Chicago das artes e da gastronomia

Revista PLUS dá continuidade ao especial sobre a cidade mais americana de todas, nos Estados Unidos

Manaus – Na edição deste domingo (19), a Revista PLUS dá continuidade ao especial sobre Chicago, a cidade mais americana dos Estados Unidos. Aqui, você confere os principais atrativos no que diz a respeito a gastronomia, literatura e cena cultural.

Chicago, a cidade mais americana de todas, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

Tendência

“Se você está vindo a Chicago pela pizza ‘deep dish’, bem, você precisa se esforçar mais”. Assim começa a edição da revista Bon Appétit que elegeu, no ano passado, Chicago como a ‘cidade dos restaurantes’ do ano. O título é justo. Chicago tem uma cena gastronômica pulsante e bem espalhada pela cidade. Este ano, três movimentos saltam aos olhos (e bocas): menus com pratos pensados para serem compartilhados, surgimento de casas mexicanas autorais e fortalecimento da coquetelaria de alto nível. Para você explorar os melhores pratos que a cidade tem a oferecer, sugiro focar em três áreas.

Edgewater

O bairro residencial à beira do lago na zona norte conta com restaurantes locais que fazem valer a viagem pela linha vermelha do metrô. O Income Tax (5959 North Broadway) serve pratos sazonais reconfortantes para dividir e coquetéis clássicos. Prove o coq au vin, o risoto da vez e a tortinha de cebola. Já o Blowfish (1131 W Bryn Mawr Ave.) foca em sushis e lámens feitos à perfeição. Eles não vendem bebidas alcoólicas, mas você pode levar sua própria garrafa de vinho. O forte do m.henry (5707 N Clark St.) é o café da manhã – ou brunch, nos finais de semana -, bem americano.

Logan Square

Bairro jovem artístico da vez, a oeste de Wicker Park, com uma cena vibrante de coquetelaria. Agora no verão, a dica é escolher um bar com mesas a céu aberto e aproveitar bons drinques antes do jantar. Uma boa opção é a dobradinha The Moonlighter (3204 W Armitage Ave.), bar descontraído com cervejas e coquetéis na taça e na jarra, seguido do Giant (3209 W Armitage Ave.), restaurante Bib Gourmand (bom custo benefício, segundo o guia Michelin), também com pratos para compartilhar. O chef Jason Vincent comanda a grelha e faz massas caseiras, além de bons pratos vegetarianos. Outra dica é o Quiote (2456 N California Ave.), restaurante moderno de comida mexicana autêntica, com pratos surpreendentes e um bar no subsolo com mais de 90 rótulos de mezcal (destilado ícone do México, também feito de agave, como a tequila). Prove o bolo de tres leches de sobremesa. Para um passeio mais descontraído, o Parson’s (2952 W Armitage Ave.) reúne o público jovem típico da região para beber cerveja e drinques e comer peixe e frango fritos em um grande quintal com mesas coletivas e luzes de Natal.

West Loop

Na porção oeste do centro da cidade, está a chamada restaurant row, ou fileira de restaurantes, com diversas casas premiadas literalmente uma ao lado da outra, o que torna a região o ponto gastronômico mais conhecido (e mais óbvio) da cidade. No Proxi (565 W Randolph St.), o chef Andrew Zimmerman criou o cardápio sob inspiração de comidas de rua do mundo todo. O melhor prato da casa é o tempurá de elote – versão frita do ícone das ruas mexicanas, milho assado e coberto de queijo, maionese, limão e pimenta. No Avec (615 W Randolph St.), com ambiente mais intimista e mesas compartilhadas, a inspiração vem de pratos mediterrâneos. Prove a cremosa brandade de bacalhau, servida com pão rústico artesanal.

Outras regiões

Fora desses pólos, outras casas merecem destaque. Em River North, a Beacon Tavern (405 N Wabash Ave.) tem clima de happy hour com boa comida – prove a torrada de brioche com camarão, regada com molho de manteiga, limão e trufa. O Three Dots and a Dash (435 N Clark St.) tem a entrada escondidinha em um beco. Lá dentro, no subsolo, um paraíso tropical que serve drinques tiki, com muito rum e tequila e a tradicional decoração havaiana-polinésia de flores e frutas que beira a total cafonice.

Em West Town, o Beatnik é o lugar da vez para brunch. Super concorrido (impossível sentar sem reserva), é um restaurante um pouco balada. Tem diversos ambientes e decoração que só consigo descrever como eclética e ostensiva – há lustres gigantescos, tapetes bordados, sofás, plantas frondosas e uma longa estrutura de madeira entalhada digna do que imagino que foi o quarto de Xerazade. A comida tem inspiração em pratos do Mediterrâneo e do Oriente Médio. Vale provar o chai cinnamon roll.

Na Magnificent Mile, uma boa opção para o almoço é o Café Spiaggia (980 N Michigan Ave., 2º andar), com ambiente inspirado no cinema e pratos autênticos italianos – da burrata com crudos da entrada às massas caseiras. Em Lincoln Park, o Naoki Sushi (2300 N Lincoln Park) carrega aura de mistério – é preciso passar por dentro da cozinha de outro restaurante para se chegar a ele. Intimista e com serviço impecável, serve sushis, sashimis e niguiris à perfeição, feitos com ingredientes sazonais. Para os vegetarianos, o chef cria na hora peças surpreendentes com os vegetais da estação (até hoje sinto saudades do sushi de picles e flores de abóbora).

Livraria

Em Andersonville, bairro sueco na zona norte, está a livraria feminista Women & Children First (womenandchildrenfirst.com). São mais de 30 mil títulos escritos por e sobre mulheres, além de volumes infantis que abordam temas como gênero e raça. Aberta desde 1979, a livraria tem uma intensa programação cultural, com leituras públicas, debates, encontro com autoras e narração de histórias para crianças. O mais legal é navegar pelas prateleiras olhando as dicas da equipe e de outros leitores: são papéis preenchidos à mão e presos embaixo dos livros que contam de forma bem pessoal e descontraída um pequeno resumo daquela obra e por que ela merece ser lida. Aproveite a visita para passear pela Rua Clark, entre as avenidas Foster e Balmoral. Ali está todo o charme de Andersonville, com cafés suecos, confeitarias, antiquários, brechós, o bar de cervejas mais legal da cidade (o Hopleaf) e uma loja superdescolada que estampa camisetas e outras peças na hora (Strange Cargo Tees, ótima para souvenirs).

Museu

No centro comercial está o American Writers Museum, totalmente interativo, que celebra escritores americanos. A visita, que leva cerca de uma hora, começa com uma linha do tempo da literatura dos Estados Unidos, passa por citações (expostas em texto, som e até aroma) de grande obras, em gêneros que vão desde a poesia clássica até letras de rap, passando por artigos culinários e textos jornalísticos, e termina com jogos sobre o processo criativo da escrita. É possível votar nos seus livros americanos preferidos e participar da criação de uma história coletiva que vai sendo escrita durante o dia em máquinas de escrever. Ingresso a US$ 12: americanwritersmuseum.org.

Jazz e blues

O jazz e o blues chegaram a Chicago com os negros vindos da zona rural do sul dos Estados Unidos. Desde então, os ritmos fincaram pés na cidade, criaram raízes e, nos anos 1950, Chicago já contava com seu estilo próprio de blues, com grandes nomes como Buddy Guy, Muddy Waters e Willie Dixon. Uma exposição em cartaz até 2019 no Museu de História de Chicago (US$ 19; chicagohistory org) conta a história do Chicago Blues por meio de fotografias e atividades interativas, como karaokê e um simulador de guitarra.

Para ouvir boa música e dançar a noite inteira, jogue-se nas casas especializadas. A B.L.U.E.S. é intimista, para sentar e ouvir enquanto beberica um drinque (US$ 5 a US$ 10; 2519 N. Halsted St.). Logo ao lado fica a Kingston Mines, com dois salões, duas pistas, duas bandas e muito espaço para dançar (US$ 12 a US$ 15; 2548 N Halsted St.). O Green Mill, meu preferido, data de 1907. Mas sua fama se fez mesmo nos anos 1930, durante a Lei Seca americana. Um dos comparsas de Al Capone se tornou sócio da casa, que virou ponto de encontro de músicos, poetas e gângsteres. A máfia construiu túneis subterrâneos (que infelizmente não estão abertos a visitação) para criar rotas de fuga e levar bebidas para dentro do bar. Hoje, a aura do passado se mantém na decoração e na programação, que vai de leituras poéticas a sessões intimistas de jazz, voz e piano. O dia mais animado é quinta-feira, com pessoas de todas as idades dançando ao som de uma grande brass band. (US$ 4 a US$ 15; 4802 N Broadway St.). Untitled Supper Club é um misto de cabaré, restaurante e bar de uísque. Gigantesco e imponente, se espalha por quatro salões no subsolo. Além de músicos, performances burlescas animam a noite. (111 W Kinzie St.). Na beira do rio está o River Roast (315 N LaSalle St.). Aos sábados e domingos, das 12h às 15h, rola brunch com blues. No cardápio, carnes assadas – é possível pedir um frango inteiro ou costelas de porco – trazidas inteiras da cozinha para serem cortadas à mesa.

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Chicago, a cidade mais americana de todas, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

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