Seu guia definitivo do verão em Chicago

Descubra passeios para entender a ‘aura’ de Chicago, a mais americana das cidades dos Estados Unidos. Arquitetura está entre os diferenciais

Chicago – Chicago é uma cidade para quem gosta de se maravilhar com o que seres humanos são capazes de fazer. Não falo apenas de arranha-céus e prédios mirabolantes – apesar de haver as duas coisas por lá. Falo também da grandiosidade cultural que vem da capacidade humana de se reinventar.

A mais americana das cidades é também a cidade da arte, que se espalha por todo lugar: prédios icônicos, esculturas a céu aberto, artistas de rua tocando blues, grandes musicais, clubes de comédia, gastronomia vibrante.

De terra das cebolas selvagens – a interpretação francesa ‘Checagou’ da palavra indígena ‘shikaakwa’, que denomina um tipo de cebola selvagem comum na região, deu nome à cidade – a entreposto comercial fluvial e ferroviário, Chicago crescia velozmente até ser destruída pelo Grande Incêndio de 1871. Depois do fogo, veio a reconstrução.

Novos bairros foram desenhados e o projeto urbanístico e arquitetônico foi repensado com ruas mais largas e de pedras (antes, muitas tinham piso de madeira, o que contribuiu para o fogo se alastrar), parques, melhor comunicação com o Lago Michigan e o rio. Em 1893, a cidade recebeu a Exposição Universal, criada para mostrar os avanços tecnológicos das nações. À frente do projeto estavam os arquitetos Daniel Burnham e Frederick Law Olmsted, que abriram caminho para Chicago se tornar famosa por sua arquitetura urbana.

De lá para cá, foram as ondas migratórias que modelaram a cidade Negros do sul dos Estados Unidos, moradores de outros Estados do Centro-Oeste e imigrantes de países como Polônia, Suécia, China, Tailândia e México criaram bairros próprios. Chicago lida até hoje com as questões criadas pela separação de brancos ao norte e negros ao sul do rio.

O próprio Rio Chicago, que corta o centro da cidade, foi modificado. Em 1900, seu curso foi invertido (sim, invertido) para evitar que os dejetos de matadouros e açougues chegassem ao Lago Michigan. Agora, o rio corre do lago para o Mississippi. Ele também foi despoluído e ganhou o Riverwalk, passeio público que segue as margens da água. Quando estiver pelo centro, desça as escadas próximas às pontes e ande pelas margens para ver a cidade de outro ângulo – e beber uma taça de vinho na City Winery (11 W Riverwalk South).

No clima

Até o fim de agosto, em pleno verão, Chicago fica com aura de férias, cheia de vida, shows gratuitos ao ar livre, praias e parques lotados, festivais gastronômicos com comida de rua – confira a programação em choosechicago.com.

Caminhe ou pedale pela orla do Lago Michigan, parando na grama ou nas praias para curtir o movimento. Comece pela parte norte do Lincoln Park, onde há uma das mais belas vistas do skyline da cidade, e desça até o Navy Pier, onde foi construída a primeira roda-gigante do mundo. Você pode alugar uma das mais de 6 mil bicicletas do sistema Divvy (divvybikes.com); o passe diário custa US$ 15.

Outra forma fácil e eficiente de explorar a cidade é de metrô. O sistema em ‘L’ das linhas do centro comercial batiza a região: The Loop. Os trilhos suspensos de ferro desenham a paisagem e oferecem boa vista para a arquitetura – principalmente as linhas marrom e rosa. O passe para sete dias com viagens ilimitadas de ônibus e metrô custa US$ 33 (metrarail.com).

O Chicago Greeter conta com uma rede de voluntários que fazem passeios guiados para grupos de até seis turistas em diferentes áreas da cidade, em diferentes idiomas, inclusive português. Com pelo menos dez dias de antecedência, entre no site chicagogreeter.com e faça sua reserva: você indica os dias disponíveis, suas áreas e locais de interesse e eles sugerem um passeio. Foi assim que conheci Howard Haik, americano que já morou no Brasil e há 15 anos participa como voluntário, fazendo tours em português. Ele guiou o grupo de jornalistas que viajava comigo por todo o Millennium Park.

Para você mergulhar de cabeça na cidade das artes, dividimos o roteiro em duas partes – a segunda você confere na próxima edição da PLUS – e por diferentes formas de expressão. Como você gosta de se comunicar com o mundo? Como você prefere absorvê-lo? Neste primeiro momento, você confere as curiosidades da arquitetura de Chicago.

Loop a pé

É caminhando pelo centro, o Loop, que você entende a aura de Chicago. Os marcos arquitetônicos se revelam em construções neoclássicas e modernas, trilhos suspensos, esculturas grandiosas, prédios históricos. O edifício Marquette (56 W Adams St.), de 1895, é um dos melhores exemplos do estilo arquitetônico desenvolvido em Chicago, com estrutura de ferro, linhas horizontais marcadas e janelas padronizadas. No hall, mosaicos originais contam a história da cidade e há uma pequena exposição sobre arquitetura. O Rookery (209 S LaSalle St.) tem lobby redesenhado pelo famoso arquiteto Frank Lloyd Wright nos anos 1900. O Monadnock (53 W Jackson St.), do fim do século 19, carrega dois estilos: a porção norte é mais densa, de alvenaria; a sul aparenta mais leveza, feita com estrutura de aço. O primeiro andar é tomado por lojas e cafés; é como voltar no tempo. O Centro Cultural de Chicago (78 E Washington St.), de onde partem os tours feitos pelo Chicago Greeter, recebe exposições, palestras e recitais gratuitos. Vale entrar para ver o salão em homenagem aos generais da Guerra Civil e, especialmente, o domo de vitrais Tiffany, o maior do mundo.

Skyline pelo rio

Entenda a arquitetura da cidade em um tour guiado pelo Rio Chicago. Durante 90 minutos, o barco da First Lady percorre os braços norte e sul do rio enquanto um voluntário da Fundação de Arquitetura de Chicago (CAF, na sigla em inglês) aponta e conta as histórias dos prédios mais importantes. A chegada ao Navy Pier ainda reserva uma bela vista da cidade. Custa US$ 44,48: cruisechicago.com/architecture-tours.

Gold Coast de bicicleta

Fiz o tour guiado de bicicleta Lakefront Neighborhoods da Bobby’s Bike Hike (bobbysbikehike.com; US$ 42,75). O passeio de três horas atravessa bairros rente ao lago, ao norte do Loop, enquanto o guia Elliot Cruz contava a história de Streeterville; da rica Gold Coast, com suas mansões, incluindo a mansão Playboy original, que já foi até dormitório estudantil antes de virar mais um prédio de apartamentos de luxo; da histórica Old Town, que abriga a bela igreja St. Michael; e do Lincoln Park. Mesmo não tendo prática com o pedal, foi um dos meus passeios preferidos. Fiz amigos e até paramos para tomar uma cerveja.

Casa da pradaria

A casa projetada pelo célebre Frank Lloyd Wright é hoje propriedade da Universidade de Chicago, na zona sul da cidade. Wright foi o pioneiro da chamada Prairie School, estilo arquitetônico do meio-oeste americano em que as casas são marcadas por linhas horizontais, que conversam com a paisagem da pradaria (prairie, em inglês). A casa construída entre 1909 e 1910 para a família Robie é um marco desta escola e, hoje, está aberta para visitas guiadas (US$ 18; flwright.org). Aproveite a visita para dar uma volta pelo campus, ver a capela e a biblioteca central, o prédio da escola de negócios e o museu do Instituto Oriental.

Vista do alto

Com 520 metros (110 andares mais as antenas), a Willis Tower (233 S Wacker Dr.) é o segundo maior prédio dos Estados Unidos. O observatório Skydeck fica no 103º andar e conta com três caixas inteiramente de vidro que se projetam para fora do prédio, dando a sensação de pisar no vazio. Custa US$ 24; theskydeck.com. O John Hancock Center (875 N Michigan Ave.) abriga no 94º andar o 360 Chicago, que tem vista para o lago (ingresso a US$ 23), e o Tilt, plataforma de vidro que se inclina para fora do prédio com oito visitantes por vez (US$ 8; 360chicago.com). Compre online para evitar a fila. E, se for o caso, um passeio pelos ares mostra a cidade desde a zona sul até o Wrigley Field, campo de beisebol e casa dos Cubs. O tour de 15 minutos da Chicago Helicopter sobrevoa a linha da margem do Lago Michigan. Custa US$ 158: chicagohelicopterexperience.com.

Anúncio