‘Não era pirata’, diz filho de homem queimado no AM; ouça os áudios

O homem teve o corpo incendiado no município de Japurá após ser linchado por supostamente agir como ‘pirata do rio’

Manaus – O homem que teve o corpo incendiado na tarde de quarta-feira(6), no município de Japurá (a 744 quilômetros a noroeste de Manaus), após ser linchado por supostamente agir como “pirata do rio”, pode ser inocente. A identidade do homem ainda não foi revelada, mas áudios supostamente do filho da vítima informam que o homem não era um criminoso.

(Foto: Divulgação)

Compartilhados após o crime, os áudios indicam que a vítima estava apenas trabalhando junto com o genro quando foi confundido com um “pirata’ e queimado no porto do município. De acordo com o filho, o pai e o cunhando estavam levando gasolina para um garimpo.

“Não era pirata. Meu pai só estava colocando gasolina na lancha junto com meu cunhado que eles iam para o garimpo levar gasolina e voltar para Tefé, só isso. Os caras chegaram e tacaram fogo no meu pai. Meu pai só trabalha uma vez na vida para ganhar o dinheirinho dele e depois voltar. Graças a Deus eu sou uma pessoa honesta por causa dele. Nunca usei droga na minha vida, nunca cheirei um pó, nunca fumei uma maconha”, diz o suposto filho da vítima.

Nos áudios, o rapaz bastante emocionado continua afirmando que o “pai só queria dinheiro para alimentar a família e mataram ele”. O filho demonstra ter enviando os áudios em algum grupo de WhatsApp e fica revoltado com insinuações de que o pai era “pirata do rio”.

“Meu pai estava apenas querendo sustentar a família dele e eu estou aqui. Eu sou apenas um menino ainda. Eu estou tentando ganhando a minha vida trabalhando honestamente e vocês falando uma coisa dessas. Agora meu cunhado está preso por besteira porque ele estava apenas levando sustento para a família dele”, afirma o jovem.

O homem também lamenta de não ter se despedido do pai porque estava trabalhando. Ele chora ao dizer que não conseguiu dar um “oi, nem um último beijo e um eu te amo” antes da vítima viajar. Ainda de acordo com o filho, ele mora em Tefé e o pai morava em Manaus.

“Os caras ainda falam uma barbaridade de que o meu pai é ‘pirata’. Ele só queria um dinheirinho a mais. Ele estava sem batalha em Manaus porque não estava contratando ninguém para caminhoneiro. Meu pai sempre teve o valor dele com os filhos dele. Ele sempre me ajudou, sempre me deu conselhos e eu sou um menino trabalhador por causa dele. Eu não tive nem coragem de ver o vídeo do pessoal tacando fogo nele”, explica o filho.

Segundo informações da população de Japurá, os suspeitos estariam abastecendo um barco quando foram supostamente reconhecidos pelos moradores. Eles teriam realizado vários assaltos em embarcações na região.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que a Polícia Militar de Japurá foi chamada para atender a ocorrência, controlando o tumulto no porto da cidade e levando dois envolvidos para a delegacia local.

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