Crianças são resgatadas da casa onde viviam, no Zumbi, após denúncia de maus-tratos

Além dos maus-tratos, a menina de 11 anos relatou que era abusada sexualmente pelo padrasto, enquanto a mãe estava embriagada

Manaus – Uma menina de 11 anos e um menino de três anos foram resgatados, na tarde do domingo (8), após uma tia denunciar que as crianças estavam vivendo em situação de maus-tratos, na casa onde moravam, no bairro Zumbi, zona leste da cidade, com a mãe, que é deficiente visual, e o padrasto, que não tiveram nomes e idades divulgados. A menina relatou, ainda, que era abusada sexualmente pelo padrasto.

Segundo a delegada, eles receberam, ainda, a informação de que essas crianças têm uma irmã, de 13 anos, que não morava mais com eles, mas que também relatou já ter sido abusada sexualmente pelo companheiro da mãe deles (Foto: Divulgação)

De acordo com a conselheira tutelar Iolene Oliveira, do Conselho Tutelar da Zona Leste 1, quando a equipe chegou ao local, foi constatada a situação de vulnerabilidade em que as crianças viviam.

“Encontramos a mãe, juntamente com amigos e o padrasto das crianças, todos embriagados, sem condições nenhuma de, pelo menos, levantar da cama e conversar com alguém. Totalmente desumano uma criança viver naquela casa”, contou.

Após constatarem o fato, as crianças foram levadas para um abrigo. Segundo a conselheira tutelar, a menina, de 11 anos, relatou uma situação de abuso sexual, no qual ela já vivia há cerca de cinco anos.

“Ela relata que o padrasto fazia isso toda vez que a mãe estava alcoolizada, e ela tentava por várias vezes chamar a mãe, mas, devido ao estado dela, ela não reagia. A tia, cansada de escutar os relatos sobre os abusos, resolveu trazer eles até o Conselho e fizemos a denúncia a Depca (Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente)”, disse.

A delegada titular da Depca, Joyce Coelho, afirmou que a mãe e padrasto das crianças foram ouvidos na delegacia, mas, por não estarem em situação de flagrante, eles foram liberados.

“A mãe estava visualmente embriagada, com dois homens também embriagados. Eles estavam deitados na cama. Só que as crianças não estavam no mesmo ambiente, elas estavam na casa dessa tia. Então, não foi visualizado nenhuma situação de flagrante, por isso que eles foram trazidos, para que autoridade policial do plantão averiguasse. Foi instaurado um inquérito policial, levando em conta, principalmente, o que foi dito pela criança e, também, o que foi visto naquele ambiente”, explicou.

As crianças devem passar por uma escuta psicológica, para que a situação possa ser analisada, além de identificar todos os crimes presentes no mesmo caso, para assim ser realizada a tipificação, indiciando cada um com a responsabilidade que lhe cabe, conforme explicou a delegada.

Irmã mais velha

Segundo a delegada, eles receberam, ainda, a informação de que essas crianças têm uma irmã, de 13 anos, que não morava mais com eles, mas que também relatou já ter sido abusada sexualmente pelo companheiro da mãe deles.

“A gente já soube que há outra adolescente, de 13 anos, que também teria sido violentada por ele. Há relatos de violência doméstica dessa mãe, que é deficiente visual e que se disse alcoólatra. Então, por isso que essas crianças não podem ficar nesse ambiente”, acrescentou.

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