Vídeo mostra que homem ficou 3 minutos com criança dentro de provador em Manaus

Rogério Lindoso dos Passos, 31, foi indiciado pelo crime de estupro de vulnerável contra a criança de 4 anos

Manaus –  Rogério Lindoso dos Passos, 31, indiciado pelo crime de estupro de vulnerável contra uma criança de 4 anos, passou cerca de três minutos com a vítima no local. A íntegra do vídeo foi divulgada, nesta sexta-feira (24), pela polícia que constatou que Rogério chamou a criança com gestos, para o provador masculino da loja, onde ele teria levantado a blusa da menina, e cometido o ato libidinoso tocando no corpo dela. Em vista que, esse ato libidinoso configura-se estupro de vulnerável.

A delegada Joyce Coelho, titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), explicou que foi constatado incoerências no depoimento do homem. O crime ocorreu no dia 2 de março deste ano, momento em que a vítima estava no provador de uma loja, situada em um shopping center na zona norte de Manaus.

(Foto: Reprodução)

Diante das provas reunidas, dos depoimentos das partes envolvidas e das testemunhas, a delegada Joyce concluiu pelo indiciamento de Rogério por crime de estupro de vulnerável e ele vai responder se assim o Ministério Público (MP) entender. Ela também explicou que em nenhum momento a vítima cita que houve conjunção carnal, mas sim um ato libidinoso. A criança também passou por todos os exames de corpo de delito.

“Em nenhum momento ela [criança] fala em conjunção carnal. Ela cita atos libidinosos. Atos libidinosos não aparecem em exame de corpo de delito. No mínimo ele praticou uma importunação sexual. Acontece que um ato libidinoso ou uma importunação sexual contra uma criança que é vulnerável é considerado estupro de vulnerável”, disse a delegada.

A íntegra do vídeo mostra a movimentação do suspeito, da criança e da mãe dentro da loja. A delegada Joyce também explicou como ocorreu essa movimentação. De acordo com as imagens da câmera de segurança, Rogério entrou no provador às 17h33. Ja às 17h44, a mãe da menina surge com a criança.

“No momento em que ela [mãe da vítima] pegou as peças de roupa para ela e para a filha, ela se dirigiu até o provador feminino. Naquele momento houve uma distração dela e da filha. A criança ficou distraída com os números em cima de um balcão na entrada do provador. Quando ela [mãe] trocou a primeira peça de roupa, percebeu que a filha não estava no local e começou a gritar pela criança. Ela disse que se desesperou nesse momento. Em seguida, ela saiu rapidamente da área do provador porque acreditava que tinham sequestrado sua filha. Quando ela entra novamente no provador, ela se depara com a criança às 17h47 saindo correndo da cabine masculina e em seguida esse rapaz também sai”, começou a delegada.

Em depoimento à polícia, a mãe contou que ficou desesperada com o desaparecimento da filha e saiu gritando pelo saguão da loja. A menina contou para a mãe que o homem tapou a boca dela para que ela não respondesse aos gritos. A polícia também teve acesso as imagens de parte de fora da loja em que mostram a mulher agachada conversando com a criança.

“Segundo a genitora, a criança ficou em silêncio na hora de relatar o que tinha acontecido. No momento que ela está agachada tentando ouvir o que a filha está dizendo, o homem passou por elas e a criança indicou que era ele. A mãe alegou que a filha foi chamada pelo homem até o provador masculino e contou que ele levantou a blusa dela, e a apalpou. Em seguida, a mãe procurou a segurança da loja e disse dessa maneira ‘moço aborde aquele rapaz porque minha filha disse que ele levantou a blusa dela e ele a tocou’. O segurança passou o aviso pelo rádio e o Rogério começou a ser monitorado pelas câmeras, mas logo se evadiu”, explicou a delegada.

A polícia informou que o primeiro vídeo que ganhou repercussão nas redes sociais foi divulgado pela mãe à uma emissora de TV local, na ansiedade de identificar o indiciado. “Um relatório técnico mostrou que houve uma edição no primeiro vídeo divulgado onde o tempo da gravação foi adiantado”. Essa edição não tem nenhuma ligação com a Depca e com a polícia.

“No dia 21, o shopping cedeu às imagens da câmera de segurança. Em nenhum momento a polícia teve dúvida da identidade dele. Me parece que ele era um profissional reconhecido na área em que trabalhava e naquele dia tinha atendido clientes com a mesma roupa”, informou a titular da Depca.

A delegada Joyce enfatizou que ficou demonstrado tanto no depoimento da criança, quanto no da mãe, que tudo que foi relatado é compatível com todos os fatos. Em especial, com as declarações prestadas pelo segurança que foi acionado, pela gerente da loja e pelo administrador do shopping. “Então não houve nenhuma incoerência no depoimento da denunciante, mas sim houve incoerência na defesa e no indiciado”, disse.

Não existem câmeras no interior da cabine do provador por constituir exagero e violação da intimidade das pessoas. De acordo com artigo 5º da Constituição federal, em seu inciso X, preceitua que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

Defesa de Rogério

A polícia informou que em um primeiro momento Rogério não foi localizado no seu endereço e a casa estava fechada. Ele chegou a deletar as suas redes sociais e nem a família sabia do seu paradeiro.

“O advogado dele compareceu à Depca, foi condicionado pela defesa do investigado que nós{polícia] concedêssemos o depoimento gravado da criança. A Depca não concede o depoimento gravado da vítima. Uma cópia do relatório foi cedido a defesa”, disse a delegada.

“Ele negou todos os fatos e disse que naquele dia chegou no shopping, passou em uma barbearia, depois foi para a loja. N aloja, ele pegou duas calças e foi para o provador. Segundo ele, não viu a mãe, nem a criança e nunca passou por elas no provador. Ele também disse que nunca saiu de casa e que permaneceu no mesmo endereço sempre. O indiciado também informou que sua primeira intenção foi se apresentar na polícia, mas foi orientado pela defesa para que esperasse”, continuou a delegada.

Rogério está preso temporariamente por 30 dias. A delegada informou que outras pessoas ainda serão ouvidas e ao fim será decidido pelo pedido de prorrogação da prisão temporária ou da conversão para prisão preventiva. Nenhuma responsabilidade criminal da loja, do shopping e da mãe da criança, está sendo investigada pela polícia.

VEJA O VÍDEO (o tempo de duração da gravação foi adiantado pela edição do portal, mas legendado o tempo de acordo com a informação da polícia):

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