Vilão de ‘Escrava Mãe’, diz que se sentia mal ao ‘chicotear escravos’ durante gravações

Novela será reprisada a partir desta terça (18), às 15h45 (horário de Brasília), após o último capítulo de “A Escrava Isaura”, na tela da Record

São Paulo – Quem vir as cenas do vilão Almeida em “Escrava Mãe” (Record), interpretado por Fernando Pavão, 49, sentirá um aperto no estômago pela forma como o inescrupuloso senhor do Engenho trata os escravos. E isso também acontecerá com o próprio ator. Segundo ele, será angustiante rever as cenas da história de Gustavo Reiz, que será reprisada a partir desta terça-feira (18), às 15h45, após o último capítulo de “A Escrava Isaura”.

(Foto: Divulgação/Record TV)

“Gostei muito do meu trabalho nessa novela. Só que eu tive que fugir dos julgamentos, já que Almeida falava e fazia coisas pesadas. Me sentia mal de fazer algumas cenas, como as que tinha de chicotear os escravos. Apesar de mostrarmos uma época em que isso acontecia com normalidade, me incomodou um pouco”, afirma Pavão, que está no elenco de “Gênesis”, novela da Record que será exibida após término de “Amor Sem Igual”.

O ator se diz feliz por rever a trama que ele considera uma das principais de toda a sua carreira. “A assisto na Netflix, onde está disponível. Gosto de ver, dou uma olhada nos meus trabalhos, é uma referência. O Almeida é um papel que te permite tudo. Foi o personagem que mais gostei de fazer”.

Na trama, exibida originalmente em 2016, Almeida é dissimulado, preconceituoso, frio e calculista. Seu principal rival é o coronel Quintiliano Gomes (Luiz Guilherme), dono da fazenda Doce Campo. Ele gosta de jogos e tem fraco por bebida. Vai se revelar um sujeito sanguinário e vingativo quando fica obcecado pela escrava Juliana (Gabriela Moreyra).

Na visão de Pavão, a história, rica em conhecimento, pode ser uma chance para ajudar a fazer refletir sobre racismo. “Para mim, a sociedade está bem perdida e ninguém se atenta para essas questões. Mas é uma maneira de refletir pela brutalidade e violência como brancos encaravam os negros. Uma pessoa mais atenta e sensível de repente pode começar a entender de onde começou tudo isso”.

Embora as cenas de seu personagem tenham sido difíceis de fazer, o ator afirma que rever a trama lhe trará boas memórias por rever amigos e lembrar de histórias nos bastidores. “A convivência era maravilhosa. É como se fosse um resgate. Parecia turma de colégio, pois estávamos todos morando em um flat próximo a Paulínia (a 119 km de São Paulo), onde a novela foi gravada”.

“O clima na gravação era ótimo, e de noite, ao tomarmos um vinho, lembrávamos com carinho sobre o que cada um havia feito”, lembra o ator que comenta que até hoje há um grupo de WhatsApp com os amigos que fez na novela.