ouvir a si mesmo.

Pratique a escuta empática

No processo do diálogo com o outro, ter a capacidade de escutar é imprescindível para entender que há outras formas de ver o mundo. Pequenas mudanças de atitude numa conversa, como ouvir sem interromper, não falar sobre si, perguntar mais do que interpretar e procurar não aconselhar, podem facilitar o entendimento do próximo e contribuem para deixar sempre o diálogo em aberto. Afinal, se colocar no lugar do outro, por mais difícil que seja em algumas situações, é o caminho para uma sociedade com mais respeito e com relações humanas mais saudáveis.

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