ALE vota impeachment em meio às pressões

A Comissão do Impeachment da ALE em seus momentos decisivos com a votação do relatório do deputado Dr. Gomes, em meio às pressões e ameaças de judicialização de seus atos por suspeitas de irregularidades

Manaus – A Comissão Especial do Impeachment da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) entra nesta semana em seus momentos decisivos com a votação do relatório do deputado estadual Dr. Gomes (PSC) no plenário da Casa Legislativa, em meio às pressões e ameaças de judicialização de seus atos por suspeitas de irregularidades.

Com transmissão em tempo real pelas redes sociais, os eleitores acompanharam, na sexta-feira (31), a votação que aprovou, ainda no âmbito da Comissão, relatório apresentado por Dr. Gomes, um aliado do governo estadual, pelo arquivamento da denúncia contra o governador Wilson Lima e o vice-governador Carlos Almeida Filho.

Para deputados de oposição ao governo, houve pressa em aprovar o relatório e se abstiveram do voto. O resultado foi 10 votos a favor do relatório que “livra” Wilson, um contra, quatro abstenções e duas ausências.

Os próximos passos serão a publicação do parecer no Diário Oficial e, após 48 horas, a marcação de uma sessão plenária com todos os deputados.

Na terça-feira (4), em sessão plenária com a participação dos 24 deputados, após a eleição dos representantes dos blocos partidários, os cinco deputados eleitos terão até uma hora para questionar o relator.

Na terça-feira, representantes dos blocos partidários terão até uma hora para questionar o relatório (Foto: Alberto César Araújo/Aleam)

Após os questionamentos e respostas, o parecer será colocado para votação dos parlamentares. Se a maioria simples, sendo o total de 13 deputados, votar juntamente com o relator, o processo de impeachment será arquivado.
Se a maioria simples votar contra o parecer, o relator deverá elaborar outro texto, pontuando os questionamentos feitos pelos deputados.

O deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) prometeu questionar na Justiça o adiantamento da votação do relatório que estaca prevista para ocorrer nesta semana e foi adiantada para a última sexta (31).

Na ALE, o parlamentar ainda fez duras críticas à Comissão por desconsiderar desdobramentos referentes à má gestão, “como mortes ocorridas e escândalos da falta de atendimentos veiculados na imprensa local e nacional ou o pagamento de dívidas anteriores, como também a Operação Sangria, deflagrada no dia 30 de junho pela Polícia Federal (PF). A ação investigou possíveis práticas de corrupção, desvio de recursos, fraudes e organização criminosa dentro do Governo”, disse Wilker.

“Não considerar o caos na saúde na pandemia como a malversação dos recursos é muito grave. Os mais de R$ 200 milhões de restos a pagar, pagos mesmo com o conhecimento do início da pandemia, descartar a operação Sangria e não considerar os fatos trazidos pela CPI da Saúde é afrontoso e mostra um grande distanciamento desta Poder com a população”, concluiu Barreto.