‘Alckmin será o coveiro do PSDB’, afirma o prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto

Pessimista, Arthur Virgílio Neto antevê um processo de enfraquecimento do PSDB. Avalia que o partido não terá nomes competitivos na disputa pelos governos dos principais Estados do País

Manaus – Desafiante de Geraldo Alckmin na disputa pela vaga de candidato a presidente da República do PSDB, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, está incomodado com a demora do partido em fixar as regras para a eleição interna, conforme informou, neste domingo (28), o jornalista Josias de Souza, em seu blog, no UOL. Segundo ele, Arthur atribui a indefinição ao próprio Alckmin, que preside a legenda.

Arthur: Alckmin, por teimosia e por volúpia de poder, faz papel de coveiro do PSDB (Foto: Reprodução)

De acordo com o jornalista, Arthur acusa o rival de colocar sua ambição política acima do interesse partidário: “Ele está entregando São Paulo para o PSB. O Alckmin será o coveiro do PSDB”, disse o prefeito. O PSDB marcou para 7 de fevereiro, antevéspera do Carnaval, uma reunião na qual um grupo incumbido de formatar as prévias vai expor o resultado do seu trabalho.

Virgílio vai para o encontro com o pé atrás. “Aguardo ansiosamente por boas novidades. Mas receio que estejamos perdendo tempo. Já deveríamos ter crescido na direção dos adversários. O que vejo é um Alckmin que, por teimosia e por volúpia de poder, assume esse papel de coveiro do partido”, ponderou.

Preço alto

Embora classifique de ‘relevante’ a hipótese de aliança nacional com o PSB, Virgílio declara que o preço será alto demais. Em abril, ao trocar o Palácio dos Bandeirantes pelos palanques, Alckmin entregará a cadeira de governador ao vice Márcio França, do PSB, que pleiteia o apoio do PSDB a uma já declarada candidatura à reeleição para o cargo de governador.

Virgílio resume assim a articulação feita sob Alckmin: “Ele entrega o governo para o PSB e indica um tucano para vice na chapa do Márcio França. No caso do Márcio, seria uma reeleição. Portanto, ele não poderia pleitear novamente o posto. Supondo que vença a eleição e supondo que o vice do PSDB seja um bom nome, esse vice seria automaticamente candidato à sucessão estadual seguinte. É muita suposição.”

Arthur prosseguiu: “A única coisa que não estão levando em conta é que, no momento, o PSDB tem o governo de São Paulo. E está prestes a entregar de mão beijada para o PSB. Tudo em nome de uma ambição pessoal do Alckmin. Não será fácil explicar isso aos nossos parceiros. Alternância do poder é parte da democracia. Mas perder São Paulo assim, sem luta, é complicado. Não se entrega assim um Estado que o Mario Covas conquistou lá atrás com tanto esforço.”

Pessimista, Virgílio antevê um processo de enfraquecimento do PSDB. Avalia que o partido não terá nomes competitivos na disputa pelos governos dos principais Estados. Lamenta o comportamento do presidente de honra da legenda, Fernando Henrique Cardoso.

“Comigo, o Fernando Henrique foi o tempo todo bastante indelicado. Fui ministro dele, trabalhei pelo governo dele no Congresso. Esperava um tratamento mais cordial. Ele é extremamente duro também com o Alckmin. Diz a todo mundo que ele não tem carisma”, afirmou o prefeito.

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