Um ensaio sobre a vida humana com o Ceta

Escrita pelo irlandês Samuel Beckett, ‘Fim de Partida’ marca o retorno aos palcos do Coletivo Experimental de Teatralidades (Ceta), no Usina Chaminé. Apresentações começam, nesta sexta-feira (15), às 19h

Manaus – A apresentação da peça teatral ‘Fim de Partida’, escrita pelo irlandês Samuel Beckett, marca o retorno aos palcos do Coletivo Experimental de Teatralidades (Ceta), no Centro Cultural Usina Chaminé, nos dias 15 e 22 de fevereiro, às 19h, e 1º de março, às 18h30. A classificação é de 16 anos e os ingressos serão vendidos uma hora antes da montagem, aos valores de R$ 5 (meia-entrada) e R$ 10 (inteira).

A obra, que tem a direção de Victor Oliver e preparação corporal de Karine Magalhães, marcou a época modernista europeia, no Século 20, e é ambientada em um período pós-guerra. O espetáculo acompanha a história de Hamm (Saile Moura), que está em uma cadeira de rodas e é cego; seu ajudante Clov (Stephane Bacelar), que sofre de uma doença que o impede de sentar; e Nagg (Klau Oliveira) e Nell (Paulo Tiago), pai e mãe de Hamm, que tiveram as pernas mutiladas durante a guerra.

Durante as sessões, o público será disposto em cima do palco, junto com os personagens, para que haja uma correlação entre atores e plateia (Foto: Divulgação/Larissa Martins)

A família vive em condições desumanas, em sua casa, e cria um ciclo de diálogos repetitivos, que esconde o questionamento da existencialidade e revela o estado de desconforto que o clã se encontra. Segundo a produtora de ‘Fim de Partida’, Iris Brasil, a obra foi escolhida por conta das questões política e social do País.

“A peça faz parte do Teatro do Absurdo, um movimento de vanguarda do Século 20, dentro do modernismo, que tratava do período pós-guerra. Nela, conseguimos identificar similaridades com o contexto político atual mundial e do nosso próprio País, que nos fazem criar uma reflexão sobre a vida humana”, explicou.

Durante as apresentações, o público será disposto em cima do palco, junto com os personagens, para que haja uma correlação entre atores e plateia, criando um laço afetivo com os protagonistas. A iluminação do espetáculo, assinada por Lu Maya, simula o confinamento vivido pelo quarteto.

“O público cria um processo de empatia com os personagens, ao mesmo tempo em que a vontade de sair desse ambiente, rumo ao desconhecido, é bem presente. O sentimento de amor e amizade entre eles faz com que nenhum dos quatro saia da casa”, disse a produtora. “A iluminação se baseia em uma proposta intimista, onde o público, no decorrer da montagem, torna-se parte do processo”, completou.

Sobre o coletivo

O Coletivo Experimental de Teatralidades (Ceta) é composto por acadêmicos do curso de teatro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e pelos recém-graduados Iris Brasil, Karine Magalhães, Lu Maya, Stephane Bacelar e Victor Oliver. “Nós buscamos uma trajetória para além da academia e visamos à urgência da pesquisa cênica, em Manaus, assim como a necessidade do fazer teatral como ação disseminadora das artes”, finalizou Iris.